Todo mandamento da lei de Deus tende a uma moral, isto é, a uma boa conduta, de tal modo que aqueles que o cumprirem viverão bem consigo mesmos, com os outros e um dia alcançarão a salvação. Pensando assim, saiba por que o oitavo mandamento, “Não levantar falso testemunho”, é tão urgente para ser praticado todos os dias.
O ser humano é, por natureza, um indivíduo que anseia pela verdade e esta garante que ele não caminha sem direção, mas tem como meta um porto seguro e o caminho para chegar até esse porto é tão verdadeiro quanto. No entanto, quem é a verdade? Quem é o caminho? Disse Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai a Pai senão por mim!” (Jo 14,6). O destino final do cristão é o Céu, o porto seguro – plena comunhão com o Pai Eterno –, mas para chegar lá é necessário acolher e colocar em prática as palavras de Jesus, que é a verdade por excelência. Diante de Pilatos, que achava que a verdade era algo relativo, possível de negociação, Jesus exclamou: “É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz” (Jo 18,37).
Ora, ouvir a voz de Jesus é um passo certo que o cristão deve dar a fim de que caminhe sempre na verdade. Faltar com a verdade fere o coração de Deus, rompe a aliança com Ele, bem como com o outro que lhe confiou algo. A verdade é semelhante a um juramento para com Deus e com o próximo. Diz a Sagrada Escritura: “Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo” (Ex 20,16) e “Foi dito aos antigos: ‘Não faltarás ao que tiveres jurado; hás de cumprir os teus juramentos para com o Senhor’” (Mt 5,33). Já o Catecismo da Igreja Católica, no número 2464, relata: “O oitavo mandamento proíbe falsificar a verdade nas relações com outrem. Esta prescrição moral decorre da vocação do povo santo para ser testemunha do seu Deus, que é e que quer a verdade. As ofensas à verdade exprimem, por palavras ou por atos, a recusa em empenhar-se na retidão moral: são infidelidades graves para com Deus e, nesse sentido, minam os alicerces da aliança”.
Aquele que levanta um falso testemunho já rompeu com a aliança, quer com Deus, quer com o próximo. Sua palavra passa a ser vã, sem sentido algum, o que implica uma grande ameaça às relações interpessoais: “Os homens não seriam capazes de viver juntos se não tivessem confiança uns nos outros, isto é, se não se dissessem a verdade. A virtude da veracidade dá justamente a outrem o que lhe é devido. A veracidade observa um justo meio-termo entre o que deve ser dito e o segredo que deve ser guardado: implica honestidade e discrição. Por justiça, um homem deve honestamente ao outro a manifestação da verdade” (Catecismo da Igreja Católica, 2469).
O cristão, sobretudo o jovem, que está sendo formado em sua consciência e que enfrenta uma sociedade fortemente relativista, deve ter o cuidado de pensar sempre se suas palavras e atos estão condizentes com a verdade moralmente cristã. Não deve se envergonhar de dar testemunho dela, deve ser uma luz em meio às trevas, nadar contra as correntezas ferozes que tentam macular a busca pela verdade. É por isso que o Catecismo da Igreja Católica orienta: “O dever dos cristãos, de tomar parte na vida da Igreja, leva-os a agir como testemunhas do Evangelho e das obrigações que dele dimanam. Este testemunho é transmissão da fé por palavras e obras. O testemunho é um ato de justiça que estabelece ou que dá a conhecer a verdade: todos os fiéis cristãos, onde quer que vivam, têm obrigação de manifestar, pelo exemplo da vida e pelo testemunho da palavra, o homem novo de que se revestiram pelo Batismo e a virtude do Espírito Santo, com que foram robustecidos na Confirmação” (2472). Com os sacramentos do Batismo e da Crisma a pessoa tem em si a presença vivificadora do Espírito Santo que lhe chama a ser testemunha. É preciso não ter medo de dar testemunho da verdade!
A busca e o testemunho da verdade não devem ser só por um período da vida e sim constantes diárias, o que levará a pessoa a não levantar falso testemunho, o que fortalecerá a comunhão para com Deus e com o outro, sendo credível em suas palavras e ações, o que resultará na paz consigo e com todos e um dia ter a garantia do Céu, portanto, avante na busca pela verdade: “Conhecereis a verdade e ela vos libertará!” (Jo 8,32).