Revista Ave Maria

Artigos da revista › 01/08/2019

A origem do terço e a influência de São Domingos de Gusmão

O Terço é chamado hoje de uma das quatro partes do Santo Rosário, que é composto de quatro “terços” (mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos).

A origem do Terço e do Rosário está no costume dos antigos monges de fazer suas preces, contando-as com o uso dos dedos ou com pedrinhas ou grãos. Na Idade Média (séculos X-XII) os fiéis costumavam rezar vários pai-nossos ou várias ave-marias consecutivos, quando não conseguiam recitar os 150 Salmos.

Uma forte tradição na Igreja diz que São Domingos de Gusmão, enviado pelo Papa Gregório IX (1227-1241) para converter os hereges cátaros na França, recebeu a visita de Nossa Senhora, que lhe apresentou o Terço e o Rosário como armas para a conversão dos hereges. São Domingos caminhava rezando o Rosário e pregando a sã doutrina da fé. Não era fácil converter esses hereges que atacavam a Igreja; segundo a tradição, São Domingos converteu milhares deles com a reza do Terço.

Essa prática foi-se codificando e regulamentando aos poucos, chegando à sua forma atual no século XVI sob o Papa São Pio V (1566-1572), dominicano; foi esse Pontífice quem determinou tanto o número de pai-nossos e ave-marias como o teor dos mistérios que os devem acompanhar. São Pio V atribuiu à eficácia dessa prece a vitória naval de Lepanto, contra os muçulmanos que queriam dominar a Europa, em 7 de outubro de 1571, que salvou o cristianismo de um grande perigo. Por isso, o Papa São Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário em 7 de outubro.

A devoção foi mais e mais favorecida pelos papas seguintes, destacando-se Leão XIII, que determinou que fosse o mês de outubro dedicado, em todas as paróquias, à reza do Terço e do Rosário.

Há muito tempo, os papas valorizam e recomendam vivamente as orações do Terço e do Rosário, especialmente os últimos papas, sobretudo a partir das aparições de Lourdes (1858) e Fátima (1917). Em Fátima, Nossa Senhora recomendou que ser reze o Terço todos os dias e disse que “não há problema de ordem pessoal, familiar e nacional que a oração do Terço não possa ajudar a resolver”.

Leão XIII (1878-1903), em tempos difíceis, dedicou ao Rosário dezesseis documentos, sendo onze encíclicas e uma constituição apostólica; Paulo VI dedicou três documentos ao Rosário; uma encíclica (Mense, de 29 de abril de 1965) recorda que “Maria é caminho para Cristo e isto significa que o recurso contínuo a ela exige que se procure nela, para ela e com ela, Cristo Salvador, ao qual nos devemos dirigir sempre”.

Na carta apostólica de João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, ele declara: “Percorrer com ela [Maria] as cenas do Rosário é como frequentar a ‘escola’ de Maria para ler Cristo, penetrar os seus segredos, compreender a sua mensagem”. O Rosário pode promover o ecumenismo. “É a minha oração predileta”, disse João Paulo II.

Em 10 de outubro de 2010, o Papa Bento XVI disse que o Rosário é “a oração mais querida pela Mãe de Deus e que conduz diretamente a Cristo. O Rosário é a oração bíblica, totalmente tecida pela Sagrada Escritura. É uma oração do coração, em que a repetição da Ave-Maria orienta o pensamento e o afeto para Cristo”.


Por Prof. Felipe Aquino

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