A oração é o respiro da alma

Nós nos comunicamos com muitas linguagens, verbais e não verbais. Transmitimos mensagens com palavras, gestos, atitudes, silêncio, posturas, emoções, sentimentos, reações, com ou sem palavras… Assim também é a oração. Por ser uma comunicação com Deus, utilizamos muitas formas de orar. Se analisarmos as diversas experiências de oração ao longo da história do povo de Deus, no Antigo Testamento e com Jesus e a partir dele na vida a Igreja, vamos encontrar vários modos e estilos de oração.
Cada linguagem de oração tem o seu sentido e favorece viver experiências únicas e originais da relação com Deus, por isso, é preciso aprender a orar, sempre. Assim como temos muitas formas de nos comunicar, também temos muitos modos de orar.
Entre as diversas formas de oração, uma das mais simples e significativas e que marcou vários tempos da vida da Igreja, vida de muitos santos e ritos, está a oração litânica. Ela é um modo de dialogar com Deus repetindo uma palavra ou uma expressão que vai sempre trazendo nova luz e profundidade ao sentido da palavra que expressamos, como “És tu, Senhor, o meu único bem”, “Tu sabes que te amo”, “Vem, Senhor Jesus”, “Piedade, Senhor, misericórdia”… Esse tipo de oração, se bem feita, com simplicidade, sinceridade, autenticidade, infunde paz, confiança, força e nos dá coragem para seguirmos os desafios da vida, podendo sempre estar em diálogo com Deus. Assim, podemos retomar o trabalho, estabelecer relações sinceras com os demais, enfrentar provações e dificuldades.
Há muitas invocações que a Igreja apresenta em seus rituais, mas, podemos também escolher muitas nos versículos da Bíblia, nos Salmos, por exemplo, nas orações e invocações que Jesus fez e que estão relatadas nos Evangelhos, nas cartas dos apóstolos. Todos os livros da Bíblia contêm formas de invocações implorando perdão, suplicando graças, expressando agradecimento, louvor, adoração.
Hoje, encontramos também áudios com músicas que têm refrões que se repetem e que vão aprofundando o sentido dessas palavras, que são cada vez mais significativas à medida que entendemos o seu sentido e as repetimos conscientemente. Essas invocações podem ser feitas ao longo do dia em todos os momentos, mas é muito significativa a experiência de reservar um local em silêncio para viver momentos com essa invocação. Pode ser num recanto da natureza, num espaço na casa ou num cômodo de algum ambiente. Relaxar, concentrar-se, fazer a evocação em tranquilidade será uma experiência que vai ajudar diariamente a fortalecer nossa fé, a esperança e a vivência do amor a Deus e ao próximo.
Há também uma forma de oração litânica em que se responde com uma invocação breve e repetida às várias preces que são dirigidas em nome da comunidade. Pode ser feita individualmente ou em comunidade. Em geral são súplicas insistentes. É uma forma popular e antiga já usada na sinagoga dos judeus e muito presente na tradição da Igreja, sobretudo no Oriente.
A oração litânica pode ser de petição, de louvor, de penitência ou de ação de graças. O exemplo mais típico é o da Litania ou Ladainha dos Santos, que se reza em várias celebrações como Vigília Pascal, Batismo, ordenações, consagração das virgens, profissão perpétua, dedicação das igrejas, sínodos ou concílio, e também como invocações e cânticos das missas como o rito penitencial – “Senhor, tende piedade de nós” – ou no rito da comunhão – “Cordeiro de Deus que tirais o pecado do mundo” –, entre outros exempos. Também em outros sacramentos da Igreja, como se pode ver nos rituais próprios, há invocações em que se repetem as mesmas expressões. Sempre é importante reconhecer que repetir não é um ato mecânico, automático, mas exige atenção, aprofundamento do sentido das palavras e acolher no coração o que se diz com a boca.
Uma forma muito conhecida, também, são as ladainhas de Nossa Senhora. Nelas, em geral, vai-se repetindo a invocação “Rogai por nós” a uma série de títulos e louvores à Virgem Maria, Mãe de Deus. Há também ladainhas que se invocam Jesus, São José, os anjos e santos.
Importante é aprender e viver a experiência de oração fazendo dela uma profunda e renovada relação de amor com Deus e que nos abre para o próximo. Assim, a oração se torna vida e a vida se torna oração.

Pe. José Alem, cmf

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