Estimado(a) leitor(a) da Revista Ave Maria, o mês de abril é anunciado como tempo de ressurreição, isto é, sinal de esperança nos corações de muitas pessoas, sobretudo nas famílias.
O anúncio da ressurreição de Jesus Cristo tem que ser sinal de esperança. A esperança cristã se fundamenta na memória de Cristo. A ressurreição de Cristo nos diz que Ele não se encontra mais entre os mortos e que, portanto, a ordem deste mundo mortal foi rompida. Aqueles que esperavam que Ele libertaria Israel do domínio romano, que restauraria a realeza, pareciam ver seus ideais terminados com aquela morte que, segundo a teologia reinante (cf. Dt 21,22-23), era morte de maldição. Os discípulos de Emaús confessam: “Nós esperávamos que fosse Ele quem iria redimir Israel” (Lc 24,21).
É a partir da ressurreição de Cristo que o anúncio Cristão se tornou kerygma de ressurreição e de vida. Os Atos dos Apóstolos dirão que em seu nome era pregada a remissão dos pecados. Paulo desenvolve o discurso sobre a ressurreição dos mortos a partir da ressurreição de Cristo (cf. 1Cor 15). No Cristo ressuscitado o eschaton é já presente em toda a sua ação de nova qualidade de vida divina. A ressurreição marca o início da recriação definitiva operada por Deus, que ainda uma vez se define como o Deus que dá a vida. Com a ressurreição tiveram início os eventos salvíficos últimos e definitivos.
A ressurreição, enfim, é uma realidade e não uma utopia ou discurso científico e ideológico. Ela constitui o início e a antecipação da geral ressurreição dos justos. Jesus é o primeiro ressuscitado, inaugura um mundo novo e um novo gênero humano, que historicamente se visibiliza na Igreja, sacramento da sua presença salvífica. A ressurreição de Jesus não só representa todas as outras ressurreições, mas as precede e as torna possíveis. Abre o futuro como futuro de vida e não só como simples tempo a vir.
O Cristo ressuscitado é assim a semente da “nova humanidade”, que imersa na velha humanidade a liberta da escravidão do pecado, da lei e da morte. Jesus ressuscitado é o homem novo e abre para a humanidade um futuro de novidade absoluta. A realidade dessa plenitude e novidade já irrompeu na nossa história, polarizando a marcha para o “estado do ser humano perfeito”, segundo Jesus Cristo.
Jesus, durante toda a sua vida, por meio da sua pregação, chamamento dos doze, ensinamento da oração aos apóstolos, instituição da Eucaristia, morte e ressurreição e efusão do Espírito Santo, funda a sua comunidade escatológica, a Igreja. Esse novo povo de Deus, a Igreja, é sacramento de salvação. Jesus, pelos seus sinais e gestos messiânicos como ações miraculosas de curas, atos de reconciliação, perdão dos pecados, manifestou a salvação escatológica. A Igreja é o sinal na história da presença de Jesus Cristo. Ela é a comunidade que tem a missão de proclamar a salvação de Deus para este mundo hodierno. Nessa sua missão como membro de uma família, a Igreja necessita estar atenta à realidade histórica, cultural e social. Não podemos mais permanecer como pescadores de peixes quando testemunhamos a ressurreição de Jesus, sendo assim, é importante viver a ressurreição dentro de sua casa com os seus familiares. Ela é tempo de esperança dos corações restaurados.