O quarto mandamento da Lei de Deus, ao falar de honrar pai e mãe, implica recordar que a honra passa não somente pelo respeito, mas também pelo gesto tão simples, porém tão profundo, de pedir a bênção a eles. E este simbolismo de fé e proteção jamais estará fora de moda.
Quando se lê a Sagrada Escritura, percebe-se que a bênção é um sinal da comunhão com Deus, visto que procede d’Ele mesmo. No Antigo Testamento, no livro dos Números, o Senhor Deus fala a Moisés: “Dize a Aarão e a seus filhos: Com estas palavras devereis abençoar os israelitas: ‘O Senhor te abençoe e te guarde. O Senhor faça brilhar sobre ti sua face, e se compadeça de ti. O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz’. Assim invocarão o meu nome sobre os israelitas, e eu os abençoarei” (Nm 6, 23-27). Nesta bênção, está compreendido que, de fato, é Deus quem abençoa. O sacerdote Aarão é apenas o dispensador da bênção, mas não o autor dela. Toda bênção vem do Senhor; é bem verdade que o contrário da bênção, que é a maldição, não provém d’Ele.
A bênção torna-se um sinal de proteção. É uma realidade simbólica bastante sensível para fazer os filhos compreenderem a proximidade de Deus. O filho diz: “A bênção, meu pai! A bênção, minha mãe!”, e estes respondem: “Deus te abençoe, meu filho!”. Este gesto é, sem dúvidas, uma sublime forma de honrar pai e mãe. Eles, independentemente de quem são e do que fazem, tornam-se voz de Deus para seus filhos. É bom lembrar que a Sagrada Escritura assegura: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobre eles, a autoridade da mãe. Quem honra seu pai intercederá pelos pecados, evitará cair neles e será ouvido na oração quotidiana. Quem respeita sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra seu pai terá alegria em seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido. Quem honra seu pai terá vida longa, e quem obedece ao pai é o consolo da mãe” (Eclo 3, 3-7). Veja! Nesse trecho, aparecem os verbos honrar e respeitar, que desembocam no verbo orar, ou seja, quem honra pai e mãe terá, por meio da oração, seus pedidos atendidos. Daí que honrá-los, também pedindo a bênção, que é um gesto oracional, significa que Deus lhe será generoso.
Entretanto, sabendo ou não do sentido profundo da bênção conforme foi visto, muitos jovens insistem em não pedi-la a seus pais, deixando-se contaminar pela realidade mundana, a ponto de dizer: “Isso é cafona demais!”; ou: “Está fora de moda!”; ou ainda: “Eu só pedia a bênção quando era criança!”. Pasmem! Há alguns que até dizem nunca ter pedido a bênção a seus pais, talvez porque não foram ensinados a tal. O livro do Eclesiástico, ao falar sobre honrar pai e mãe, alerta: “A bênção do pai consolida a casa dos filhos, mas a maldição da mãe destrói até os alicerces” (Eclo 3,11). Quem nunca ouviu relatos como estes: “Olha, o que meu pai e minha mãe disseram se cumpriu!”? A bênção deles assegura um cuidado, um gesto de amor e proteção para com os filhos. É bem verdade que bênção é o oposto de maldição e, caso não aconteça, a pessoa estará mais propensa à maldição. Apresenta o livro do Deuteronômio: “Eis que hoje ponho diante de vós bênção e maldição: A bênção, se obedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus, que hoje vos prescrevo; A maldição, se desobedecerdes aos mandamentos do Senhor vosso Deus e vos afastardes do caminho que hoje vos prescrevo, para seguirdes outros deuses, que não conhecíeis” (Dt 11, 26-28).
Convém lembrar que o filho, independentemente da idade, será sempre filho para seu pai e sua mãe. Não há uma idade limite para não mais pedir a bênção. O mesmo gesto vale para os avós, padrinhos, madrinhas, tios e o padre. São essas pessoas que recordam o dia do seu Batismo, dia este em que fostes tornado(a) filho(a) de Deus e, daí, a bênção fez ecoar em sua existência.
Queira Deus que se perpetue este gesto de pedir a bênção sempre que o filho estiver com seus pais: antes de dormir, ao despertar, ao sair de casa, depois das refeições, ao falar com os pais por telefone ou pelas redes sociais. Enfim, é um gesto simbólico que nunca estará fora de moda e que trará paz e proteção a quem assim o fizer, além de sentir no coração a proximidade do Deus que se revela pelos pais.
Que tal reforçar este gesto simples e profundo ou até mesmo começar a fazê-lo, dizendo: “A bênção, meu pai! A bênção, minha mãe!”. Boa experiência!