Amor ao próximo também é cuidar da casa comum

No início da Bíblia, quando Deus realiza a sua obra de criação, a cada dia Ele observa o criado e constata que “era bom”. No sexto dia, quando termina a sua obra, vê que tudo era muito bom (Gn 1). No texto hebraico, o significado de “bom” vai além do que hoje entendemos, significa que o que foi criado possui todas as características para realizar tudo o que foi pensado pelo Criador. Com isso podemos ver a perfeição em tudo o que foi criado.

O homem e a mulher são criados no último dia e a eles cabe a tarefa de gerar descendência, encher e submeter a Terra (Gn 1). A submissão que nos indica o texto bíblico não pode ser compreendida como uma exploração desenfreada, mas como cuidado respeitoso com à casa comum. O Criador não quer ver o fim da criação, quer sim que o ser humano preze por tudo o que lhe foi confiado.

Desde a criação somos chamados ao cuidado do meio ambiente, porém, em alguma parte na nossa existência esse dever foi aos poucos se perdendo e dando lugar à exploração desenfreada. Demo-nos o direito de explorar a casa comum de maneira predatória em nome de possuir mais riquezas. Atenção: não é esse o cuidado que o Criador nos pede!

Somos conscientes de que no ritmo em que estamos desmatando, explorando, minerando, contaminando a nossa existência está com os dias contados. Como podemos pensar então que o cuidado com a casa comum não é um dever de todo cristão? 

Cristo no pede para amar ao próximo como a nós mesmos. Como o próximo pode viver em um ambiente devastado? Como estamos cuidando do meio ambiente para as próximos gerações? Amar ao próximo é cuidar também do criado, pois todos nós necessitamos do que a natureza nos oferece para viver. Se somos verdadeiramente cristãos, devemos zelar pela casa comum.

Alguns poderiam afirmar que o papel do cristão é a oração e não o cuidado com o meio ambiente, porém, a nossa fé se revela através dos nossos gestos concretos, ou seja, colocar em prática o que o Evangelho nos ensina. Como afirma São Tiago, “Mas dirá alguém: ‘Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me a tua fé sem as tuas obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras’” (2,18).

Talvez não consigamos salvar o mundo, mas o pouco que podemos fazer nos nossos lares ajuda a mudar esse mundo. Pequenas coisas e escolhas que revelem o nosso cuidado com a casa comum: coleta seletiva, evitar desperdícios, usar menos plásticos, defender o meio ambiente, plantar árvores etc. Só não podemos ficar de braços cruzados esperando o fim do mundo. 

A decisão é sua, o que vai fazer daqui para frente?

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