Revista Ave Maria

Artigos da revista › 30/04/2019

Esperança

“ESPERANDO CONTRA TODA ESPERANÇA, ELE FIRMOU-SE NA FÉ E, ASSIM, TORNOU-SE PAI DE MUITOS POVOS.” (RM 4,18) 

Quando criança, um dos meus passatempos favoritos era sair à procura de pequenos animais para povoar minhas fazendas imaginárias e, como vivia na roça, tinha campo abundante para montá-las. Pobres e indefesos animais, pois formigas, centopeias e lagartas eram transformados por minha fértil imaginação de criança em bois, cavalos e búfalos.

Tudo era uma festa, exceto uma coisa, que me incomodava bastante: havia um animal com o qual eu, advertido severamente por minha mãe, não podia brincar para não correr o risco de machucá-lo, pois era sagrado. Tratava-se da esperança, também conhecida como louva-a-deus!

A esperança me fascinava. Eu era capaz de abrir mão de todos os animais das minhas fazendas imaginárias para possuir uma única esperança que fosse. Não raro eu, desobediente, saía às escondidas a caçar esperanças. Quando as encontrava, que alegria! Por toda minha infância, mantive-me fiel caçador de esperanças.

O tempo se foi e eu cresci, mas não mudei muito; continuo sendo um caçador de ESPERANÇA. Agora não mais do animalzinho, apesar de eu continuar fascinado por ele; hoje, cansado da peleja da vida, tenho medo do desalento e persigo aquela esperança que não nos deixa perecer. Quando tudo parece perdido é ela que nos impulsiona a recomeçar, com o coração confiante de que se farão novas todas as coisas.

A história do povo de Deus, assim como a minha, está marcada por buscadores e propagadores da esperança, gente que não se deixou abater pelas tribulações e nem desanimou diante das dificuldades. O povo de Israel, após largo tempo de exílio e escravidão no Egito, manteve-se esperançoso. Por quarenta anos, o povo conservou sua esperança, como nos relata a Escritura.

Tempos mais tarde, essa mesma esperança moveu e animou os discípulos de Jesus a prosseguir depois de sua morte. Caminhando desiludidos para Emaús, dois discípulos tinham o coração triste e restava apenas um tênue fio de esperança. Já não tinham mais uma causa para prosseguir, pois aquele em que haviam depositado toda sua esperança, aparentemente, havia fracassado. Mas, em meio ao caminho, o Ressuscitado se revela por meio de sua palavra e, depois, oferece-lhes o pão partilhado. Bastou esse sinal para que a chama quase apagada da esperança fosse devolvida ao coração dos desesperançados discípulos.

É fácil ter esperança quando as coisas andam bem. Mas e quando os tempos são difíceis, como estes que estamos vivendo?

Inúmeros são os motivos que temos para abaixar a cabeça e, como meninos amedrontados, perder o ânimo, mas, somos o povo da esperança. Sairemos sempre como meninos teimosos a buscar esperança, ainda que proibida, mas sempre sagrada esperança. Não tenhamos medo de ser buscadores e anunciadores da esperança, gritando com amor que ainda resta a esperança da fé, semeada em nossos corações pela ressurreição daquele que é a nossa esperança.

Diego Lelis de Jesus Lelis, cmf

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