Revista Ave Maria

Artigos da revista › 12/05/2020

Santos Filipe e Tiago

3 DE MAIO
APÓSTOLOS
(SÉCULO I)

“Filipe e Tiago, escutando a voz que os tornou discípulos de Cristo, seguiram a vida e a Palavra com tanta fidelidade que desejaram conhecer-vos, ó Pai, e contemplar abertamente o vosso semblante. Confirmados na fé da ressurreição do Mestre, tornaram-se testemunhas eloquentes e confiantes do Evangelho.”

A Igreja romana celebra no mesmo dia a festa desses dois apóstolos. Eles não são apresentados pela tradição como protagonistas de fatos extraordinários, mas como homens generosos que responderam imediatamente ao chamado divino e, juntamente com outros apóstolos, viveram a divina aventura de colaborar com Jesus, que implantou na Terra a própria vida do Céu.

Filipe de Betsaida era pescador e, ao chamado de Jesus, seguiu-o com presteza. Encontrando Bartolomeu, seu conterrâneo, comunicou-lhe com entusiasmo que havia encontrado o Messias prometido pelos profetas. À resposta incrédula do amigo que não se convenceu, propôs-lhe que fosse ver com os próprios olhos.

O Evangelho de João mostra um particular interesse por esse apóstolo, referindo-se a respeito dele em algumas passagens.  Na primeira multiplicação dos pães, “Jesus disse a Filipe: ‘Onde compraremos pão para que todos estes tenham o que comer?’ (…). Filipe respondeu-lhe: ‘Duzentos denários de pão não lhes bastam, para que cada um receba um pedaço’” (Jo 6,1-13). E Jesus realizou o milagre que é conhecido por todos).

Um outro episódio, sempre narrado por João (cf. Jo 12,20-25), aconteceu depois da entrada de Jesus em Jerusalém. Alguns gregos, impressionados pela figura do Mestre, dirigiram-se a Filipe, talvez pelo seu nome grego, pedindo-lhe para ser apresentados a Jesus e Filipe serviu como embaixador, com a colaboração de André.

Depois da última ceia, quando Jesus falou do Pai, Filipe lhe pediu: “Senhor, mostra-nos o Pai e isso nos basta”. Esse pedido dá ao Evangelho joanino a oportunidade de nos abrir uma fresta para conhecermos o relacionamento de Jesus com o Pai: “Há tanto tempo que estou convosco e não me conhecestes, Filipe! Aquele que me viu, viu também o Pai. Como, pois, dizes: ‘Mostra-nos o Pai…’? Não credes que estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que vos digo, não as digo de mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, é que realiza as suas próprias obras. Crede-me: estou no Pai, e o Pai está em mim. Crede-o ao menos por causa destas obras” (Jo 14,8-11). É um dos textos que mais fortemente testemunha como os apóstolos, só depois da paixão e da ressurreição, quando o Espírito Santo for dado, compreenderão em plenitude quem é Jesus.

Depois de Pentecostes, Filipe teria atravessado a Ásia Menor e teria se dirigido até a Cítia, a atual Ucrânia, e depois teria ido para a Frigia. Em Gerápolis, capital dessa área, teria sido martirizado em uma cruz decussada, isto é, em forma de “x”, e de cabeça para baixo. Depois de várias vicissitudes, suas relíquias foram transportadas para Roma e sepultadas na Basílica dos Doze Apóstolos.

Tiago, o Menor, assim é chamado porque seria de menor estatura em relação ao outro apóstolo, o irmão de São João, que tem o mesmo nome.

A única referência certa a ele é que foi apóstolo do Senhor, para tudo o mais devemos confiar nas tradições, hoje dificilmente comprováveis. Segundo os estudos mais críticos, ele não seria aquele Tiago que dirigiu a primeira comunidade de Jerusalém. Segundo outras tradições, ele teria sido primo de Jesus, filho de Alfeu e de certa Maria que esteve presente aos pés da cruz. Devido a esse parentesco com Jesus foi muito estimado e respeitado pelos primeiros cristãos e pelos próprios apóstolos.

Fazemos referência aqui aos fatos que encontramos no Novo Testamento, mesmo que não tenhamos certeza absoluta se estão se referindo à mesma pessoa.

Paulo, três anos depois da conversão, subiu a Jerusalém e não viu “(…) mais nenhum, a não ser Tiago, irmão do Senhor” (Gl 1,19). Em sua segunda visita, depois de catorze anos, o apóstolo relata (que, tendo apresentado o Evangelho que ele anunciava aos pagãos, “Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas, reconhecendo a graça que me foi dada, deram as mãos a mim e a Barnabé em sinal de pleno acordo; iríamos aos pagãos, e eles aos circuncidados” (Gl 2,9-10).

Por ocasião do Concílio de Jerusalém, Tiago disse: “Julgo que não se devem inquietar os que dentre os gentios se convertem a Deus. Mas que se lhes escreva somente que se abstenham das carnes oferecidas aos ídolos, da impureza, das carnes sufocadas e do sangue” (At 15,19-20). Preocupado pela harmonia que devia reinar nas comunidades mistas, formadas pelos cristãos provenientes seja do judaísmo, seja do paganismo, Tiago recomenda alguns comportamentos práticos, que evitem escândalos lamentáveis e inúteis.

Também na sua última viagem a Jerusalém, Paulo visitou Tiago. Com ele estavam todos os presbíteros da comunidade e Paulo dessa vez narrou todas as coisas admiráveis realizadas pelo Senhor entre os pagãos.

Segundo a tradição, no ano 62, a boa fama de que Tiago gozava em Jerusalém e o crescimento da comunidade cristã provocaram uma rebelião popular e o apóstolo foi preso, jogado do pináculo do templo e depois morto com um golpe final.

Traz o nome de Tiago uma carta apostólica, de sabor sapiencial, dirigida a toda a cristandade. Citamos aqui dela um pequeno trecho, no qual o autor fala da sabedoria que vem do alto e dirige a vida cristã: “A sabedoria, porém, que vem de cima, é primeiramente pura, depois pacífica, condescendente, conciliadora, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade nem fingimento. O fruto da justiça semeia-se na paz para aqueles que praticam a paz” (Tg 3,17-18).

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