Igreja acompanha luta dos guaratiras pelo reconhecimento do território Tanaru
A criação do Parque Nacional do Tanaru, em Rondônia, busca preservar a área onde viveu o chamado “Índio do Buraco”, último sobrevivente de um povo indígena isolado, vítima de décadas de violência, invasões e conflitos fundiários. Para os descendentes do povo guaratira, no entanto, a reparação histórica ainda não está completa.
As famílias afirmam que descendem dos antigos habitantes do território e reivindicam o reconhecimento oficial do povo guaratira, além da demarcação da Terra Indígena Tanaru. Segundo elas, a morte do indígena isolado, em 2022, não representa o desaparecimento da história, da identidade e dos vínculos culturais com a região.
O Parque Nacional do Tanaru foi apresentado pelo governo federal como uma medida de proteção ambiental e de preservação da memória dos povos que viveram na área. Em setembro de 2025, o ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal, homologou o plano de criação da unidade de conservação e reconheceu a iniciativa como uma forma de reparação pela violência sofrida pelos povos originários.
Apesar da importância da proteção ambiental, os guaratiras afirmam que não foram consultados durante o processo de criação do parque. Eles defendem o direito de serem ouvidos, conforme estabelece a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante aos povos indígenas a consulta livre, prévia e informada sobre medidas que possam afetá-los.
Rosalina Guaratira conta que sua mãe nasceu e cresceu no território, mas precisou fugir ainda jovem por causa dos massacres, das doenças e das violências sofridas pela comunidade. Para ela, a dispersão das famílias não apagou os vínculos com seus antepassados.
“O povo Tanaru não morreu. Nós somos descendentes do povo guaratira. O que pedimos ao governo brasileiro é o reconhecimento do nosso povo e a demarcação do território para garantir nossa proteção”, afirma.
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) acompanha as comunidades e reforça que o reconhecimento dos povos indígenas passa pelo respeito à identidade, à história e aos direitos territoriais. A missionária irmã Laura Vicuña destaca que é necessário assegurar o direito à consulta, à existência e à proteção dessas populações.
Para o Conselho Indigenista Missionário, a criação de uma unidade de conservação não substitui o dever do Estado de reconhecer os povos que mantêm vínculos históricos e culturais com o território. A proteção da floresta e da memória deve caminhar junto com a escuta, o diálogo e a garantia dos direitos dos povos originários.
Fonte: com informações de Vatican News.
Conheça dez amizades fiéis dos santos para se inspirar
“Um amigo fiel não tem preço, e o seu valor é incalculável. É remédio que cura, e os que temem ao Senhor o encontrarão”, ensina o Livro do Eclesiástico (6,15-16).
Ao longo da história da Igreja, muitos santos encontraram na amizade uma fonte de apoio, crescimento espiritual e serviço ao próximo. Unidos pela fé e pelo amor a Deus, eles mostraram que uma amizade verdadeira pode gerar frutos de santidade. Conheça dez desses exemplos.
1. São Francisco e Santa Clara de Assis
A amizade entre Francisco e Clara é uma das mais conhecidas da Igreja. Inspirada pelo testemunho do santo, Clara deixou sua casa para consagrar-se a Deus e, mais tarde, fundou a Ordem das Clarissas. Os dois permaneceram unidos pela oração, pela pobreza e pelo serviço aos necessitados. Quando Francisco adoeceu por causa dos estigmas, Clara ajudou a cuidar dele. Antes de morrer, em 1226, o santo enviou-lhe uma mensagem de encorajamento para que permanecesse firme em sua vocação.
2. São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá
A amizade entre São João Paulo II e Santa Teresa de Calcutá foi marcada pelo amor aos pobres e pela defesa da dignidade humana. O Papa costumava chamá-la carinhosamente de “minha mãe”. A religiosa visitou o Vaticano diversas vezes e, em 1986, recebeu o pontífice no abrigo Nirmal Hriday, fundado por ela em Calcutá, na Índia. Santa Teresa descreveu aquele encontro como um dos dias mais felizes de sua vida.
