Ainda há espaço para o silêncio na catequese? São nos detalhes que percebemos o nível de maturidade da fé dos nossos catequizandos; mas, também, de sua família; a forma de relacionarem-se com o Sagrado. Mas isso não só na catequese, antes e durante a missa, quando estamos indo para participar da ação litúrgica, se espera que estejamos indo para rezar. É de se estranhar quando estamos na Igreja esperando o horário da santa missa; por vezes, chegamos até mais cedo para rezar um pouco, em silêncio; porém, o barulho de conversas, risos etc., é tão ensurdecedor, que se torna impossível se preparar dignamente para participar dos santos mistérios.
Por aí, entendemos a importância de educar para o silêncio. A ação catequética precisa levar os catequizandos a compreenderem a contemplação promovida pelo silêncio. Papa Bento XVI na mensagem para o 46º dia mundial das comunicações sociais em 24 de janeiro de 2012 fala sobre o «Silêncio e palavra: caminho de evangelização»: “O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos.
Com isso, entende-se que, calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias”. Na audiência geral, na Praça de São Pedro, 3 de Outubro de 2012 ele exorta o seguinte: “A oração cristã consiste em olhar constantemente e de maneira sempre nova para Cristo, falar com Ele, estar em silêncio com Ele, ouvi-lo, agir e sofrer com Ele”.
Educar para o silêncio é parte constitutiva na ação catequética. Como vimos nas citações anteriores, é só no silêncio que podemos nos escutarmos, dialogar com o outro, aprender, saber conviver e despertar também, o diálogo com Deus por meio da oração. Na catequese precisamos aprender fazer aquele silêncio contemplativo, que observa atentamente, que se abre, que se torna diálogo.
Precisamos criar espaços que leve a isso: O silêncio-orante. Olhar para um ícone, conduzir como pedagogos da fé os nossos catequizandos por este caminho de contemplação. Pois, é impossível saber rezar, sem antes saber escutar, saber estar, sem antes, saber contemplar. Por isso, tudo deve começar de nós catequistas, desde muito cedo pensar na acolhida, no espaço mistagógico, nas palavras, no som, nas imagens etc., tudo isso ajudará no amadurecimento da fé, na contemplação e no silêncio que fala ao coração.
Por fim, a própria proposta da cateque com a leitura orante da Palavra: Lectio Divina, nos apresenta esse caminho de silêncio para escutar Deus. Na leitura orante da Palavra de Deus, trilhamos um caminho de encontro profundo com o Senhor, no qual a alma aprende a escutar Sua voz no silêncio e na contemplação. Mais do que um simples estudo bíblico, ela é uma experiência espiritual de intimidade, onde o coração se coloca diante da Palavra com humildade, escuta e abertura à ação do Espírito Santo. Em um mundo marcado pelo barulho e pela distração, a Lectio Divina torna-se um convite a parar, silenciar e permitir que Deus fale ao interior da alma. Como o profeta Elias, que encontrou o Senhor na brisa suave (cf. 1Rs 19,12), também o cristão aprende, na quietude da oração, a reconhecer a presença de Deus que ilumina, consola e transforma a vida.