Caríssimos, os sociólogosio dos Santoss e filósofos denominam esta geração atual como “geração Z”, com características próprias, inclusive. Uma delas se trata do fato de ser uma geração dependente da selfie, da exposição virtual carregada de uma dependência viciosa de ser visto para existir. A conhecida filósofa Marilena Chauí desenvolveu com profundidade a tese de que esta geração se tornou, graças ao avanço agressivo das redes sociais na vida cotidiana, um aglomerado de pessoas que precisar ser notadas, tornando-se assim narcisistas e, como diria Freud, “Em todo narcisista há um potencial depressivo”.
Esta geração, com essas características, triste, isolada do convívio (embora com muitos seguidores e fãs virtuais), que vive conectada quase 24 horas por dia, recebe muito mais informações do que as gerações anteriores e, por isso, cansa-se mais rápido e mais cedo. É uma geração que endeusa a liberdade, a autonomia (semelhante busca por ser autônomo e não dependente de um conjunto de leis do trabalho CLT e de um patrão). Paira entre esta geração a ideia de que o autônomo é alguem mais livre, mais rico e mais poderoso que os outros e os demais são fracos, dependentes e não revolucionários.
Entretanto, é comum entre os mesmos filósofos e psicólogos que estamos diante de uma geração extremamente manipulável, influenciada e dependente do outro, mesmo que esse outro seja virtual, ideal, irreal.
Quando fevereiro chega, por exemplo, mesmo endividado pelos excessos do fim do ano que passou, mesmo ainda não reservando o tempo hábil para planejar o ano de estudos e de projetos em longo prazo, o mês “exige” que você seja como os outros: divirta-se como se não houvesse amanha! Recordo-me do poeta da juventude dos anos 1990 que dizia, já naquele tempo, que os jovens precisavam de uma ideologia para viver.
Os rebeldes de hoje são incapazes, em sua maioria, de dizer “Quem disse que preciso beber e entrar em overdose como os demais?”. Por outro lado, na contramão da ideologia como necessidade de sobrevivência, o retiro de carnaval é uma opção ao menos diferente da maioria, os que se propõem a tanto são os jovens diferentes entre os iguais. Óbvio que com o celular na mão começa uma competição virtual subliminar por meio de fotos, posts e stories de quem está mais feliz, de quem está se divertindo mais, o jovem na escola de samba, na praia, no bloco de rua ou aquele que resolveu ficar em família, num retiro de carnaval de sua paróquia ou mesmo no ordinário da vida familiar de um ano em que se projeta casamento (por isso a economia enquanto muitos se divertem), um ano em que se sonha a casa própria, o empenho maior para o vestibular e a entrada na universidade, mesmo que isso cause um sacrifício momentâneo.
Sendo assim, definitivamente não é nas redes sociais que alguém vai provar a quem quer que seja que é mais feliz do que os outros ou está se divertindo mais que os demais. Terminantemente é o que cada um carrega de valor dentro de si que fará com que a “geração Z” seja revolucionária para a construção da civilização do amor, como tanto nos pedem os papas nas jornadas mundiais da juventude. Sonhemos, pois, com espaços em nossas paróquias que proporcionam aos jovens, saírem da multidão, estarem seguros e tranquilos ao lado de outros jovens adorando Jesus, ouvindo a Palavra, confessando-se sem perder uma santa Missa quando muitos estarão longe desses valores.
*Padre Aloísio dos Santos Mota é bacharel em Teologia e Filosofia e assessor da Pastoral da Comunicação na Arquidiocese de Aparecida (SP). Atuou como missionário no Santuário Nacional de 2016 a 2019. Atualmente é pároco na Paróquia São Pedro Apóstolo na Arquidiocese de Aparecida, cidade de Guaratinguetá (SP).