“A compaixão é uma questão de humanidade”

Dando continuidade ao ciclo de catequeses sobre as parábolas do Evangelho, o Papa Leão XVI medita sobre a parábola do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37). O Pontífice destacou o poder dessas imagens evangélicas para abrir caminhos de esperança e transformação interior, ajudando-nos a superar uma visão rígida e fechada da realidade.

“A falta de esperança, por vezes, deve-se ao fato de estarmos fixados numa certa forma rígida e fechada de ver as coisas, e as parábolas nos ajudam a vê-las de outro ponto de vista”, afirmou o Papa logo no início da catequese.

A lógica do Evangelho: fazer-se próximo

Leão XVI explicou que a parábola do Bom Samaritano não deve ser lida apenas como uma lição moral, mas como um convite a uma mudança radical de perspectiva. Enquanto o doutor da Lei busca delimitar quem merece ser amado, Jesus inverte a lógica: não se trata de identificar quem é o próximo, mas de fazer-se próximo de quem está necessitado.

O Papa ressaltou que o caminho de Jerusalém a Jericó, onde um homem é atacado e deixado quase morto, é uma imagem da própria existência humana, cheia de perigos, quedas e encontros. E é nesses encontros que nos revelamos.

“A vida é feita de encontros, e nesses encontros nos revelamos quem somos. Encontramo-nos perante o outro, perante a sua fragilidade e a sua fraqueza e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada acontece.”

“Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos”

Segundo o Papa, a compaixão verdadeira não nasce automaticamente da religiosidade. O sacerdote e o levita, apesar de sua função no templo, passam adiante sem agir. Já o samaritano — considerado impuro e estrangeiro — é quem demonstra o amor concreto.

“Antes de sermos crentes, somos chamados a ser humanos”, disse Leão XVI. “A compaixão é uma questão de humanidade.”

Ele alertou que a pressa — tão presente na vida moderna — é um dos maiores obstáculos à misericórdia. O samaritano se destaca por estar disposto a parar, aproximar-se, tocar as feridas e assumir a dor do outro.

“O evangelista Lucas detém-se nas ações do samaritano, a quem chamamos ‘bom’, mas que no texto é simplesmente uma pessoa. Ele se aproxima, porque para ajudar, é preciso se envolver, sujar-se, talvez até contaminar-se.”

O cuidado como espelho da ação de Cristo

No gesto do samaritano, o Papa vê um reflexo direto do agir de Jesus:

“O outro não é um pacote para ser entregue, mas alguém para cuidar”, afirmou. “Como Jesus faz conosco, assim devemos fazer com nossos irmãos necessitados.”

“Quando é que nós também seremos capazes de parar?”

Na exortação final, Leão XVI lançou uma pergunta tocante aos fiéis:

“Queridos irmãos e irmãs, quando é que nós também seremos capazes de parar a nossa viagem e ter compaixão? Quando compreendermos que aquele homem ferido na estrada representa cada um de nós. E então, a recordação de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós, vai nos tornar mais capazes de sentir compaixão.”

E concluiu com um convite à oração: “Rezemos, então, para que possamos crescer em humanidade, para que as nossas relações sejam mais verdadeiras e ricas em compaixão.”

Com essa meditação, o Papa convida toda a Igreja a redescobrir o caminho da ternura evangélica: olhar o mundo não apenas com olhos de fé, mas com um coração disposto a agir com misericórdia concreta — como o verdadeiro próximo que o Evangelho nos chama a ser.

 

INTENÇÕES DO PAPA PARA O MÊS DE JULHO
PELA FORMAÇÃO PARA O DISCERNIMENTO

Rezemos para que aprendamos cada vez mais a discernir, a saber escolher caminhos de vida e a rejeitar tudo o que nos distancie de Cristo e do Evangelho.

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