Fé que acompanha: esperança, cura e comunhão em tempos de dor

  1. Nos corredores silenciosos do Hospital Municipal de Unaí (MG), onde a rotina de médicos e enfermeiros se mistura ao som de aparelhos e orações sussurradas, a fé também encontra espaço. 

    Foi ali que Maria Antônia Pereira Nunes, 58 anos, viveu uma experiência que marcou profundamente seus 47 dias de internação. Em meio à fragilidade causada por uma infecção grave, ela recebeu a visita dos padres carmelitas, que levaram palavras de conforto, oração e a presença espiritual da Igreja em um dos momentos mais delicados de sua vida.

    “Não era só o remédio que me sustentava”, relembra Maria Antônia, “era saber que Deus estava comigo ali”.

    Maria Antônia recebeu os sacramentos da Unção dos Enfermos e da Eucaristia durante o período em que esteve no hospital. Quando tinha forças, rezava o Terço em voz alta junto às companheiras de quarto e, além disso, acompanhava a celebração da Missa pela televisão.

    “Não sei se eu teria conseguido sem a fé. Períodos assim nos deixam muito abatidos, seja no corpo, seja no espírito”, acrescentou.

    A mesma certeza acompanha o trabalho silencioso de José Antônio Novaes, 72 anos, ministro da Sagrada Comunhão que mora na capital carioca. Há anos, ele percorre casas, hospitais e instituições de longa permanência levando a Eucaristia aos doentes e idosos impossibilitados de participar das celebrações. Para muitos, sua visita representa mais do que um rito religioso, é um reencontro com a dignidade, a fé e o sentido da vida em meio à doença.

    O QUE É A UNÇÃO DOS ENFERMOS?

    De acordo com as orientações da Igreja Católica, a Unção dos Enfermos é um Sacramento destinado às pessoas que enfrentam doença grave, idade avançada ou fragilidade física. Como afirmou o Papa Francisco, não se trata de um Sacramento reservado aos momentos finais da vida, mas de um sinal de consolo, esperança e proximidade de Deus no sofrimento.

    A Unção dos Enfermos pertence aos chamados “sacramentos da cura” e possibilita:

    • conforto espiritual;
    • fortalecimento da fé;
    • união com o sofrimento de Cristo;
    • em alguns casos, até mesmo recuperação física, segundo a vontade de Deus.

    PASSO A PASSO DA ADMINISTRAÇÃO DA UNÇÃO DOS ENFERMOS (BASEADO NO CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA)

    A administração do Sacramento segue um rito próprio, simbólico e pastoral.

    1. Presença do sacerdote

    A Unção dos Enfermos só pode ser administrada por um sacerdote ou bispo, pois envolve a oração da Igreja e o perdão dos pecados.

    1. Preparação do doente

    Sempre que possível, o fiel é convidado a:

    • expressar sua fé;
    • participar conscientemente do momento;
    • e se tiver condições, receber antes o Sacramento da Reconciliação.
    1. Oração da comunidade

    O rito começa com orações silenciosas ou em voz alta, nas quais a Igreja intercede pelo doente, pedindo conforto, força e salvação.

    1. Imposição das mãos

    O sacerdote impõe as mãos sobre a cabeça do enfermo, gesto bíblico que simboliza:

    • a ação do Espírito Santo;
    • o cuidado e a proteção de Deus.
    1. Unção com o óleo dos enfermos

    O sacerdote unge o doente com óleo abençoado, geralmente na testa e nas mãos.

    Enquanto unge, pronuncia a oração sacramental, pedindo que Deus conceda o alívio dos sofrimentos, o perdão dos pecados e a força espiritual.

    1. Oração final

    O rito é concluído com uma oração de louvor e confiança em Deus. Quando possível, pode ser seguida da Eucaristia, chamada de Viático quando administrada a quem corre risco de morte.

    Na prática, o Sacramento aproxima a fé e a compaixão de Jesus à experiência humana de dor e fragilidade, aliviando sofrimentos e reforçando a confiança de que ninguém está sozinho nesses momentos, assim, a Igreja Católica proporciona que familiares, visitantes e toda a comunidade se tornem parte de uma rede de apoio espiritual e afetivo. 

    A MISSÃO DA PASTORAL DA SAÚDE 

    A fé, o cuidado e a solidariedade estão no centro da atuação da Pastoral da Saúde, ação da Igreja voltada à promoção da vida e da dignidade humana no campo da saúde. 

