A afetividade é um elemento importantíssimo nas relações. O ser humano capaz de dar e receber afeto se entende como um ser relacional, e não individual nem totalmente independente do outro. A afetividade gera sentido às nossas relações, das mais próximas às mais distantes, ao mesmo tempo em que contribui diretamente para a construção dos vínculos afetivos. A pessoa que, desde sua gestação, recebeu o devido afeto, não sofrerá tanto caso aconteça a ruptura de uma relação. Isso acontece porque, ao desenvolver sua afetividade durante a gestação, infância e adolescência, não houve codependência em suas relações parentais e amigáveis. O vínculo afetivo foi construído de maneira que a pessoa não se sente “a metade da laranja”.
A família precisará corresponder com o desenvolvimento da vida dos seus, para que estes possam ser capazes de relações fraternas com a família maior, ou seja, a família humana. Isso porque o ser humano é um ser de relação, que vive e depende do outro para se constituir como pessoa. As relações atuais estão cada vez mais fragilizadas, porque muitos não conhecem nem a si mesmos, não se aceitam e não são capazes de acolher o diferente.
Partindo dessa compreensão, o berço familiar precisa ser um verdadeiro lugar de amor e vivência da fé. Isso só poderá acontecer quando o casal buscar enraizar em Cristo o dom da vocação matrimonial. Assim como Cristo se uniu à sua esposa, que é a Mãe Igreja, os esposos precisam se unir de tal forma que cumpram o mesmo mandato de Cristo.
É importante entender que a maneira de os filhos compreenderem a fé católica é por meio do testemunho dos pais. Sabemos que, nos primeiros anos da vida das crianças, sua compreensão de mundo e da família acontece por imitação, ou seja, reproduzem aquilo que os pais fazem. Por isso, nesse espaço vital, a fé precisa ser vivida em palavras e obras, da mesma forma que Cristo anunciava o Pai (cf. Dei Verbum, n. 17).
Com o testemunho e também com a palavra, as famílias falam de Jesus aos outros, transmitem a fé, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos propõe. Assim, os esposos cristãos pintam o cinzento do espaço público, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas frágeis, fé luminosa, esperança ativa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade (cf. Amoris Laetitia, n. 184).
Portanto, é precisamente no seio familiar que as experiências de fé acontecem; justamente por meio do testemunho cristão dos esposos é que a fé será transmitida para seus filhos. Nesse espaço, onde acontece a Igreja doméstica, o cultivo da Palavra, da oração, da comunhão deve ser vivido diariamente.
Por fim, é essencial pensar a catequese familiar por meio do querigma, porque também, “diante das famílias e no meio delas, deve ressoar constantemente o primeiro anúncio, que é o ‘mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário’ e ‘deve ocupar o centro da atividade evangelizadora’” (Amoris Laetitia, n. 58; Evangelii Gaudium, n. 35; 164). As famílias precisam ser catequizadas para a vivência querigmática. É justamente com o primeiro anúncio que essas pequenas igrejas encontrarão respostas para a educação dos filhos.