Revista Ave Maria

Artigos da revista › 02/12/2019

Natal: Tempo de reconciliação

Family With Grandparents Enjoying Christmas Meal At Table

A Igreja proclama na Missa da noite do Natal, aquela conhecida como Missa do Galo, a leitura dos primeiros versículos do capítulo 9 do livro do profeta Isaías. O quinto versículo diz: “Porque nasceu para nós um menino, foi-nos dado um filho; ele traz aos ombros a marca da realeza; o nome que lhe foi dado é: Conselheiro Admirável, Deus forte, Pai dos Tempos Futuros, Príncipe da Paz” (Is 9,5). Eis um dos mais belos títulos atribuídos ao filho de Maria e de José: Príncipe da Paz. Também o Evangelho de Lucas, lido na mesma celebração, traz o canto da corte celeste, registrado em muitos presépios: “Glória a Deus no mais alto dos Céus, e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,13-14). Vê-se que a chegada do Menino Deus é um fato que aponta para a paz entre os homens.

Sim, Jesus é o Príncipe da Paz. Ele não hesitará em proclamar “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). Enviado pelo Pai, a missão de Jesus, na força do Espírito Santo, é fazer-nos reconhecer que somos todos irmãos (cf. Mt 23,8). Eis porque o Natal do Senhor tem um tom de paz e de reconciliação. Aquela criança que nasceu em Belém é capaz de despertar nos corações de um número incontável de pessoas o desejo de paz e de fraternidade. Para aqueles que andavam nas trevas, surge uma luz que vence a escuridão e traz vida. É o Emanuel, Deus conosco.

Em nossas comunidades, famílias e amigos se reúnem para celebrar o Natal do Senhor. Ritualizam suas alegrias com ofertas de presentes e votos de boas festas. Confraternizam-se e se abraçam, ceiam juntos e partilham da mesa comum. Esses encontros são, também, a oportunidade para cada pessoa oferecer o perdão e pedir o perdão e, assim, libertar-se pela reconciliação.

O Natal provoca sentimentos de recomeço.

O escritor mineiro João Guimarães Rosa colocou na expressão de Riobaldo essa convicção: “Minha senhora dona, um menino nasceu. O mundo tornou a começar”. E o recomeço do mundo, do tempo, da história pede a coragem de fazer as pazes, de perdoar, de se reconciliar.

Um recém-nascido traz vida para toda a família. Sua chegada pode trazer lágrimas aos olhos dos mais endurecidos pelas labutas diárias. Seu choro indica fome e incômodos e mobiliza todos de uma casa. Seu sono, dirão, é como o dos anjos. Todos se tornam como crianças ao contemplar seus primeiros sorrisos. Jesus é Deus que se fez menino e quis atrair nosso olhar, nossa atenção, nosso coração. Ele encontrou o caminho mais humano de se aproximar de nós. É quase impossível não se sensibilizar diante de um recém-nascido. E a mensagem do Natal não é outra, senão esta: o menino que nasceu de Maria e na manjedoura está é o Salvador, é o Cristo, é o Senhor. Ele é a Boa-Nova que a humanidade espera.

Ninguém celebre o Natal com o coração fechado para outra pessoa. Aproveite o embalo das canções natalinas para fixar os olhos no Príncipe da Paz e buscar refazer laços desfeitos pelo rancor, pela ofensa, pela palavra desmedida… O tempo da vida é breve e não compensa não perdoar, não pedir perdão. Abrir os braços, olhar nos olhos e dizer “Feliz Natal” é, seguramente, sinal de muitos recomeços.

Dom João Justino de Medeiros Silva

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