O décimo mandamento da Lei de Deus é “Não cobiçar as coisas alheias”. Algum jovem pode se perguntar: mas o que é a cobiça? O Dicionário Aurélio diz que “Cobiça é a ambição desmedida de possuir bens materiais. É o desejo excessivo, incontrolável ou veemente por riquezas, dinheiro, poder, honras ou posses alheias”. Ao contemplar as expressões “ambição desmedida” e “desejo excessivo” percebe-se, de cara, que a cobiça não é algo normal, foge literalmente da vontade de Deus para o ser humano.
Ao olhar para o contexto bíblico, percebe-se que o décimo mandamento se fundamenta nos livros do Êxodo e do Deuteronômio, que são livros da lei. Em Êxodo 20,17 está escrito: “Não cobiçarás a casa do teu próximo, não desejarás a sua mulher, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”. Olhando para esse versículo, percebe-se que a cobiça é um pecado, por isso o mandamento é iniciado com um forte e incisivo “não” a cobiçar o que é alheio, isto é, que pertence ao outro. Por exemplo: um jovem tem a sua namorada, mas fica desejando a namorada de outro; mais um exemplo seria alguém que tem inveja de uma casa que seu conhecido possui e quer, a qualquer custo, e sem medir os meios, chegar a ter uma casa melhor só para dizer que pode ter uma condição de vida semelhante ou melhor. Com isso, percebe-se que a cobiça está par a par com outros pecados, como o da inveja, da ambição, enfim, coisas que partem do coração do homem.
O Catecismo da Igreja Católica, no número 2534, orienta que esse mandamento caminha em sintonia com outros mandamentos. “O décimo mandamento desdobra e completa o nono, que tem por objeto a concupiscência da carne. Proíbe cobiçar o bem de outrem, raiz de onde procedem o roubo, a rapina e a fraude, proibidos pelo sétimo mandamento. A ‘concupiscência dos olhos’ (1Jo 2,16) conduz à dolência e à injustiça, proibidas pelo quinto mandamento. A cobiça, bem como a fornicação, tem a sua origem na idolatria, proibida nos três primeiros mandamentos da lei. O décimo mandamento incide sobre a intenção do coração e resume, com o nono, todos os preceitos da lei”. É como um apanhado sobre os mandamentos todos e uma chamada a que se viva tranquilo e em harmonia com a vontade de Deus, afinal de contas, os mandamentos devem ser seguidos para estar de acordo com o que Deus pensou para o ser humano.
Para não gerar dúvidas, convém dizer que cobiçar é completamente diferente de aspirar. A cobiça está relacionada a um desejo desordenado, sem limites e muitas vezes egoísta, de ter o que o outro possui; como diz o Dicionário Aurélio é um desejo excessivo. Já aspirar diz respeito a um desejo legítimo, não de ter o que o outro possui, mas sim de cumprir uma meta, de chegar a um objetivo, sem que tenha o outro como o foco desse desejo. A cobiça é um pecado por ser uma ambição negativa; aspirar é um desejo saudável por ter uma motivação positiva. Exemplo: um jovem pensa em, no futuro, ganhar bem, ter seus próprios bens e condições de vida digna, equilibrado financeiramente. É pecado aspirar a isso? Não, desde que consiga com o esforço próprio e por meios lícitos. Essa é uma meta pessoal, saudável, equilibrada e a pessoa não a alimenta em vista de outra, como sendo um concorrente ou alguém que precise superar tão somente por vaidade ou inveja.
É pensando na salvação do fiel que a Igreja orienta, no número 2536 do Catecismo da Igreja Católica: “Quando a lei nos diz ‘Não cobiçarás’ diz-nos, por outras palavras, que afastemos os nossos desejos de tudo o que não nos pertence. Porque a sede da cobiça dos bens alheios é imensa, infindável e insaciável, conforme está escrito: ‘O avarento nunca se fartará de dinheiro’ (Ecl 5, 9)”. Se você se afasta de tudo o que não lhe pertence não dá espaço para a cobiça, mas se se aproxima e alimenta o seu coração com a cobiça, ela não só vai criando raízes, vai dominando você e, o pior, nunca estará plenamente saciado, o que vai gerando em si um desejo infindável e uma insatisfação constante, o que certamente o deixará frustrado durante toda a vida.
Pare um pouco e pense: não se deve cobiçar as coisas alheias, pois elas não estão em conformidade com a vontade de Deus, ferem o coração – pois nunca deixarão a pessoa satisfeita – e ferem mais ainda o coração de Deus, afastando-o da comunhão com Ele e de um dia alcançar a salvação.