Revista Ave Maria

Artigos da revista › 10/08/2020

Artigo sobre a vida e a missão de Dom Pedro Casaldáliga

“Missão: Anúncio e testemunho do Reino”

Somos missionários! A Missão pertence à nossa identidade mais profunda. Recebemos do Espírito um carisma que nos configura com Jesus e nos assemelha aos apóstolos, em comunhão de vida, entregues por inteiro ao Pai e ao Reino. Como discípulos de Jesus, fomos marcados para iluminar, bendizer, vivificar, levantar, sanar, libertar (cf. EG 273). Existimos para viver a Missão no coração do Povo de Deus.

Dom do Espírito, nossa participação na Missão nasce de sua ação em nós. Torna-nos “comunidades em missão”. Tem uma expressão privilegiada na qualidade de nossas vidas (cf. EG 259), chamadas a testemunhar a primazia absoluta de Deus e de seu Reino, a preferência divina pelos pobres, os frágeis e os empobrecidos e o valor sagrado dos direitos humanos, da Criação e de toda vida. Anuncia a Jesus e seu Reino (cf. EG 45, 110) em atitude de diálogo e nos convida a estar dispostos e preparados para ir até as fronteiras existenciais, geográficas, sociais e culturais da evangelização e a contemplar, a partir delas, a realidade (cf. EG 30).” (cf.: Missionários Claretianos. Testemunhas-Mensageiros da Alegria do Evangelho. XXV Capítulo Geral, Roma 2015, pp. 11-13)

A MISSÃO A PARTIR DO TESTEMUNHO DE DOM PEDRO CASALDÁLIGA

Anunciar e testemunhar a busca das verdades do Reino de Deus, vivenciado por Jesus Cristo e pregado a toda humanidade com alegria, humildade, generosidade e acolhida do outro e de sua cultura, sabendo que nada está pronto e definido pela razão ou mãos humanas. A missão é parte inerente da vida crista. Ela sempre foi a motivação da vida de muitos cristãos e católicos que a assumiram em seus contextos originais e, também, em outros países e continentes.

Quero aprofundar o sentido da Missão, a partir da frase inicial desse artigo, de Dom Pedro Casaldáliga, missionário claretiano espanhol que chegou ao Brasil em 1968, na época da ditadura militar e na década das grandes mudanças mundiais. Pedro, como gosta de ser chamado, em 1971 foi sagrado bispo de São Félix do Araguaia, cidade do nordeste do Estado de Mato Grosso, às margens do rio Araguaia. Nesta região de expansão do latifúndio, com indígenas e ribeirinhos desrespeitados em seus direitos, ele fez a opção pelos pobres e a encarnou em sua vida e missão.

Sua poesia nos inspira: “ser o que se é, falar o que se crê, crer no que se prega, viver o que se proclama até as últimas consequências!”

Dom Pedro Casaldáliga assumiu com intensidade e de modo instigante a missão que Deus lhe confiou! Até hoje, na altura de seus 89 anos de idade, vividos com dedicação, fidelidade e amor incondicional aos pobres e humildes do sertão brasileiro.

Atualmente, ele vive em São Félix do Araguaia, acompanhado por seu “irmão, o mal de Parkinson”, numa cadeira de rodas. Vive na comunidade agostiniana com a fraternidade, Padres José Saraiva, Ivo Cardoso Silva e Félix Valenzuela. Também cercado de amigos e seguidores da cidade e de várias partes do mundo.

Pe. Ronaldo Mazula, cmf

(Artigo extraído da edição de outubro/2017 da Revista Ave Maria)

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