Revista Ave Maria

Sem categoria › 03/03/2020

Vivendo a Semana Santa na sua essência e no seu sentido salvífico

Não há como dizer que a Semana Santa não seja diferente. É uma semana toda restauradora, cheia de paz. Aos 37 anos, ainda sou capaz de retornar à minha infância, quando lá em Jacutinga (MG), minha terra natal, participava com minha família de cada dia, de cada procissão, de cada momento penitencial, de cada celebração. Às vezes sem entender muito, mas sempre com muita atenção em cada gesto e palavra. Ali nos encontrávamos para celebrar o centro da nossa fé: Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Nesta Semana Maior, ou Grande Semana da nossa fé, a Igreja Católica celebra os mistérios da salvação, cumpridos por Jesus Cristo. O papa Francisco, em 2013, nos ajudou a reforçar o mistério e beleza destes dias: “Na Semana Santa nós vivemos o ápice deste momento, deste plano de amor que percorre toda a história da relação entre Deus e a humanidade. Jesus entra em Jerusalém para cumprir o último passo, no qual reassume toda a sua existência: doa-se totalmente, não tem nada para si, nem mesmo a vida. Na Última Ceia, com os seus amigos, compartilha o pão e distribui o cálice ‘por nós’. O Filho de Deus se oferece a nós, entrega em nossas mãos o seu Corpo e o seu Sangue para estar sempre conosco, para morar em meio a nós. E no Monte das Oliveiras, como no processo diante de Pilatos, não oferece resistência, doa-se; é o Servo sofredor profetizado por Isaías que se despojou até a morte”.

Não podemos perder essa centralidade: Jesus, diante da violência de seus opositores, entregou-se não de forma passiva, mas voluntária, para demonstrar o seu amor por todos nós.

Ainda hoje, principalmente no interior de nossos estados, a religiosidade e piedade dos fiéis marcam esses dias. São dias de penitência e conversão, onde encontram a esperança na ressurreição de Cristo.

E nosso povo, tão fiel, foi desenvolvendo ao longo do tempo diversos atos que demonstram, expressam e manifestam sua gratidão ao Amor do Pai, sua fé e piedade, e identificam seu rosto sofrido com o do Cristo. Como exemplo temos as procissões, vigílias, vias-sacras e encenações da Paixão de Cristo. Tudo isso deve ser motivado, desde que não se perca a centralidade da caminhada para a Ressurreição de Jesus.

O padre Antônio Carlos de Oliveira Souza – C.Ss.R. –  explica que a liturgia da Semana Santa não pode ser uma junção de diversos momentos teatrais, “mas sempre uma atualização do único Mistério Pascal, que não pode ser fragmentado”. Ou seja, apesar de importante, o devocional e o popular não podem assumir a prerrogativa de momentos essenciais durante a Semana Santa.

Continua padre Antônio Carlos: “Trata-se da celebração do Mistério Pascal na sua globalidade, sem fragmentações, embora cada dia seja dedicado a um dos aspectos particulares. Havia e ainda há o perigo de romper a unidade do Mistério, separando excessivamente a celebração da morte da celebração da ressurreição”.

Essa realidade, infelizmente, é muito comum de se ver nas nossas comunidades, quando o teatro da Paixão do Senhor, por exemplo, envolve e atrai mais gente do que a Vigília Pascal e a Ressurreição do Senhor.

Muitas vezes, o esvaziamento da essência dos atos litúrgicos se dá por falta de preparação ou de um trabalho catequético com nosso povo. Daí, claro, é preciso preencher o vazio com iniciativa e expressões populares.

Que esta Grande Semana nos ajude a mergulhar no essencial da nossa fé e redescobrir esse grande amor salvífico de Deus por todos nós.

Pe. Andrey Nicioli

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