André, o relações públicas

O apóstolo André era natural de Betsaida, localizada às margens de Genesaré, filho de Jonas, pescador local, irmão de Pedro e foi discípulo de João Batista. Seu nome não é nem hebraico e tampouco aramaico, mas grego, o que nos leva a crer que sua família tinha abertura para acolher as diferenças culturais daquela época. Foi quem correu para contar ao irmão que havia encontrado o Messias o qual o Batista apontara como o “Cordeiro de Deus”. André foi quem atraiu Pedro a Jesus; podemos dizer que foi seu promotor vocacional. Era um homem de iniciativa e vivia atendo aos desígnios do Mestre.

Na cena da multiplicação dos pães foi quem saiu perguntando se alguém havia trazido algo para comer e assim testemunhou o milagre da vida em comunidade e fraternidade. Aprendia facilmente as lições como discípulo e sempre estava em busca de respostas transcendentes. Não se contentava com reflexões rasas, mas tinha o desejo de fazer uma experiência autêntica de fé e mudança de vida.

André é considerado o protóclito (o primeiro chamado) para fazer parte da comunidade apostólica e ser o braço direito de Jesus, pois tinha a capacidade de fazer amigos e de aproximar as pessoas. Certamente, viveu fortes momentos de intimidade na ação missionária com o Senhor, entretanto, esse querido apóstolo também abandonou o Mestre na hora cruz e se escondeu.

Foi um grande semeador da Boa-Nova em terras gregas após a ressurreição de Cristo e nunca desistiu de seu ideal, consumando sua vida martirialmente na cruz por volta do ano 60 de nossa era. Pediu para ser morto numa cruz em forma de “X”, como se quisesse evocar a letra inicial do nome de Cristo em grego. Segundo relato do século VI, intitulado a Paixão de André, o apóstolo teria proferido estas palavras antes da morte: “Salve, ó cruz, inaugurada pelo corpo de Cristo e adornada com seus membros como se fossem pérolas preciosas. Antes que o Senhor subisse em ti, inspiravas um medo terreno. Agora, dotada de um amor celeste, és aceita como um presente. Toma-me, leva-me para longe dos homens e entrega-me ao meu Mestre!”.

Além de ser presença apostólica, André nos ensina que seguir Cristo com amor é abraçar a cruz dos sacrifícios diários e integrá-los na história, pois “é somente por essa cruz que também os nossos sofrimentos são dignificados e alcançam o seu verdadeiro significado” (Papa Bento XVI).

André é o apóstolo da prontidão, do entusiasmo e da dedicação ao Senhor. Uma vocação genuína e servidora, compassiva e ousada que agrega, liberta e salva. Oxalá em nossas comunidades eclesiais pudéssemos beber desse testemunho fiel e ser a imagem de Cristo que resplandece na justiça!

Uma vida dedicada a Cristo nunca se perde, ela é transformada como o trigo em pão de eternidade. Que a missão de Santo André inspire nossa Igreja e as comunidades para seguir Jesus sem olhar para trás e reconhecer a alegria de pertencer ao povo santo de Deus com firme testemunho de amor.

Facebook
WhatsApp
Email
Imprimir
LinkedIn