No Evangelho de Mateus, o Espírito Santo está presente desde o início da história de Jesus até a missão confiada aos discípulos. Sua ação revela que a salvação é iniciativa de Deus: Jesus vem ao mundo por obra do Espírito, realiza sua missão em comunhão com o Pai e envia a Igreja a fazer discípulos entre todos os povos.
O termo grego “πνεῦμα” (“pneuma”), traduzido por “espírito”, está relacionado ao verbo “πνέω” (“pnéō”), “soprar”. A palavra pode significar “vento”, “sopro” ou “espírito” e assume diferentes sentidos conforme o contexto. Quando Mateus fala do Espírito Santo, “pneuma” designa a presença e a ação de Deus, que acompanha Jesus e sustenta a missão de seus discípulos. Essa perspectiva ajuda a perceber que o Espírito, no Evangelho, não aparece como uma realidade abstrata, mas como presença viva e atuante na história da salvação.
A primeira referência aparece no relato da concepção de Jesus. Mateus afirma que Maria estava grávida “por obra do Espírito Santo” (Mt 1,18.20). A repetição sublinha que a origem de Jesus se encontra na iniciativa de Deus e na ação do Espírito. O evangelista relaciona esse acontecimento à promessa do Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1,22-23): no nascimento de Jesus, Deus se aproxima e entra na história humana.
No Batismo de Jesus, o Espírito de Deus desce sobre ele como uma pomba, enquanto a voz do Pai o proclama Filho amado (cf. Mt 3,16-17). A cena manifesta a identidade e a missão de Jesus. Em seguida, conduzido pelo Espírito ao deserto, Ele enfrenta e vence as tentações (cf. Mt 4,1-11). Jesus permanece fiel ao Pai e à Palavra. Mateus apresenta, assim, o Espírito como presença que acompanha e orienta a missão do Filho.
Essa ação também se torna visível na obra de Jesus. Quando os fariseus atribuem ao poder do mal uma libertação realizada por Ele, Jesus fala do “Espírito de Deus” e do Reino que chega (cf. Mt 12,22-28). A ação do Espírito manifesta a vitória de Deus sobre aquilo que aprisiona a pessoa. O episódio também adverte contra fechar o coração à ação divina e chamar de mal aquilo que conduz à libertação e à vida (cf. Mt 12,31-32).
O Espírito também se manifesta como auxílio aos discípulos. Diante da perseguição, Jesus lhes assegura que, nos momentos de provação, contarão com a ação do Espírito: “o Espírito de vosso Pai falará em vós” (Mt 10,19-20). Essa promessa sustenta o testemunho e fortalece a perseverança. O Espírito é a presença do Pai que acompanha a comunidade em sua missão, especialmente quando o caminho se torna exigente.
No encerramento do Evangelho, Jesus ressuscitado envia os discípulos a todas as nações, mandando batizar “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19). O Batismo insere a pessoa na vida de Deus e a chama a assumir a missão de colaborar para que o Reino de Deus se torne presente em todas as realidades para que a vida floresça, a dignidade seja reconhecida e o amor encontre caminhos concretos. Fazer discípulos inclui ensinar a guardar os ensinamentos de Jesus e confiar em sua presença “todos os dias” (Mt 28,20).
O Evangelho de Mateus apresenta, em seus relatos, uma compreensão viva da presença e da ação do Espírito Santo: o Espírito está na origem de Jesus, acompanha sua missão, sustenta o testemunho dos discípulos e integra a missão da Igreja. Essa presença conduz a Cristo, fortalece a fidelidade ao Filho e impulsiona a continuidade de sua obra na vida e na missão da comunidade.
Essa perspectiva ilumina também a vida da Igreja e de cada cristão. O Espírito sustenta o testemunho, fortalece nas provações e ajuda a comunidade a permanecer fiel ao Evangelho. Sua ação alcança o coração de cada batizado, favorecendo a conversão, a oração, o serviço e a perseverança. A tradição cristã reconhece essa presença especialmente na Palavra de Deus, na vida sacramental e na comunhão da Igreja.
O Espírito Santo, por tudo isso, é presença viva de Deus na Igreja e em cada batizado. É dom que continua a agir na história e a renovar a missão recebida de Jesus. A missão confiada pelo Senhor em Mateus continua quando os cristãos anunciam o Evangelho e traduzem a fé em gestos de amor, serviço e cuidado. Reconhecer a ação do Espírito significa permanecer disponível àquilo que Deus realiza na história e assumir, com coragem e fidelidade, a missão de continuar o caminho de Jesus.
Bibliografia
GALAZZI, Sandro. Mateus. São Paulo: Paulus, 2013.
HAHN, Scott; MITCH, Curtis. O Evangelho de São Mateus. São Paulo: Paulus, 2014.