As culturas juvenis no contexto contemporâneo

A partir de uma análise do contexto cultural histórico contemporâneo, compreende-se que todo processo cultural deve corroborar para que o ser humano assuma suas expressões no âmbito social, com a irrigação de bons costumes entre os povos. A transmissão de valores acontece e efetiva o que é próprio da natureza humana: o ser cultural e existencial.

Então, faz-se necessário, ao refletir sobre a cultura juvenil, recordar a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, n. 53, do Vaticano II, que aborda o tema da cultura, a saber: “O aspecto histórico e social da cultura, que leva a entender a palavra num sentido sociológico. Assim, fala-se de pluralidade de culturas. Das diversas maneiras de utilizar as coisas, de trabalhar e de se exprimir, de prestar culto religioso, de educar, de legislar, de se organizar as instituições sociais, de progredir no saber das artes e de cultivar o belo, nascem a diversidade nas condições de vida e as várias formas de entender o que é bom para o ser humano”. Esse é um resumo do olhar filosófico e teológico dos padres conciliares no que diz respeito à cultura.

Com o advento das tecnologias, percebemos que as culturas também vão se transformando e como as culturas juvenis ganham outro espaço para expressar seu modo de ser e de agir no mundo. Numa dimensão da imagética, com uma sociedade que supervaloriza o pensamento intelectualizado e racionalizado, as culturas juvenis irrompem com um olhar para o lúdico, para as emoções e para o sentir, propondo grandes desafios para as culturas juvenis na atualidade eclesial, de maneira particular no modo como apresentam a teologia nesta sociedade tão plural.

Por fim, um novo modo de pensar as teologias juvenis leva em consideração a territorialidade, as diversas linguagens, as expressões, as exposições e os pensamentos; caso contrário, corre-se o risco de formatar as culturas juvenis num modelo hegemônico já fadado de jovens tidos como rebeldes e inconsequentes. Além do mais, não se levam em conta suas potencialidades nem as mudanças de época pelas quais a humanidade está passando, as quais rompem com as cizânias geracionais, com a linguagem e com as expressões artísticas e culturais.

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