Revista Ave Maria

Artigos da revista › 19/05/2017

O coroinha e o cachorro

Nas cristas da serra da Mantiqueira, entrando no Estado de Minas Gerais, encontra-se a pequena e acolhedora cidade de Bueno Brandão, “terra das cachoeiras inesquecíveis”.

Paraíso dos amantes de esportes radicais, essa terra de encantos mil é protegida pelas mãos do Senhor Bom Jesus. O meu coração bateu mais forte quando avistei a matriz, pois havia sido convidado para celebrar uma missa para a comunidade. A igreja ficou repleta de fiéis. Foram momentos de oração, fé e muitas bênçãos. Depois de tanta alegria, os organizadores daquela celebração levaram-me para o jantar. Que delícia! Sobre a mesa havia arroz, tutu de feijão, polenta, frango caipira e torresmo. Sentei-me em frente do dono da casa, um homem de baixa estatura, mas de uma fé mais alta que as cristas da Mantiqueira.

Ele, então, perguntou a mim: “Padre, você conhece a história do coroinha e seu cachorrinho?”. Curioso, pedi que a contasse. Ele bebeu um gole de suco de laranja e começou: “Há muitos e muitos anos, o padre de uma paróquia entregou a um dos seus mais fiéis coroinhas a chave da igreja. Ele deveria abrir as portas e arrumar tudo direitinho para as celebrações. Depois de algumas semanas, o coroinha percebeu que um cachorro, morador de rua, magro, com as orelhas caídas, chegava para a Missa antes de todo mundo. Mas o cachorro, por não tomar banho, incomodava a todos com seu cheiro desagradável, coçando pulgas e carrapatos. O padre, percebendo a situação, pediu ao coroinha para dar um jeito naquele animal.

O menino, muito amoroso, decidiu levá-lo para casa. Deu-lhe um belo banho, cuidou e arrumou uma casinha para ele, no fundo do quintal. Em poucos dias, o cachorro estava bonito, cheiroso e até mais gordinho. Ao abrir as portas da matriz, o coroinha estava sempre acompanhado de seu novo amigo. Meses depois, o menino passou a estranhar a atitude do animalzinho:dormia até tarde e não mais o acompanhava à igreja. Numa manhã de domingo, o coroinha contou para o padre, que lhe disse: ‘Sabe, filho, o comportamento desse cachorro não é muito diferente do que acontece com muitas pessoas. Quando a vida está ruim, elas correm atrás de Deus e não faltam à Missa, mas, quando tudo se torna mil maravilhas, são os últimos a pensar em Deus!’. E, assim, concluiu o homem: ‘Vou rezar muito para que esse povo que participou hoje da Missa seja perseverante. O Bom Jesus nos ama e quer a gente sempre perto dele nas horas de sofrimento e nos momentos de alegria’”.

Fiquei feliz em conhecer a bela Bueno Brandão. Jamais me esquecerei do amor que recebi daquele povo hospitaleiro, de modo especial da história do coroinha e seu cachorro, contada por aquele homem humilde e sábio das Minas Gerais.

Que jamais os fiéis se afastem da casa do Senhor e tenham, sempre, nos lábios, as palavras do salmista: “Como são amáveis as vossas moradas, Senhor dos exércitos! Minha alma desfalecida se consome suspirando pelos átrios do Senhor. Meu coração e minha carne exultam pelo Deus vivo. Até o pássaro encontra um abrigo e a andorinha faz um ninho para pôr seus filhos. Ah, vossos altares, Senhor dos exércitos, meu rei e meu Deus! Felizes os que habitam em vossa casa, Senhor: aí eles vos louvam para sempre” (Sl 83,2-5).

 

Artigo de autoria do Padre Agnaldo José. 

Texto extraído da seção “Evangelização” da Revista Ave Maria – Edição maio/2017.

Deixe o seu comentário





* campos obrigatórios.