O nono mandamento da Lei de Deus trata sobre “não desejar a mulher do próximo”. Para que isso não aconteça, é necessário que os solteiros e os casados dominem os seus impulsos e, dessa forma, caminhem em conformidade com as orientações divinas e, consequentemente, tenham uma vida ordenada.
Viver a ordem na vida é viver de acordo com as regras. Os mandamentos são leis que devem ser cumpridas não letra por letra, conforme condena a Sagrada Escritura, mas, sim, a letra pelo espírito, isto é, o cumprimento da lei com o coração, a fim de que se enxergue nelas a vida em plenitude, dado que quem segue as regras tem sempre a vida preservada; quem não as segue tem a vida ameaçada.
Esse mandamento faz a pessoa refletir sobre a concupiscência da carne, ou seja, sobre a proibição dos desejos para com a mulher alheia.
Diz o Catecismo da Igreja Católica, no número 2516, que o homem vive uma constante luta entre a carne e o espírito: “No homem, porque é um ser integrado de espírito e corpo, já existe uma certa tensão. Trava-se nele uma certa luta de tendências entre o ‘espírito’ e a ‘carne’. Mas esta luta, de fato, faz parte da herança do pecado, é uma consequência dele e, ao mesmo tempo, uma sua confirmação. Faz parte da experiência quotidiana do combate espiritual”, assegura o Catecismo. Daí ser preciso, todos os dias, o homem refletir sobre o que o move, se são os desejos da carne ou os do espírito. Essa é uma luta constante, de todos os dias, e que não deve ser desconsiderada.
Quando a pessoa reza, de antemão, já está almejando viver segundo o espírito e não segundo a carne. No entanto, é preciso que, pela oração, o homem — e, quando se diz homem, entenda-se também a mulher — administre os seus desejos, incluindo os desejos da carne, de modo que venha a ter o controle de seus impulsos. Para isso, é mais que necessária a vivência da virtude da temperança. “A temperança é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados. Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante orienta para o bem os apetites sensíveis, guarda uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração”, afirma o Catecismo da Igreja Católica, n. 1809.
Certamente, algum jovem deve se perguntar: como viver a temperança? É viver com juízo, refletindo sobre suas inclinações, seus limites humanos e buscando, por meio da oração, esse equilíbrio, essa têmpera. Veja o que disse o Papa Francisco na Audiência Geral de 17 de abril de 2024: “Em relação aos prazeres, a pessoa temperante age com juízo. O livre curso dos impulsos e a total licença concedida aos prazeres acabam por se virar contra nós próprios, levando-nos a precipitar num estado de tédio. Quantas pessoas que quiseram experimentar tudo vorazmente acabaram por perder o gosto por tudo! Então, é melhor procurar a medida certa: por exemplo, para apreciar um bom vinho, é melhor saboreá-lo em pequenos goles do que engoli-lo de uma só vez. Todos nós sabemos isto”. É, de fato, agir com juízo, e não pelo impulso. É preciso parar e refletir antes de ser dominado pela emoção do impulso. Por exemplo: você sentiu atração por uma mulher casada? Pare e pense: é casada! Se você tiver algum relacionamento com ela, além de ferir esse mandamento, estará cometendo adultério e, além do mais, trazendo consequências muito sérias para a sua vida, para a dela e para a do esposo dela. Você almeja entrar numa confusão dessas? Certamente não! Então, pare, pense e fuja da ocasião de pecado!
É válido lembrar que esse mandamento deve ser posto em prática tanto por pessoas solteiras quanto por pessoas casadas. Quando se diz “não desejar a mulher do próximo”, entende-se que um homem casado não pode desejar outra mulher e que o homem solteiro não pode desejar uma mulher já comprometida. O solteiro, por sua vez, incluindo o jovem, deve pensar em seguir o curso normal da vida afetiva: escolher uma mulher solteira para namorar, depois noivar e, por último, casar. Já o homem casado deve levar em consideração a promessa que fez à sua esposa no dia de seu Matrimônio: “Te prometo ser fiel, amar-te e respeitar-te na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, todos os dias da nossa vida”.
O homem e a mulher que desejam viver segundo os planos de Deus, isto é, segundo os mandamentos, rezam e, pela virtude da temperança, administram os seus desejos carnais, de tal modo que não desejem uma pessoa já comprometida. Sendo assim, estarão em paz consigo mesmos e com os outros e terão uma vida plena, sem peso na consciência e sem estarem inseridos em confusões. Por isso, pare e pense: “Não desejar a mulher do próximo!”. Eis a questão!