Ressonâncias do Canto Novo

A arte musical é composta de princípios, estrutura, história e efeitos mais do que estudados pela ciência. A música é uma das artes mais sublimes! Além da arte, ela conta com duas matérias fundamentais: a Musicologia e a Musicoterapia. Sendo assim, a música tem todos os recursos para ser avaliada, calculada, explicada e ensinada. Ela está de acordo com a criação de Deus. Quem criou a matemática do universo e a arquitetura estética dos sons? Deus! Sendo assim, quando se estuda a harmonia dos sons na matemática do universo se descobrem as maravilhas da criação de Deus. É a beleza do autor expressa em sua obra. Quando se estuda música de verdade, entende-se a perfeição dos harmônicos criados por Deus. Música também é exatidão.

Cristianismo também é exatidão: o Cristo, a Eucaristia! O canto novo não é uma forma nova de cantar, muito menos uma composição musical diferente. O canto cristão é a maturidade em descobrir que tudo é obra do Espírito Santo. Uma palavra musical é fundamental para entendermos o canto novo: afinação. Não há boa música sem boa afinação. Aos cantores católicos a afinação é primordial! Afinar é acertar o alvo, o contrário de pecado, que é errar o alvo. O Espírito Santo é a afinação máxima da criatura com o Criador. Quem não lida bem com a natureza dos sons, do próprio corpo e da própria voz não lida bem com o Autor da Vida. O Papa Bento XVI, no livro O espírito da música, oferece a nós textos de musicalidade amorosa para bem entendermos quem canta o canto novo: “O Saltério se torna, muito naturalmente, o livro de preces da Igreja nascente, uma Igreja cujas preces se elevam a Deus nos cantos. Evidentemente, agora rezamos os salmos com o Cristo. Em seu cânon, Israel atribuíra a maioria dos salmos ao Rei Davi, conferindo-lhe assim um fundamento teológico e um lugar na história sacra. Para os cristãos – sendo o Cristo o verdadeiro Davi – era natural concluir que Davi, no Espírito Santo, rogara àquele e com aquele que devia ser seu filho e ao mesmo tempo o Filho de Deus. Graças a essa chave interpretativa, os cristãos se investiram da prece de Israel com a consciência de fazer dela um cântico novo. Uma interpretação trinitária dos salmos estava assim dada: o Espírito Santo, inspirador do canto e da prece de Davi, havia feito ele falar do Cristo, pela boca mesma do Cristo. Isso nos permite falar, através dos salmos, ao Pai pelo Cristo, no Espírito Santo”.

Assim como a fé sem obras é morta, o canto novo não existe sem a disposição à afinação, ao conhecimento de si e a entrega humilde ao movimento do Espírito Santo. O contrário é um canto idealizado por fantasias revestidas de espiritualidade que, no fundo, é a ilusão de estar cantando. Para cantar o canto novo é preciso ter um coração novo, humilde e manso como o coração de Jesus!

“Cantai ao Senhor um canto novo, e o seu louvor na assembleia dos fiéis! Alegre-se Israel em quem o fez, e Sião se rejubile no seu Rei!” (Sl 149)

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