Ano Novo: ansiedade ou esperança?

O renomado filósofo sul-coreano radicado na Alemanha Byung Chul-Han, um dos autores mais lidos do mundo nos últimos anos, tem fomentado a tese de que o pós-pandemia geraria uma epidemia de doenças emocionais e não mais virais. De maneira análoga, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Pan- Americana da Saúde (OPAS) vão na mesma linha. Por sua vez, em uma de suas teses, assim denominada de “excesso de positividade”, o filósofo citado acima salienta um “cansaço” que extrapola os limites físicos do ser humano, causando nele uma crise de sua própria existência.

Retomo essa linha de reflexão porque, embora estejamos num ano civil novo que janeiro nos traz, o novo ano litúrgico começou em novembro nos trazendo a esperança como meta de vida no Advento: viver da esperança. O Natal, que não é só um dia, faz-nos mergulhar nessa mesa virtude, a esperança, que nos acalma, faz descansar em Deus, confiar mais nos projetos dele do que nos nossos.

Confiar em nós mesmos de maneira autossuficiente, imaginar que Deus precisa se submeter a nossos projetos pessoais, barganhar com Ele a ponto de lhe fazer promessas para “dobrar” a vontade dele à nossa, bem como tentar de maneira insidiosa corresponder às expectativas dos outros sobre nós só nos gera uma coisa: ansiedade, fruto de “excesso de positividade” em que o mundo de hoje nos imerge.

O excesso de positividade não admite fracassos e nem fracassados, por isso, no Instagram e nas demais redes sociais não se admite a realidade como tal, só filtros, não há rugas, não há decepções, somente sorrisos que duram um flash.

Eu e você já usamos a expressão “isso cansa” algumas vezes. De fato fomos honestos e resignados quando afirmamos isso, talvez nem sabíamos ao certo a que ou a quem estávamos nos referindo, mas de uma coisa temos certeza: “isso cansa”!

Sendo assim, o Advento e o Natal nos oferecem um remédio contra a ansiedade, mas não um paliativo, uma cura fundamental que atinge a raiz dos nossos excessos: a esperança que não decepciona (cf. Rm 5,5), Jesus Cristo, o sol nascente que nos veio visitar.

Ansiedade não combina com gente que vive de esperança, que, ademais, não é um sentimento, mas uma pessoa. Esperança definitivamente não é sentimento nem sentimentalismo, é uma pessoa, Jesus Cristo: médico, remédio e cura ao mesmo tempo!

Facebook
WhatsApp
Email
Imprimir
LinkedIn