“Naquele tempo, haverá no Egito cinco cidades que falarão a língua de Canaã e jurarão pelo Senhor dos exércitos. Uma delas será chamada a Cidade do Sol [Heliópolis]. Naquele tempo, haverá um altar erguido ao Senhor, em pleno Egito, e, em suas fronteiras, um obelisco dedicado ao Senhor. E eles servirão de monumento ao Senhor na terra do Egito. Quando maltratados pelos opressores, invocarão o Senhor, e Ele lhes enviará um salvador, um defensor que os libertará. O Senhor se dará a conhecer ao Egito, os egípcios conhecerão o Senhor naquele tempo, e lhe oferecerão sacrifícios e oblações; farão votos ao Senhor e os cumprirão. Quando o Senhor ferir os egípcios, será para curá-los; eles se voltarão para o Senhor, que se deixará aplacar e os curará. Naquele tempo, haverá um caminho do Egito para a Assíria; os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria. O Egito e a Assíria renderão culto ao Senhor. Naquele tempo, Israel será, como terceiro, aliado ao Egito e à Assíria, objeto da bênção no meio da terra. Que o Senhor dos Exércitos abençoará nestes termos: ‘Bendito seja meu povo do Egito, a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança!’” (Is 19,18-25)
O obelisco é um monumento comemorativo do Antigo Egito: de pedra, simboliza um raio de sol; em português usamos o termo do grego antigo “obelískos,”, ou seja, “espeto”. Os exemplares mais antigos remontam ao ano de 2000 a.C.: de várias dimensões, celebravam divindades, faraós e defuntos.
SAGRADA FAMÍLIA NO EGITO
O obelisco da praça São Pedro é de Heliópolis, no Egito; o altar mencionado na profecia está na base dele. Ao contrário de outros obeliscos trazidos do Egito, esse não possui inscrição pagã ou qualquer hieróglifo (escrita sagrada egípcia). O fim da profecia de Isaías se cumpre na visita de Jesus com a Sagrada Família em sua fuga para o Egito. Nessa cidade, conta-se que caíram os deuses egípcios e outros monumentos idolatras pela passagem do Menino Deus. Só permaneceram os monumentos ao Deus verdadeiro.
COMO OBELISCO EGÍPCIO SE ENCONTRA NA PRAÇA SÃO PEDRO
Em 1586, o Papa Sisto V ordenou que mudassem de lugar o obelisco que, antigamente, enfeitava o circo de Calígula, colocando-o em frente à basílica de São Pedro (naquele momento, em construção) para celebrar o triunfo da Igreja sobre o paganismo e a heresia. O obelisco foi então “cristianizado” com inscrições e com os símbolos do emblema sistino: os leões, os três montes e uma cruz de bronze que no século XVIII foi enriquecida com relíquias da verdadeira cruz.
A racionalização da estrutura exterior à basílica veio a ser completada dois séculos depois, com as colunas de Gian Lorenzo Bernini e a via da Conciliazione.
OS NÚMEROS DO OBELISCO VATICANO
Dos treze obeliscos antigos de Roma, o do Vaticano é o segundo por tamanho, depois daquele de Latrão.
Por ser desprovido de símbolos egípcios (hieróglifos) é atribuído ao Deus hebreu, mas sua paternidade era duvidosa; graças às fontes sabemos que foi encomendado por Amenemhet II para Heliópolis (nordeste do Cairo), conforme o profeta Isaias, pois Heliópolis é a Cidade do Sol, onde se dizia existir a mitológica fênix que se tornou símbolo Cristão da ressurreição, portanto, tem cerca de 4 mil anos.
É um bloco de granito vermelho cujo corpo mede 25,31 metros e, com a base, atinge uma altura de 33,56 metros. Pesa 330 toneladas (somente a base pesa 175 toneladas).
No início, o obelisco encontrava-se no local da atual sacristia de São Pedro e Domenico Fontana, arquiteto do Papa Sisto V, levou treze meses para movê-lo, usando uma estrutura de madeira presa a cordas e guinchos e a força motriz de novecentos homens e 75 cavalos.
TRANSPORTADO A ROMA EM UMA EMBARCAÇÃO CHEIA DE LENTILHAS
Com a conquista do Egito por Otaviano em 30 a.C., os romanos obtiveram uma enorme quantidade de despojos de guerra.
Por vontade de Otaviano, inicialmente, o obelisco do Vaticano foi transportado para Alexandria, que o dedicou a Júlio César; por fim, entre os anos 37 e 41 d.C. foi trazido para Roma porque Calígula o queria em seu circo privado, e ordenou que fosse dedicado aos seus antecessores Augusto, “filho do divino Júlio”, e Tibério, “filho do divino Augusto”.
O obelisco viajou pelo Mediterrâneo em uma embarcação de oitenta0 metros de comprimento, carregada de mil toneladas de lentilhas e, depois dessa prestigiosa carga, o navio foi recheado com uma fundição de pozolana e afundado no porto de Ostia para se construir um píer.
Depois do incêndio de Roma, Nero desencadeou a primeira perseguição à comunidade cristã, na qual morreu São Pedro, crucificado no circo vaticano, sob o obelisco egípcio.
O OBELISCO E O SOLSTÍCIO: O RELÓGIO DE SOL DA PRAÇA SÃO PEDRO
Em 1817, os paralelepípedos da praça São Pedro foram decorados com uma rosa dos ventos e um relógio de sol. A sombra projetada do obelisco marca os movimentos do sol ao meio-dia sobre os signos do zodíaco; nos dois discos, nas extremidades, é possível observar os dois solstícios, de verão e de inverno.
O altar da profecia de Isaías é o pedestal do obelisco. Na base estão quatro leões de bronze e esse pedestal contém somente inscrições em latim colocadas por ordem do Papa Sisto V , nos lados leste e oeste, são inscrições exorcistas:
“CHRISTVS VINCIT – CHRISTVS REGNAT – CHRISTVS IMPERAT – CHRISTVS AB OMNI MALO PLEBEM SVAM DEFENDAT” (“CRISTO VENCE – CRISTO REINA – CRISTO IMPERA – CRISTO DEFENDE SEU POVO DE TODO MAL”)
“ECCE CRVX DOMINI – FVGITE PARTES ADVERSAE – VICIT LEO DE TRIBV IVDA” (“EIS A CRUZ DO SENHOR – FUGI INIMIGOS – VENCEU O LEÃO DA TRIBO DE JUDÁ”)
*Padre Reinaldo Bento é sacerdote incardinado na Diocese de Osasco (SP).