“Ide e fazei discípulos de todas as nações.” (Mt 28,19)
O Evangelho segundo Mateus apresenta a salvação como uma realidade destinada a todos os povos. Embora sua narrativa esteja profundamente enraizada na história de Israel e nas promessas feitas ao povo da antiga aliança, ela conduz progressivamente o leitor à compreensão de que, em Jesus Cristo, a salvação ultrapassa todas as fronteiras religiosas, culturais e geográficas. O Ressuscitado envia seus discípulos: “Ide e fazei discípulos de todas as nações” (Mt 28,19). Esse mandato constitui o ponto culminante do Evangelho e revela a dimensão universal da missão da Igreja.
Desde o início, Mateus oferece sinais dessa universalidade. A genealogia de Jesus recorda sua inserção na história de Israel, mas também menciona personagens estrangeiras, como Tamar, Raab e Rute. A presença dos magos vindos do Oriente (cf. Mt 2,1-12) é outro sinal significativo: representantes dos povos reconhecem em Jesus o Messias e vêm ao seu encontro. Enquanto alguns em Israel permanecem indiferentes, aqueles que vêm de longe são capazes de reconhecer a presença de Deus.
Durante o ministério de Jesus, essa abertura aos povos aparece em diversos episódios. Jesus elogia a fé do centurião romano e afirma: “Por isso, eu vos declaro que multidões virão do Oriente e do Ocidente e se assentarão no Reino dos Céus com Abraão, Isaac e Jacó” (Mt 8,11). A salvação não se limita à pertença étnica ou religiosa, ela se abre àqueles que acolhem Jesus com fé. Também a mulher cananeia, estrangeira e inicialmente colocada à margem, torna-se exemplo de uma fé perseverante que toca o coração de Cristo (cf. Mt 15,21-28).
Essa perspectiva alcança uma expressão particularmente forte no capítulo 25 de Mateus, quando Jesus identifica sua presença nos pequenos, nos famintos, nos sedentos, nos estrangeiros, nos enfermos e nos presos. O critério do juízo não será simplesmente a pertença a um grupo, mas a prática concreta do amor e da misericórdia. A universalidade da salvação está, portanto, inseparavelmente ligada à universalidade da caridade.
No fim do Evangelho, depois da ressurreição, Jesus reúne os discípulos e lhes confia uma missão que rompe definitivamente os limites de Israel: “Ide e fazei discípulos de todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-as a observar tudo o que vos ordenei” (Mt 28,19-20). A comunidade cristã nasce missionária. Ela não existe para si mesma, mas para levar a todos a experiência do encontro com Cristo e anunciar a Boa-Nova.
O verbo “ir” expressa movimento, saída e disponibilidade. A missão exige uma Igreja que não permaneça fechada em seus próprios espaços, mas que vá ao encontro das pessoas e das culturas. “Todas as nações” indica que ninguém está excluído do horizonte do Evangelho. A missão, portanto, não é privilégio de alguns, mas responsabilidade de toda a comunidade dos discípulos.
A universalidade da salvação não significa apagar as diferenças entre povos e culturas; ao contrário, o Evangelho é anunciado a cada povo respeitando sua história, sua dignidade e seus dons. A unidade desejada por Cristo não é uniformidade, mas comunhão. A Igreja é chamada a ser sinal de uma humanidade reconciliada, na qual diferentes povos e culturas podem encontrar em Cristo um fundamento comum.
O mandato missionário de Mateus permanece profundamente atual. Em um mundo marcado por migrações, conflitos, pluralidade cultural e novas formas de exclusão, a Igreja é chamada a renovar sua vocação missionária. “Ide e fazei discípulos de todas as nações” significa sair ao encontro do outro, anunciar Cristo com palavras e testemunhar o Evangelho por meio da vida.
A universalidade da salvação recorda, enfim, que o coração de Deus não conhece fronteiras. Em Jesus Cristo, todos são chamados à vida nova e à comunhão com Deus, comunidade universal de irmãos e irmãs, por isso, a missão da Igreja consiste em levar essa esperança a todos, fazendo discípulos, formando comunidades e testemunhando, no amor e na misericórdia, que o Reino de Deus é oferecido a toda a humanidade.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
BROWN, Raymond E. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004.
MATEOS, Juan; CAMACHO, Fernando. O Evangelho de Mateus: leitura comentada. São Paulo: Paulus, 1993.