Nos dias atuais, em que estão presentes ideologias profundamente materialistas e ateias, mostra-se urgente e necessário levar a luz do conhecimento do Espírito Santo a fim de que, como Mestre e Senhor, renove a fé e a esperança dos cristãos que sofrem angustiados com as dores do tempo presente e não fazem a experiência com o Espírito Consolador.
O Espírito Santo é a alma da Igreja, corpo místico de Cristo, pois Ele age nela assim como a alma age no corpo. Com efeito, “O Espírito edifica, anima e santifica a Igreja. Espírito de amor, ele dá aos batizados a semelhança divina perdida por causa do pecado e os faz viver em Cristo a vida mesma da Trindade Santa”, ensina a Santa Igreja (Compêndio, 145). Como Mestre interior, Ele guia para a verdade e com sua unção fala por dentro dos corações instruindo sobre os mistérios de Deus, ensinou Santo Agostinho à Santa Igreja, disse Congar (cf. Agostinho, 2005 apud Congar, 2005, p. 144b).
Como acontece esse “toque” do Espírito de Deus, capaz de vivificarmos, de fato? A fé em Jesus, a oração, especialmente a litúrgica, a Palavra de Deus e os sacramentos são os meios essenciais para sermos vivificados pelo Espírito Santo. Para recebê-lo, as Sagradas Escrituras deixam entrever alguns passos para chegar ao novo nascimento no Espírito, a partir do que disse Jesus. São eles: querer, crer em Jesus e pedir. Assim disse o Senhor: “Quem tem sede, venha a mim; e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu seio fluirão rios de água viva” (Jo 7,39). O Evangelista esclarece o que disse o Senhor: Jesus dizia isso se referindo ao Espírito, que haveriam de receber os que nele acreditassem. Jesus também prometeu o dom do Espírito mediante a oração: “O pai dará o Espírito Santo aos que o pedirem” (Lc 11,13). Foi assim que Ele mesmo recebeu o dom do Espírito Santo (cf. Lc 3,21-22).
O saudoso Papa João Paulo II, em sua Encíclica Dominum et Vivificantem, fez uma profunda reflexão sobre o Espírito Santo, na qual revelou com maestria como acontece esse toque vivificador do Espírito na vida da Igreja e no homem. O ponto principal presente nela é entender que o Espírito Santo é um dom. Ele é uma pessoa-dom: é dom do Pai e é dom do Filho que nos foi dado por meio de sua obra redentora na cruz. O Espírito é, portanto, dom, e ao mesmo tempo é “Senhor que dá a vida”, assim a Igreja professa sua fé nele (Encíclica Dominum et Vivificantem, 2; 10).
A obra do Espírito Santo que de fato vivifica nossas vidas só se realiza por causa e mediante o evento pascal, cruz e ressurreição de Jesus, conforme se atesta na encíclica, a seguir: “Cristo ressuscitado, como que dando início a uma nova criação, ‘traz’ aos apóstolos o Espírito Santo. Trá-lo à custa da sua ‘partida’; dá-lhes o Espírito como que através das feridas da sua crucifixão: ‘Mostrou-lhes as mãos e o lado’. É em virtude da mesma crucifixão que Ele lhes diz: ‘Recebei o Espírito Santo’” (Encíclica Dominum et Vivificantem, 24).
Após Pentecostes, o Espírito Santo assume de Cristo a missão como “o outro consolador” de perpetuar a obra da redenção do mundo. Para isso, há de “convencer o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo” (Jo 16,8), em vistas à salvação de todos. Esse novo princípio da redenção em Cristo realizado pelo Espírito acontece de forma dupla, explica o Papa João Paulo II (cf. Encíclica Dominum et Vivificantem, 31). Frei Raniero explica que esse duplo dom está presente na Escritura quando Pedro fala da necessidade do arrependimento e do Batismo e logo em seguida diz “e recebereis, então, o Espírito Santo” (At 2,38); isso não significa que as ações acontecem uma após a outra, mas que no interior do homem o Espírito Santo realiza as duas ações simultaneamente: o Espírito da verdade ilumina e assim revela o pecado e, ao mesmo tempo, como Espírito Consolador realiza a obra da justificação; concedendo a graça do perdão e da vida nova (Cantalamessa, 2014, p.188).
Que obra extraordinária realiza o Espírito Santo em nosso interior que com sua unção penetra o sacrário da nossa consciência, revelando nossas misérias e, ao mesmo tempo, atrai-nos para si, oferecendo vida nova e felicidade eterna. Pessoalmente posso testemunhar como é reconfortante ouvir no interior do coração, a doce e amorosa voz do Mestre que nos guia para a verdade. Nós nos sentimos profundamente julgados como réus confessos, mas ao mesmo tempo escandalosamente antecipados com o perdão, envolvidos pelo amor misericordioso que nos vivifica e nos anima a viver o dom da vida nova que Ele mesmo nos deu.
Caro leitor, que beleza é nossa fé no Espírito Santo! Desejo que neste ano jubilar você faça uma experiência renovada com esse Espírito de amor que como bom Mestre pode guiá-lo no caminho que conduz a vida, afinal, Ele é verdadeiramente o Senhor que dá a vida. Jamais esqueça que Ele já nos foi dado e é tempo de beber dessa graça!