Revista Ave Maria

Artigos da revista › 03/08/2020

Qual é o meu chamado, qual é minha vocação?

No mês de agosto, a Igreja Católica celebra o Mês das Vocações. Para cada um dos quatro domingos se celebra uma vocação em especial.

No primeiro domingo, celebramos o Dia dos Padres, que é a celebração da vocação ao ministério sacerdotal, no serviço de Deus e da Igreja de modo pleno, de doação à comunidade, na concessão dos sacramentos e no cuidado e administração das paróquias e outros serviços prestados ao povo de Deus.

No segundo domingo, celebramos Dia dos Pais. Celebramos o chamado à paternidade, ao cuidado dos filhos, da família como Igreja doméstica. Os pais se espelham em Deus na colaboração do dom da vida e no cuidado de seus filhos.

No terceiro domingo, celebramos o Dia dos Consagrados, a vocação à vida religiosa, na qual homens e mulheres se dedicam ao serviço de Deus nas mais diversas formas e carismas despertados na Igreja.

No quarto domingo, celebramos o Dia dos Catequistas, de todos aqueles que se colocam à serviço da propagação e ensinamento da Palavra de Deus, da doutrina e da tradição da Igreja. Essas pessoas dedicam seu tempo ao aprendizado e ao ensino, buscando sempre propagar as verdades que desde a origem da Igreja são transmitidas ao povo de Deus.

Todas essas vocações de alguma forma nos incluem. Padres, pais, religiosos e catequistas fazem parte do povo de Deus. Mas, ainda pode permanecer uma pergunta: “Qual seria a vocação mais importante, a vocação fundamental de cada um de nós?”.

Independente de sermos padres, pais, religiosos ou catequistas, nossa vocação primordial é sermos de Deus. Somos chamados a sermos separados para Deus!

O ser humano é criado à imagem e semelhança de Deus. Isso quer dizer que, independente da vocação específica de cada um de nós, somos chamados a viver nossa unicidade, dignidade e valor, haja vista que Deus nos criou únicos. Cada ser humano é único, digno e valioso e sua vocação fundamental é viver plenamente como filho de Deus.

Podemos verificar que, ainda que alguém seja chamado a viver um carisma específico de uma determinada família religiosa (claretiana, franciscana, dominicana, jesuíta, beneditina etc.), no exercício desse carisma ele será único, pois colocará sua marca pessoal, que é única. Por isso, não podemos querer padronizar ninguém. Deus é único e nos fez à sua semelhança também como únicos. Cada um de nós tem uma marca que nos distingue. Somos semelhantes, mas não iguais.

Quando deixamos de lado nossa personalidade e buscamos imitar a do outro, perdemos nossa essência e deixamos de viver nossa vocação fundamental, de sermos nós mesmos. Pode acontecer de alguém querer ser o que o outro é, mas o outro não é você. Não adianta querer imitar o outro ou querer mudá-lo, o que precisamos fazer é nos conhecer e assumir plenamente nossa vocação.

Deus, quando se apresentou a Moisés, disse “Eu sou aquele que sou” (Ex 3,14); Jesus disse “Sou eu” (Jo 18,5.6.8); nós também podemos dizer “Eu sou filho de Deus, sou imagem de Deus”. Isso nos dará a verdadeira liberdade de viver plenamente o nosso chamado de viver como filhos de Deus, criados à sua imagem e semelhança. Essa é a verdadeira vocação! Depois disso, qualquer modo de expressar nosso amor a Deus, à Igreja e ao próximo nos completará, pois estaremos fazendo aquilo que nos realiza plenamente.

Assim, podemos concluir que nossa vocação é única, pois Deus nos criou, amou-nos individualmente e chamou-nos pelo nome. Mas, não fomos chamados para vivermos sozinhos, no nosso individualismo, somos chamados para a relação, para colocar nossa vocação a serviço do outro. Esse outro é Deus e também o meu próximo.

Valdeci Toledo

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