Revista Ave Maria

Artigos da revista › 04/06/2020

Reflexão: Evangelho de Marcos

Vamos iniciar uma série de reflexões sobre o Evangelho de Marcos. Embora seja o segundo na sequência bíblica do Novo Testamento, segundo pesquisas foi o primeiro a ser composto.

Inicialmente é importante aprofundarmos o sentido da palavra “Evangelho”. Do grego “euangélion” – “eu” significa “boa” e “angélion”, “notícia” – quer dizer “boa notícia”. Trata-se de uma notícia boa, carregada de alegria e esperança. Inicialmente, o termo era usado para falar sobre o nascimento do imperador. Era tratado como algo divino, pois o imperador era assimilado a um “deus”.

As proclamações realizadas acerca do imperador eram qualificadas como evangelhos, querendo dizer que se tratava de mensagens importantes, salvadoras inclusive.

O termo passou a ser usado na tradição cristã para indicar a Boa-Nova da chegada do Reino de Deus na e com a pessoa de Jesus.

Os evangelistas a adotam e a palavra “Evangelho” define o gênero de seus escritos. Com isso, afirmam que o imperador não é um deus, embora se julgue assim. Quem verdadeiramente traz o bem e salva o mundo não é nenhum imperador, e sim Deus. É ele quem entra em ação no mundo.

Desde os primórdios, a Igreja possui quatro livros designados evangelhos. Estes trazem em si a Boa-Nova de Jesus. Reconhecidos como sendo de origem apostólica, não podem ser lidos ou estudados como se faz com outros livros. Para compreendê-los, devem ser aplicados os métodos apropriados, a fé e o seguimento do magistério da Igreja. Devem ser interpretados à luz do Antigo Testamento.

Chegaram a nós os evangelhos canônicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. Foram reconhecidos como autênticos pela tradição e autoridade da Igreja.

Quando Jesus iniciou a sua pregação, o povo judeu estava sob o domínio do Império Romano. Era uma situação muito difícil, de sofrimentos, e todos ansiavam libertação com a chegada do Reino de Deus.

Alguns entendiam que a presença do Reino de Deus significava a condenação dos pecadores, eliminação dos inimigos. Em Isaías, a boa notícia era a proclamação de que Deus agiria novamente em favor de seu povo, libertando-o do sofrimento (cf. Is 40,9-11; 52,7-10).

Os evangelhos apresentam a vida e os ensinamentos de Jesus a seus discípulos e discípulas.

Jesus próprio não escreveu nenhum livro. O que Ele fez? Enviou aos seus discípulos e disse-lhes: “Por onde andardes, anunciai que o Reino dos céus está próximo” (Mt 10,7); “E disse-lhes: ‘Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura’” (Mc 16,15).

A pregação inicial realizada pelos apóstolos recebe o nome de querigma. Constituía o cerne da pregação cristã: o anúncio de Jesus Cristo morto e ressuscitado e o chamado à conversão, concretizada no Batismo.

Nos evangelhos, “Jesus apresenta a sua missão e a sua mensagem aludindo às profecias de Isaías, o que provavelmente corresponde ao comportamento do Jesus histórico”[1].

No Evangelho de Marcos, Jesus é aquele que vem para instaurar o Reino de Deus: “Depois que João foi preso, Jesus dirigiu-se para a Galileia. Pregava o Evangelho de Deus, e dizia ‘Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo; fazei penitência e crede no Evangelho’” (Mc 1,14-15). Jesus não anuncia algo para o futuro e sim que já se cumpre no aqui e agora.

Marcos inicia seu Evangelho com este anúncio: “Princípio da Boa-Nova de Jesus Cristo, Filho de Deus” (Mc 1,1). Jesus, por meio de suas atitudes, seu comportamento, mostra que é chegada a hora do Reino de Deus.

O coração humano se sente bem, em paz quando recebe uma boa notícia. Jesus Cristo é a grande boa notícia para toda a humanidade. A Boa-Nova aparece plenamente em sua morte na cruz e ressurreição, trazendo a todos a salvação.

Jesus é a salvação de Deus oferecida a todos.

[1] MONASTERIO, Rafael; CARMONA, Antonio Rodríguez. (org.). Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos. vol. 6. São Paulo: AM Ediçõe,1994.

Pe. Antônio Ferreira, cmf

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