Cantar com gratidão

Amor. Palavra única na vida do cristão. Dela nasce a vida. Palavra que realiza o mistério da encarnação. A cruz por amor. Ressuscitou por amor. O Espírito consolador e a Eucaristia: puro amor. Santa Teresa de Jesus diz: “Todas as vezes que pensamos em Jesus Cristo, lembremo-nos do amor com que nos cumulou de benefícios. O amor chama o amor”. 

O canto cristão é expressão viva e concreta de amor. É o corpo que se coloca disposto à voz interior, a qual se manifesta em sons ordenados, equilibrados, transmitindo a alegria do encontro entre o amor de Deus e o amor ao próximo. É estética que ilumina. Cristianismo é amor em transmissão. É movimento transcendente. Não há amor sem o próximo. São João nos ensina: “Filhinhos, não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!”. É afinação absoluta ao amor de Jesus: amou a todos com sua vida! Quem não ama a liturgia com ações não canta de verdade o amor do coração de Jesus.

Quem canta entrega o corpo e todo seu ser ao canto. O Papa Bento XVI escreveu em seu precioso livro O espírito da música que “o louvor a Deus exige o canto”. O canto cristão é afinação da liberdade no diapasão do amor de Deus e a melodia de Deus reverbera em notas de amor ao próximo. Para cantar bem a liturgia é preciso despojar-se de si para dar lugar à caridade. Música requer grande conhecimento, muito estudo e muito treino. É um erro grave chamar os próprios impulsos psíquicos de “inspiração divina”. A inspiração artística só ocorre em quem trabalha, exercita-se e sabe recomeçar todos os dias. Humildade. 

Não adianta dizer que ama sem apresentar frutos de amor. Amar a Deus e ao próximo é também fazer música bem-feita, coerente, durante as celebrações litúrgicas. Quem deseja fazer a vontade de Deus busca conhecimentos verdadeiros que podem levar a conhecer a vontade de Deus. “Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós não podereis dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e eu nele, esse produz muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15,4-5), diz Jesus segundo o Evangelho de São João. Ele não amou com palavras somente. Amou pela cruz. Pelo corpo. Por todos. A cruz é canto de salvação.

Santo Tomás de Aquino em suas composições realiza escola viva e fundamental ao louvor sublime diante da expressão máxima do amor, que é a Eucaristia, Corpus Christi: “Tantum ergo Sacramentum; Pange, lingua; lauda Sion; adoro Te devote; Verbum supernum” entre tantos outros. 

Estude! A humildade é a pauta na qual a melodia de Jesus está escrita. É questão de entendimento. Quem canta, entende; quem entende, canta. Quem entende o amor, entende a eternidade. Nunca haverá nada de mais maravilhoso do que cantar as maravilhas do coração de Jesus nos nossos corações!

Como é bom agradecer ao Senhor e cantar salmos de louvor ao Deus Altíssimo! (Sl 91).

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