Estimado(a) leitor(a) da Revista Ave Maria, o mês de julho é marcado pelos novos desafios na evangelização. É preciso compreender nossas casas como espaços de missão, sobretudo porque temos pessoas que são batizadas, entretanto, não são evangelizadas.
Gostaria de compartilhar com vocês este texto do Evangelho de Mateus em que se fala da missão que Jesus tem para os apóstolos e para cada um de nós. Em 28,18, Jesus diz “Foi-me dada toda a autoridade no Céu e na Terra”; é um atributo exclusivo de Deus e também de nosso Senhor Jesus Cristo. Na passagem de Daniel vemos como se faz referência a essa onipotência “O reinado, o domínio e a grandeza de todos os reinos sob o céu serão entregues ao povo dos santos do Altíssimo, seu Reino será um reino eterno ao qual todos os soberanos temerão e se submeterão” (7,27), portanto, esse poder é exclusivo de Nosso Senhor, Jesus Cristo, de nosso Pai, Deus. Logo nos versículos seguintes de Mateus temos “Fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar tudo o quanto vos tenho mandado” (28,19-20).
A primeira missão dos apóstolos, poderíamos dizer, era destinada à casa de Israel: “Não vades à terra de pagãos nem entreis nas cidades de Samaria, mas ide às ovelhas perdidas de Israel” (Mt 10, 5-6); agora é diferente, agora os onze são enviados a todo o mundo, a todos os povos e, portanto, a missão supõe, em primeiro lugar, o Batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e, em segundo lugar, o ensino dos preceitos do Senhor. Poderíamos dizer que a salvação é alcançada pela pertença à Igreja e essa pertença se manifesta no cumprimento dos mandamentos, mas não só isso, essa missão não é uma missão que temos que realizar sozinhos, vemos no versículo em Mateus 28,20 como o Senhor diz: “E sabei que eu estou convosco todos os dias até o fim do mundo”.
Ou seja, esse texto de São Mateus, de certa maneira, deveríamos saber de cor para que esse mandamento de Jesus chegue a ser nosso estilo de vida; evangelizadores, ou seja, nós, devemos escutar, meditar, aprofundar a palavra de Deus, cultivá-la na oração e fazê-la frutificar e, portanto, esse tema pretende aprofundar no mandato missionário; um mandato missionário que nos convida, em primeiro lugar, a obedecer com rapidez e generosidade. Todos somos chamados a trabalhar na vinha do Senhor e por essa razão Ele espera de nós uma resposta pessoal, segundo nosso estado de vida. Somos leigos e assim o somos leigo para ser corresponsáveis, leigos para dar testemunho desse grande amor que Deus tem por nós. Não se trata de buscar um método para evangelizar, recordemos as palavras de São João Paulo II quando dizia que a evangelização deve ser nova em seu ardor, nova em seus métodos, nova em sua expressão; de fato, a missão renova a Igreja, reforça a fé e a identidade cristã e dá um novo entusiasmo e novas motivações, portanto, também nos é pedido sermos dinâmicos, ou dizer que além de uma evangelização indireta por meio do testemunho da própria vida faz-se necessário um anúncio explícito de Jesus, do querigma.
É importante sempre lembrar que não estamos sozinhos, Deus está conosco, portanto, é uma tarefa maravilhosa, apaixonante e é a vocação de cada um de nós, a vocação da Igreja: “A Igreja existe para evangelizar” (Exortação apostólica Evangelii Nuntiandi). São João Paulo II reforça essa vocação na Exortação apostólica Christifideles Laici, que diz “Os fiéis cristãos, precisamente por serem membros da Igreja, têm a vocação e a missão de serem anunciadores do Evangelho, são habilitados e comprometidos nessa tarefa pelos sacramentos da iniciação cristã e pelos dons do Espírito Santo” (16).
Dito isso, o que me pergunto é por que muitos de nossos irmãos saem da sua casa para buscar Jesus Cristo? Isso acontece porque não temos um encontro pessoal vivo e comunitário com Ele. Não se trata de uma salvação individualista; para alcançá-la é preciso levar em conta que Deus quis formar um povo, a Igreja, e Ele, por meio da Igreja doméstica, convida-nos a criar estruturas renovadas pelo Evangelho e pelo Espírito que tudo renova e vivifica, portanto, o mandato de ir e fazer discípulos batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo é uma tarefa comunitária para a qual cada um de nós é convidado.