Revista Ave Maria

Artigos da revista › 12/05/2020

Visitação de Nossa Senhora

No dia 31 de maio, o calendário litúrgico recorda a celebração da festa da Visitação de Nossa Senhora, oficialmente instituída pelo Papa Urbano VI em 1389. Durante essa visita, Maria recitou o cântico de louvor conhecido como Magnificat. Por esse motivo, tal memória também é conhecida como festa do Magnificat. Com ela, a Igreja prolonga e irradia a alegria messiânica da salvação.

Nossa Senhora, grávida, é portadora de Deus e vai ao encontro dos mais necessitados. Ao chegar à casa de sua prima Isabel é saudada como mãe do Salvador. A visitação é a festa do encontro entre uma jovem, mãe, serva do Senhor, e a anciã, símbolo de Israel que espera a vinda do Salvador. Lembra-nos o Papa Francisco: “Essas duas mulheres se encontram e se encontram com alegria”, o momento é “só festa”.

Nessa celebração, também descobrimos a raiz da nossa devoção a Maria. Ela cantou o Magnificat, glorificando a Deus. Esse cântico é conhecido como cântico dos pobres. Nele, Maria reconhece a sua pequenez e a grandeza de Deus diante de sua obra maravilhosa.

O Evangelho de Lucas nos convida a proclamarmos bem-aventurada aquela que, por aceitar ser a mãe de Jesus, também se abriu às necessidades do outro. É impossível dizer que amamos a Deus se não amamos ao irmão. A visitação de Maria a sua prima Isabel nos convoca à prática da caridade por meio da visitação. Quantas pessoas também precisam da nossa visitação? Os idosos em suas casas e apartamentos isolados, nos lares e clínicas para a terceira idade, as pessoas com o mal da depressão, isoladas em seus quartos fechados e escuros, nossos irmãos presidiários, os nossos jovens encarcerados nas instituições para menores infratores, pessoas enfermas em casas e nos leitos dos hospitais, crianças em lares e abrigos etc. Portanto, a festa da Visitação de Nossa Senhora nos ensina que o serviço é sinal do cristão. Quem não vive para servir, não serve para viver. Aceitar Jesus é estar aberto a aceitar o outro.

Diante desse pressuposto, notamos que são muitas as pessoas que necessitam de uma visita, seja física ou espiritual, por meio da oração. Esses nossos irmãos e irmãs não estão longe de nós. Para cada uma dessas pessoas somos chamados à diferença na vida com pequenos gestos praticados com amor, que deixam marcas de eternidade no coração. A misericórdia não se realiza com palavras bonitas ou frases de efeito, ela é concreta e precisa ser exercitada, assim como Maria, que não leva somente o amor e a alegria, mas o próprio Cristo.

A solicitude carinhosa de Maria exprime, também, o gesto de caridade e amor, assim como o gesto de visitar os enfermos nos convida a sairmos de nós mesmos e irmos ao encontro daqueles que padecem dos mais diversos tipos de sofrimento. Maria é nosso modelo de misericórdia. Na visita a Isabel, Maria levou também a esperança da vida plena. Visitar uma pessoa enferma ou não é um gesto de misericórdia carregado de profundo sentido humano e espiritual.

Peçamos à Virgem Maria que interceda por nós junto a seu filho Jesus, para que sejamos cada vez mais sensíveis à dor e ao sofrimento dos outros. Que sejamos capazes de sentir compaixão e cuidar do outro. Que a nossa sensibilidade não fique no sentimentalismo, mas se concretize por meio da caridade.

Pe. Antonio Alves

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