Revista Ave Maria

Artigos da revista › 01/10/2019

Legado

Outubro é considerado o Mês das Missões. Não só isso: neste ano, o Papa Francisco o proclamou Mês Missionário Extraordinário, com o tema “Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo”. O objetivo é dizer a cada cristão que, pelo fato de ser batizado, é um missionário.

A comunidade também é convidada a retomar um novo impulso de transformação missionária da vida e da pastoral. É o desejo do Papa Francisco “colocar a missão de Jesus no coração da Igreja”.

O Mês Missionário deve promover, em todos os fiéis, o desejo de anunciar verdadeiramente o Evangelho e buscar a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras, além de aumentar o amor pela missão, que é uma paixão por Jesus e pelo seu povo.

Uma das propostas da Campanha Missionária é valorizar os padroeiros da missão. Por isso, queremos nos inspirar no patrono dos missionários claretianos, Santo Antônio Maria Claret (1807-1870), para aprender dele algumas indicações para a nossa ação missionária.

O que podemos aprender desse grande santo? Uma das características que definem Santo Antônio Maria Claret é o fato de ter tido uma profunda experiência de Deus, que o levou a uma opção radical por Jesus Cristo e por seu Reino, além de uma peculiar experiência do mundo com sua bondade, relatividade e periculosidade. Porém, o que mais caracteriza o nosso santo é o seu anseio missionário, que o animou durante toda sua vida: o desejo de pregar missões, de ser enviado aos lugares mais difíceis, de sofrer pela missão; tudo isso esteve presente em sua vida.

Sabemos que Claret possuía muitas habilidades e uma capacidade imensa de trabalho; no entanto, o fio condutor do qual tudo partia e para onde tudo convergia era sua vocação missionária.

Diante da situação de conformismo da Igreja de sua época, Claret não concordava com sua acomodação. Sonhava com uma Igreja ágil, desprendida, em permanente missão, “em saída”, como diria o Papa Francisco. Esse sonho e o inconformismo o fizeram organizar um grupo de sacerdotes com a finalidade de pregar missões. O tempo foi passando e o grupo foi crescendo, a ponto de se tornar uma congregação religiosa de missionários, hoje presente em mais de sessenta países.

A radicalidade de Claret em seguir as normas ou indicações de Jesus aos apóstolos o fazia procurar seguir à risca as orientações de Jesus: andava a pé, enfrentando intempéries, vivia o desprendimento e não aceitava recompensa pelas missões pregadas. Essa radicalidade nos faz pensar e confiar mais na força da Palavra do que nos meios empregados na pregação.

Ao mesmo tempo em que Claret imitava os apóstolos ao extremo, ele também usava o que havia de mais criativo e moderno para que a Boa-Nova chegasse aos corações das pessoas, por isso, é considerado um santo que estava à frente de seu tempo. Ele escrevia pequenas mensagens em folhas avulsas, como que recados para as pessoas apressadas. Escrevia pequenos livros para que as pessoas os pudessem levar consigo e consultá-los a todo tempo. Promovia a troca de livros diversos por livros religiosos e instrutivos, além de escrever um devocionário que educou gerações (Caminho reto).

Enfim, de Claret aprendemos o entusiasmo pela missão por todos os meios possíveis, atendendo sempre ao mais urgente, oportuno e eficaz.

Pe. Brás Lorenzetti, cmf

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