Revista Ave Maria

Artigos da revista › 02/07/2020

Qual a importância dos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola?

Spanish soldier Ignatius Loyola

No dia 31 de julho celebramos a memória de Santo Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, cujos membros são conhecidos como jesuítas.

Inácio de Loyola era um soldado de origem nobre e foi ferido na perna por uma bala de canhão enquanto defendia a fortaleza de Pamplona contra os franceses no ano de 1521. Durante o período de convalescença, dedicou-se à leitura de livros religiosos e de história de santos, isso impactou profundamente sua vida e a partir daí passou a desprezar os bens terrenos e dedicou-se à busca dos bens sobrenaturais. Tomou a decisão e fez uma confissão geral de seus pecados e depois retirou-se a uma gruta, nas proximidades de Barcelona, e ali entregou-se a rigorosas penitências e escreveu a sua principal obra, o Livro de exercícios espirituais. Isso aconteceu em 1522.

Inácio de Loyola, a partir de suas próprias experiências, criou os exercícios espirituais, o que demonstra uma pedagogia do agir de Deus na história de cada pessoa. O método inaciano propõe a prática da oração a partir de textos bíblicos e a disposição do praticante a dedicar todo o seu ser à vontade de Deus. Nesses exercícios o silêncio é fundamental. É no silêncio da oração, e principalmente da meditação e contemplação, que o exercitante conseguirá aos poucos afastar de si tudo aquilo que causa desordens afetivas e buscar o equilíbrio na vida.

Os exercícios espirituais têm grande importância para a Igreja e o próprio Santo Inácio ensina que eles são um modo de examinar a consciência, meditar, contemplar e rezar. Ele nos ensina também que assim como passear, caminhar e correr são exercícios corporais também se chamam exercícios espirituais os diferentes modos de a pessoa se preparar e dispor para tirar de si tudo o que é desordenado e procurar a vontade de Deus.

Ao longo dos últimos quinhentos anos a prática dos exercícios espirituais tem exercido grande influência na vida da Igreja Católica. Anotamos aqui algumas iniciativas pontificiais em relação a esses exercícios. Em 1922, Pio XI declarou e constituiu Santo Inácio de Loyola “Patrono celestial de todos os exercícios espirituais e, por conseguinte, de todos os institutos, associações e congregações de qualquer classe que ajudam e atendem aos que praticam exercícios espirituais”. Esse mesmo Papa publicou, em 1929, a Encíclica Mens Nostra, sobre os exercícios espirituais, na qual comunicava aos fiéis a sua decisão de estabelecer anualmente um retiro baseado nos exercícios espirituais para o Papa e membros da Cúria Romana.

Mais recentemente, após os exercícios espirituais na Quaresma de 2008, o Papa Bento XVI desejou que “junto a outras formas louváveis de retiro espiritual, não diminua a participação nos exercícios espirituais, caracterizados por esse clima de silêncio completo e profundo que favorece o encontro pessoal e comunitário com Deus e a contemplação do rosto de Cristo”.

Os exercícios espirituais normalmente são feitos em local destinado para a prática de retiros que possibilita a vivência do silêncio. Os exercícios podem ser de sete ou trinta dias corridos, mas, como nem sempre estamos acostumados ao silêncio, há programação de menos dias para conhecer essa prática e, depois, à medida que se vão conhecendo os exercícios, ampliam-se os prazos. Nada impede também que esses exercícios espirituais sejam adequados à disponibilidade de cada um, sempre haverá possibilidade para aqueles que querem se exercitar espiritualmente.

Valdeci Toledo

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