Revista Ave Maria

Artigos da revista › 01/10/2019

Santos Simão e Judas Tadeu

28 DE OUTUBRO
APÓSTOLOS
(SÉCULO I)

“Nosso Senhor Jesus Cristo estabeleceu os guias, os mestres do mundo e os dispensadores dos seus divinos mistérios. Quis, além disso, que eles resplandecessem como luminares e que iluminassem não apenas o país dos judeus, mas também todos os outros… Os seus apóstolos foram as colunas e o fundamento da verdade. Cristo declara ter conferido a eles a mesma missão que Ele recebeu do Pai.”

Era essa a convicção dos primeiros cristãos e eles construíam a própria vida sobre a fé transmitida pelos apóstolos, isto é, por aqueles que compartilharam a vida com Cristo, desde seu Batismo até a paixão e a ressurreição.

Judas e Simão, que a Igreja venera em uma única festa, sem dúvida fazem parte do colégio apostólico. Além do chamado de Jesus a segui-lo, não temos deles quase nenhuma outra informação.

Simão é cognominado “cananeu”, ou “zelota”, dois termos que têm o mesmo significado, isto é, zelante. Alguns pensam que tal título lhe foi dado por seu apego à lei e às tradições judaicas. Segundo a tradição transmitida por Egesipo, do século II, ele teria sucedido a São Tiago, o Menor, no governo da comunidade cristã de Jerusalém, do ano 62 ao ano 107. A seguir, teria sofrido o martírio em Pela, onde se havia refugiado com sua comunidade para fugir da segunda guerra judaica.

Outras tradições o levam para a Abissínia, onde teria sido crucificado, e outras ainda falam de um martírio mais cruel, o da serra. Tais tradições representam talvez a lembrança dos sofrimentos dos primeiros cristãos torturados com todos os meios. E os apóstolos não foram poupados a semelhantes experiências.

Judas tem, também ele, um sobrenome: Tadeu, que significa “magnânimo”. No Novo Testamento, encontramos uma carta de certo Judas, irmão de Tiago, porém, os estudiosos não são de opinião que possa ser atribuída ao nosso apóstolo. Talvez o autor seja um mestre judeu-cristão que resume nessa breve carta de apenas 25 versículos “um riquíssimo testemunho de fé, vida, oração e esperança das comunidades judeu-cristãs no fim do século I”.

Uma informação segura é a pergunta dirigida ao Mestre depois da última ceia: “Pergunta-lhe Judas, não o Iscariotes: ‘Senhor, por que razão hás de manifestar-te a nós e não ao mundo?’. Respondeu-lhe Jesus: ‘Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele e nele faremos a nossa morada’” (Jo 14,22-23).

A resposta de Jesus, que à primeira vista parece não levar em conta a pergunta, é de tonalidade muitíssimo expressiva: Deus se manifesta a quem estiver disposto a acolhê-lo, porque só o amor pode conhecer o amor. Com efeito, Jesus continua: “Aquele que não me ama, não guarda as minhas palavras. A palavra que tendes ouvido não é minha, mas sim do Pai que me enviou” (Jo 14,24).

Segundo a tradição recolhida pelo historiador Nicéforo Calisto, o apóstolo Judas evangelizou a Palestina, a Síria e a Mesopotâmia e morreu mártir em Edessa. A Igreja siríaca, em vez disso, recorda-o como mártir em Arad, local próximo de Beirute.

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