Num passado distante, os fiéis do bairro da Fazenda Velha, católicos fervorosos, precisavam se dirigir à cidade vizinha de Itapetininga (SP) (percorrendo cerca de 40 quilômetros) para a prática da fé, participando da santa Missa naquela cidade.
Era preciso que se construísse uma capela para abrigar os devotos cristãos, moradores que, em fins do século XIX, formavam uma pequena população.
Em escritura particular de 2 de abril de 1884, a senhora Thereza Augusta Nogueira Teixeira, uma das filhas do sertanista Tenente Urias, fez a doação de terra para que nela se erguesse a Capela de São Miguel Arcanjo da Fazenda Velha. “Em tempo declaro que faço esta doação com a condição de nunca ser vendida e quando seja, o produto empregue-se na mesma capela”, está no livro do tombo da paróquia.
Conta-se, pela tradição oral, que a generosa irmã da doadora, senhora Maximina Ubaldina Nogueira Terra, mandou construir, pela sua fé inabalável e pela devoção a São Miguel Arcanjo, a primeira capelinha onde foi entronizada a imagem do glorioso arcanjo e padroeiro do lugar, por ela doada. Foi esse o embrião da cidade que hoje tem por nome esse tão forte padroeiro e que abriga a basílica a ele dedicada.
O nome São Miguel Arcanjo foi oficializado pela Lei nº 58, de 12 de maio de 1887. Assim, elevou-se o bairro Fazenda Velha à condição de freguesia.
A população crescia e preenchia todos os espaços da capelinha para louvar e agradecer a Deus nas missas dominicais. Os fiéis solicitaram provisão das autoridades eclesiásticas constituídas para elevação da capela à condição plena de paróquia. No dia 11 de janeiro de 1886, por provisão do Bispado de São Paulo (SP), foi erigida, então, canonicamente, a Paróquia de São Miguel Arcanjo.
No dia 9 de novembro de 1886, tomou posse, oficialmente, com provisão do bispado da imperial cidade de São Paulo, como vigário da Paróquia de São Miguel Arcanjo o Padre Vicente Gaudinieri, italiano, que recebeu como missão e foi encarregado para os serviços da igreja, onde lhe fora dada a oportunidade de fazer o bem aos cristãos pobres e humildes e que, segundo ele, viviam longe da assistência espiritual.
Achando-se ainda sem bênção a capela, agora matriz da nova freguesia de São Miguel Arcanjo, provida de pároco na pessoa do Padre Vicente Gaudinieri, no dia 19 de novembro de 1886, Dom Lino Deodato, bispo diocesano de São Paulo, autorizou ao Padre Vicente que procedesse à bênção da nova matriz (prescrita no Rituali romanum, a 30 de dezembro do citado ano) com Missa solene.
No dia 1º de abril de 1889, sob a proteção do padroeiro São Miguel Arcanjo, a cidade foi emancipada politicamente, tornando-se o município de São Miguel Arcanjo.
Assim, o povo são-miguelense é agradecido a Deus por pertencer à única cidade do Brasil que leva o nome do guardião do Paraíso, do nosso padroeiro São Miguel Arcanjo.
O Padre Vicente Gaudinieri, primeiro pároco de São Miguel Arcanjo, esteve entre nós de 1886 a 1889. Outros por aqui passaram por poucos anos também. Deixaram saudade nos corações são-miguelenses.
No dia 13 de janeiro de 1913, deu-se a posse, em nossa igreja, ao Monsenhor Henrique Volta. Nascido em Novellara, província italiana de Reggio Emilia, permaneceu conosco por um longo período de mais de dezenove anos, até 16 de abril de 1932. Seu título de monsenhor foi-lhe concedido pelo Papa Pio X. Realizou o trabalho de pastoreio com fé de apóstolo e com zelo e carinho de pai. Estimado por todos, deixou marcas, como a reforma da capela. Adquiriu, com a ajuda dos fiéis, a nova imagem de São Miguel Arcanjo hoje colocada no alto da torre da igreja, de frente para a praça da basílica, abençoando e protegendo-nos.
No dia 1º de dezembro de 1944 foi lançada a pedra fundamental da nova igreja matriz. As obras iniciaram-se no dia 2 de janeiro de 1945.
Nomeou-se Padre Humberto Ghizzi como novo pároco. A posse deu-se no dia 1º de janeiro de 1945. Durante o seu paroquiato foi dado início ao trabalho da construção da nova igreja matriz.
No dia 6 de fevereiro de 1947 foi nomeado novo pároco, Padre Francisco Ribeiro. Dedicou-se extremamente à parte espiritual dos paroquianos, ao social e, da mesma forma, com ímpeto, à continuidade da construção da nova igreja matriz. Generoso, simples e humilde, mas firme no propósito de concluir a matriz, cativou a todos, que se empenharam na construção: quermesses, leilões, festas, doações, serviços, rifas, campanhas… e a igreja ia se levantando! Com o passar dos anos, surgia, imponente e bela, a matriz, considerada o cartão-postal da cidade, com sua alta torre visualizada de longe.
As obras de engenharia foram concluídas em 18 de novembro de 1952. O senhor bispo diocesano, Dom José Carlos Aguirre, agradeceu ao doutor Renato Scoponi, engenheiro que projetou a construção sem cobrar honorários, fazendo de forma generosa um trabalho de maestria para encher nossos olhos com a beleza majestosa da matriz. Logo foram adquiridos os sinos, os relógios, os capitéis e painéis, as colunas, altar-mor, escadaria, piso, arcos, mesa da comunhão, sacristia…
No mês de fevereiro de 1962 foram totalmente concluídas as obras da matriz, iniciadas em janeiro de 1945, levando dezessete anos de construção.
Sua arquitetura é neogótica e causa admiração em todos os visitantes. Essa bela arquitetura é referencia em toda a região e como disse Dom Jose Carlos de Aguirre, bispo diocesano de então, na Festa de Cristo Rei em 30 de outubro de 1960, “A matriz de São Miguel Arcanjo é um dos mais suntuosos templos de nossa diocese”.
Na área externa temos a torre como destaque principal com 31 metros, tendo a cobertura em forma de pirâmide, as colunas com seus detalhes, a rosácea no centro da torre principal, as janelas com seus vitrais e a imponente nave principal. Na área interna, a nave é composta por suas colunas tipo coríntias e os arcos formando grandes abóbodas, que são interligadas. Esses detalhes caracterizam bem as construções neogóticas realizadas no Brasil, no século passado.