Revista Ave Maria

Artigos da revista › 01/10/2019

Pensamento Harmonioso

A vida humana passou por consideráveis transformações. Museus, obras de arte, descobertas arqueológicas, arquitetura, folclore, idiomas e dialetos, tradições e tudo o mais recontam histórias, mantêm viva a memória e impulsionam a humanidade a buscar sempre um pensamento transformador, ou seja, a sublimação do tempo e do espaço.

Da mesma forma, a música exerce um enorme papel sobre a memória, seja individual ou coletiva, afetiva ou neurológica. Ela mantém os pensamentos vivos! Sempre me emociono muito quando meus pacientes idosos com a presença de alguns estados mentais alterados por doenças neurodegenerativas, como Alzheimer, retomam bons pensamentos após uma exposição musical afetiva que reconta sua história. Do mesmo modo, a música sacra e litúrgica mantém a memória do Cristo viva em cada um. Uma questão muito importante é compreender que a música sacra desperta e desenvolve bons pensamentos.

O pensamento sem direção é como um avião sem piloto.

Afinar os pensamentos aos acordes do cristianismo não é tarefa fácil. É preciso mergulhar fundo! Vive-se num mundo onde os pensamentos têm sido turbulentos, ansiosos e preguiçosos. Ultimamente, fala-se demasiadamente em ansiedade. Qual a gênese de tanta agitação? Talvez seja a falta de educar os pensamentos, a falta de memória histórica ou a falta de esperança. O cristianismo converte os pensamentos em esperança.

A música sacra pode muito transformar a mente e organizá-la para uma vida melhor. Há tecnologia suficiente para fazer o repertório de boa qualidade chegar aos ouvidos e direcionar os pensamentos à iluminação interior. Se a mente encontra oportunidade de se nutrir de bons elementos ficará fortalecida o suficiente para transformar a vida interior e exterior em bons pensamentos.

O louvor constante é exercício e, ao mesmo tempo, fruto dos bons pensamentos. O louvor passa pela boca da criatura que pensa em Deus. O louvor necessita de afinação entre o Criador e a criatura. Santo Agostinho expressa um maravilhoso pensamento: “Nem os seres do céu cessaram jamais de louvar a Deus, nem os seres da terra calaram seu louvor a Deus… Eles, certamente, não louvam a Deus por sua própria voz e por seu próprio coração, mas, ao serem contemplados por seres dotados de inteligência, por meio destes Deus é louvado; e, ao ser louvado por estes, também aqueles louvam de alguma forma a Deus… Porque, quando vemos essas criaturas e pensamos no Criador que as fez, delas brota em nós o louvor de Deus; e, como Deus é louvado pela contemplação delas, todas as coisas louvam a Deus”.

A música sacra deve ser buscada, estudada, compreendida e muito exercitada. É uma forma segura de manter os bons pensamentos vivos e de oferecer à alma oportunidade de contemplação, sublimando o pensamento humano no pensamento de Cristo, que liberta a alma da angústia e do engano, conduzindo-a às harmonias do Criador. A melodia de Cristo é a do pastor que conduz a ovelha e descansa a alma em abundância.

Ricardo Abrahão

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