    “Em momentos de dor e perda, a espiritualidade torna-se ainda mais necessária para enfrentar a finitude da vida”, lembra o Padre João Mildner, responsável pela capelania do Instituto Emílio Ribas.

    Nesse contexto, a Pastoral da Saúde se apresenta como presença concreta do amor de Cristo, especialmente junto aos pobres e enfermos. Com forte caráter evangelizador e missionário, busca integrar Igreja e sociedade na construção de uma realidade mais justa e solidária, na qual a saúde seja entendida como direito e expressão de cidadania. 

    O agente da Pastoral da Saúde é alguém vocacionado, sensível e acolhedor, chamado a escutar, cuidar e oferecer conforto humano e espiritual. Sua atuação se organiza em dimensões, como a solidária, voltada ao acompanhamento dos doentes, e a comunitária, que prioriza a prevenção, a educação em saúde e a promoção de estilos de vida saudáveis.

    [BOX] IGREJA E FARMÁCIA: DUAS FORMAS DE CUIDAR DA VIDA

    Enquanto isso, medicamentos e tratamentos clínicos assumem o papel de cuidar do corpo físico. São essenciais para combater doenças, controlar sintomas e promover a recuperação. No entanto, muitos pacientes relatam que, junto com a ação farmacológica, o apoio espiritual oferecido por líderes religiosos ou ministros muitas vezes reforça a esperança e a resiliência, influenciando positivamente o enfrentamento da doença.

    Em tempos em que a medicina e a espiritualidade se encontram nos leitos dos hospitais, relatos como os de Maria Antônia e a trajetória de José Antônio revelam que a fé pode ser um poderoso complemento à ciência, oferecendo conforto e esperança quando mais se precisa dela. Seja por meio de uma visita religiosa, da administração de um Sacramento ou de uma conversa de fé, o cuidado humano transcende a mera prática clínica, pois abraça a pessoa como um todo.

    Letícia Sarturi Pereira, farmacêutica, mestra em Imunologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Biociências e Fisiopatologia pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), além de membro da União Pró-Vacina e professora universitária, retomou alguns fatos históricos que demonstram a atuação da Igreja Católica em diferentes áreas da medicina.

    Letícia recordou que as histórias dos medicamentos e da farmácia estão ligadas às religiões e a Igreja Católica teve um papel importante para a profissão do farmacêutico, a criação de medicamentos e, de forma geral, a preservação da saúde humana.

    “O termo ‘boticário’ foi usado pela primeira vez pelo Papa Pelágio II, referindo-se a monges do século VI, e só foi aplicado a leigos por volta do século XIII. Os boticários em algumas cidades atuavam, inclusive, como médicos. Eles tinham jardins para cultivar plantas, laboratórios e locais próprios para produzir os medicamentos e entregá-los às pessoas que os procuravam. Na Idade Média, as boticas mais famosas eram dos cônegos de Santo Agostinho, dos dominicanos e da Companhia de Jesus”, explicou.

    No Brasil, por sua vez, os jesuítas tiveram papel de destaque na manipulação das plantas nativas para produzir medicamentos. “São José de Anchieta, entre 1560 e 1570, detalhou as plantas comestíveis e medicinais do Brasil para o seu superior-geral da Companhia de Jesus. Ele falou muito, por exemplo, da hortelã-pimenta, utilizada contra indigestão, para aliviar nevralgia – que são dores nos nervos –, reumatismo e doenças nervosas. Exaltou as qualidades do capim-rei, do ruibarbo-do-brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do bálsamo de copaíba, usado para curar feridas, e da cabreúva-vermelha. Foi um padre importante para descrever os medicamentos, falar das riquezas das plantas medicinais e dos seus usos”, descreveu Letícia, que é roteirista e apresentadora do podcast Escuta a Ciência!.

    Sob a orientação dos padres, muitas boticas foram instaladas no Brasil. “Várias delas na Bahia, em Olinda (PE), no Recife (PE), no Maranhão, no Rio de Janeiro e em São Paulo. A mais importante foi a da Bahia, que se tornou um centro de distribuição para outras províncias. Podemos dizer que os primeiros boticários brasileiros foram padres e religiosos. Os jesuítas, em suas casas e colégios, criavam boticas para ajudar o povo a aliviar e curar as doenças à época”, finalizou ela.

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