Todos os mandamentos da lei de Deus dizem respeito ao bom ordenamento a fim de que o cristão, cumprindo-os, viva em conformidade com aquilo que é o projeto divino para sua vida. Dentro dessa perspectiva está o sétimo mandamento que é não furtar e quem vive sem roubar estará sempre na linha, vivendo a ordem comum das coisas no dia a dia.
Esse mandamento é muito amplo. Veja o que diz o Catecismo da Igreja Católica, no parágrafo 2401: “O sétimo mandamento proíbe tomar ou reter injustamente o bem do próximo e prejudicá-lo nos seus bens, seja como for. Prescreve a justiça e a caridade na gestão dos bens terrenos e do fruto do trabalho dos homens. Exige, em vista do bem comum, o respeito pelo destino universal dos bens e pelo direito à propriedade privada. A vida cristã esforça-se por ordenar para Deus e para a caridade fraterna os bens deste mundo”. Ao ler essa ideia sobre o sétimo mandamento percebe-se que a primeira coisa que um cristão deve levar em conta é o respeito pelos seus bens, adquiridos honestamente, assim como o respeito pelos bens dos outros. Certamente, alguém deve pensar: quando e como se adquire esse respeito?
É verdade que a juventude é uma fase muito importante da vida, porém, é na infância que se aprende a respeitar o que é dos outros quando, por exemplo, o pai educa seu filho a não pegar nem trazer para casa o que não lhe pertence. Função semelhante ocupam também os professores ao comentar na escola sobre o que é seu e o que é do coleguinha. São orientações tão simples, mas, ao mesmo tempo, tão profundas que vão incutindo na mente da criança a lei moralmente correta do que lhe pertence e do que pertence ao outro e isso terá uma ressonância por toda a vida. A Igreja, por sua vez, já nos encontros de catequese para a Primeira Eucaristia, reforça ou mesmo apresenta pela primeira vez – caso os pais e os professores não o tenham feito – a ideia de que pegar aquilo que não lhe pertence é roubo, é pecado.
Convém ressaltar que o sétimo mandamento não diz respeito somente ao furto que “é uma apropriação ilegal de um bem alheio (…) ele também se refere à injusta retenção do salário justo; à apropriação de objetos que foram encontrados e podem ser devolvidos, e à fraude em geral. Também acusa os seguintes pontos: empregar trabalhadores sem condições humanas dignas, não respeitar os contratos firmados, malbaratar os rendimentos adquiridos sem respeito pelos deveres sociais, elevar ou baixar os preços artificialmente, prejudicar o posto de trabalho dos trabalhadores subordinados, praticar o suborno e a corrupção, induzir os trabalhadores dependentes a atos ilegais, realizar mal o trabalho, exigir honorários desapropriados, esbanjar ou administrar negligencialmente o patrimônio público, falsificar dinheiro, faturas e balanços e fugir aos impostos” (Catecismo Jovem da Igreja Católica, 428). Tudo isso reforça a ideia de que o “não furtar” deve sempre nortear o pensamento de um verdadeiro cristão, a fim de que este caminhe em conformidade com a ordem natural dos bons costumes, quer para si, quer para o outro.
E mais: se em algum desses aspectos você pecou, busque por meio do Sacramento da Confissão a reconciliação com Deus e tenha em mente a palavra que Zaqueu disse a Jesus, arrependido de suas más condutas: “Se roubei de alguém , vou lhe devolver quatro vezes mais” (Lc 19,8). Daí a orientação da Igreja: “Aqueles que, de maneira direta ou indireta, apoderaram-se de um bem alheio estão obrigados a restituí-lo ou a dar o equivalente em natureza ou espécie, se a coisa desapareceu, assim como os frutos e vantagens que o seu dono teria legitimamente auferido. Estão igualmente obrigados a restituir, na proporção da sua responsabilidade e do seu proveito, todos aqueles que de qualquer modo participaram no roubo ou dele se aproveitaram com conhecimento de causa; por exemplo, aqueles que o ordenaram, ajudaram ou ocultaram” (Catecismo da Igreja Católica, 2412).
Após essa conscientização, que o cristão queira caminhar em ordem, isto é, naquilo que de fato lhe pertence e sem roubar o que pertence ao outro. Assim, além de não pecar contra o sétimo mandamento estará em paz com Deus, com sua consciência e será um testemunho na relação com os outros e com a sociedade em geral.