A vocação cristã comum de cada pessoa tem como pano de fundo o chamado a ser filho de Deus, recebida no Batismo, e à vida do Ressuscitado, que se comunica mediante os sacramentos. A “vocação à santidade” corresponde a uma resposta filial à via da verdade e da felicidade, que é Cristo (Diretório Geral para a Catequese, n. 83-84). No âmbito dos ministérios e serviços da missão evangelizadora da Igreja, o “ministério da catequese” é indispensável para o crescimento da fé. O ministério da catequese “introduz à fé e, juntamente com o ministério litúrgico, gera os filhos de Deus no seio da Igreja” (Diretório Geral para a Catequese, n. 110).
Papa Francisco, em 2021, ao publicar a Carta Apostólica sob forma de motu proprio, Antiquum Ministerium, pela qual se institui o Ministério de Catequista, inicia apresentando a historicidade deste dom para a vida da Igreja. Não se trata de algo novo, estranho para a Igreja, mas de um carisma que se desenvolveu ainda na era apostólica, com formas próprias no seio da comunidade. “Ministério antigo é o de Catequista na Igreja. Os teólogos pensam, comumente, que se encontram os primeiros exemplos já nos escritos do Novo Testamento”, disse o Papa.
A vocação de Catequista é um carisma singular na vida da Igreja; o serviço é a forma de viver esse carisma. A tríplice dimensão da missão (instrução, exortação, testemunho) se faz importante atualmente. O catequista é chamado a instruir aquela porção do povo de Deus confiada a si, com conhecimento e testemunho de vida. Isso só é possível quando não se deixa “perder de vista o nosso ponto de partida”, aquele encontro pessoal com Cristo que preenche a vida de sentido (Evangelii Gaudium, n. 1).
Em 2020, ao ser publicado o novo Diretório para a Catequese, a Igreja nos convida a refletir sobre os quatro pilares da formação do catequista: saber ser, saber ser com, saber e saber fazer (Diretório Geral para a Catequese, n. 136). Iremos nos aventurar em duas dimensões: dimensão vocacional (saber ser) e a dimensão da formação humana (saber ser com), fazendo sempre um paralelo entre as duas para, assim, correspondermos, pouco a pouco, àquilo que a santa Mãe Igreja nos convida a aprofundar, ou seja, a vocação e missão de catequista.
Com a publicação da Carta Apostólica sob forma de motu proprio, Antiquum Ministerium, o Papa exorta o seguinte: “Este ministério possui uma forte valência vocacional, que requer o devido discernimento” (Antiquum Ministerium, n. 8), fazemos as seguintes perguntas:
- Como tem sido o acompanhamento dos novos catequistas?
- Existe um discernimento vocacional?
- Estão cientes de tão grande missão?
- Dos desafios?
- Da fidelidade a Cristo e Sua Igreja?
Em virtude dos fatos e indagações mencionadas, nosso livro: “Como pensar no discernimento vocacional e na formação humana do catequista” busca trabalhar as duas primeiras dimensões da formação da pessoa do catequista, conforme o novo Diretório para a Catequese: saber ser e saber ser com. Trabalharemos duas áreas do conhecimento: Teologia da Vocação e Logoterapia. A primeira delas iremos abordar o mais profundo do sentido da vocação cristã à luz da fé; para isso, recorreremos a grandes homens e mulheres da fé que compreenderam perfeitamente o sentido primordial da vocação. Por conseguinte, iremos fazer uso da logoterapia. A “logoterapia considera sua tarefa ajudar […] a encontrar sentido em sua vida.”