3. São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac
São Vicente de Paulo e Santa Luísa de Marillac encontraram na caridade o centro de sua missão. Vicente dedicava-se à evangelização dos pobres e à formação do clero quando conheceu Luísa, uma viúva determinada a servir os necessitados. Juntos, fundaram, em 1633, a Companhia das Filhas da Caridade, congregação dedicada ao cuidado dos doentes, dos abandonados e dos mais vulneráveis.
4. Santa Teresa do Menino Jesus e Santa Elisabete da Trindade
As duas jovens carmelitas francesas partilhavam uma profunda espiritualidade e o desejo de viver em comunhão com Deus. Embora não tenham mantido uma amizade próxima, como outras duplas desta lista, Santa Elisabete encontrou nos escritos e no testemunho de Santa Teresa de Lisieux uma importante inspiração espiritual. Ambas morreram jovens e deixaram ensinamentos que continuam conduzindo muitas pessoas a uma vida de oração e confiança em Deus.
5. Santa Rosa de Lima e São Martinho de Lima
Santa Rosa de Lima e São Martinho de Lima são dois dos santos mais conhecidos do Peru. Segundo a tradição, foram batizados na mesma igreja e receberam a Crisma de Santo Toríbio de Mogrovejo. Ligados à espiritualidade dominicana, cultivaram a amizade enquanto serviam os doentes, os pobres e as pessoas escravizadas. Suas vidas foram marcadas pela humildade, pela oração e pela caridade.
6. Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier
Inácio de Loyola e Francisco Xavier conheceram-se na Universidade de Paris. No início, Francisco não demonstrava grande simpatia por Inácio, que frequentemente lhe recordava as palavras de Jesus: “Que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8,36).
Com o tempo, Francisco fez os Exercícios Espirituais e uniu-se ao grupo que deu origem à Companhia de Jesus. Enquanto Inácio se tornou o primeiro superior-geral dos jesuítas, Francisco partiu em missão para a Índia e o Japão.
7. Santa Teresa d’Ávila e São João da Cruz
Santa Teresa d’Ávila conheceu São João da Cruz durante o processo de reforma da Ordem do Carmelo. Reconhecendo nele um homem de profunda oração, convidou-o a participar da renovação da vida carmelita. A amizade entre os dois foi sustentada pela espiritualidade, pelas dificuldades enfrentadas e pelo desejo de recuperar o carisma original do Carmelo. Suas obras tornaram-se referências da espiritualidade cristã.
8. São João Bosco e São Domingos Sávio
Domingos Sávio conheceu São João Bosco ainda adolescente e foi acolhido em seu oratório. Impressionado com a alegria e a profunda vida espiritual do jovem, Dom Bosco tornou-se seu educador e diretor espiritual. Domingos morreu em 1857, aos 14 anos, deixando um grande testemunho de santidade juvenil. Dois anos depois, Dom Bosco fundou a Congregação Salesiana.
9. São Cornélio e São Cipriano
O Papa São Cornélio e o bispo São Cipriano viveram em um período de perseguições e divisões na Igreja. Cornélio defendia que os cristãos arrependidos poderiam ser perdoados e novamente acolhidos pela comunidade. Cipriano apoiou o Papa nessa questão e manteve com ele uma forte comunhão de fé. Os dois foram martirizados: Cornélio morreu em 253 e Cipriano, cinco anos depois.
10. Santas Perpétua e Felicidade
Perpétua era uma jovem mãe de família nobre, enquanto Felicidade era uma mulher escravizada. Presas por professarem a fé cristã, permaneceram juntas durante o sofrimento e o martírio. Felicidade deu à luz na prisão, pouco antes de ser morta. As duas receberam a Eucaristia e enfrentaram a morte juntas, no ano de 203. A amizade e a coragem dessas santas tornaram-se um dos mais belos testemunhos da Igreja primitiva.
Essas histórias mostram que a amizade vivida em Deus pode fortalecer a vocação, sustentar nos momentos difíceis e transformar-se em caminho de santidade. Mais do que companheiros de jornada, esses santos ajudaram uns aos outros a permanecer fiéis ao Evangelho.
Fonte: com informações de ACI Digital.