Com o passar do tempo, a Igreja de Cristo foi se desenvolvendo buscando corresponder à ação evangelizadora de cada época. Além disso, fazendo uso dos avanços das ciências humanas e tecnológicas, entre outras que contribuem com a vida de homens e mulheres. Com o processo da educação da fé não foi diferente: se antes pensávamos em uma catequese apenas para adultos (processo do catecumenato), nos séculos futuros viu-se a necessidade de uma catequese para as crianças.
Hoje se percebe que é preciso pensar numa catequese de iniciação à vida cristã (IVC) como propõe a Igreja, não só latino-americana. A grande pergunta é: a iniciação à vida cristã começa quando e onde? Para alguns é óbvio que começa já nos primeiros anos de vida, porém, acreditamos que é possível pensar em uma catequese não só de iniciação à vida cristã, mas uma catequese permanente a partir da família.
Por que pensar em uma catequese de iniciação à vida cristã com as famílias? Com o avanço da Psicologia e tantas outras ciências, sabemos que é no ambiente familiar que se constroem as principais características da identidade humana; por isso os cônjuges precisam compreender sua importância na vida de fé dos filhos, fazendo desse lugar uma verdadeira “casa da iniciação cristã”.
Pensar em uma catequese de iniciação à vida cristã a partir da família é resgatar a essência da fé, a exemplo da Família de Nazaré e das primeiras comunidades eclesiais, como aponta a ação evangelizadora hoje, buscando desenvolver na família o senso de afetividade, diálogo e respeito. Dessa forma é preciso compreender que a família é um dom de Deus e precisa de amor, de aceitação e de ternura, desde o momento da fecundação.
A catequese matrimonial precisa se preocupar com a compreensão profunda do que é o Sacramento do Matrimônio e sua implicação na vida dos cônjuges. Além disso, as novas famílias precisam encontrar apoio na comunidade e ser acompanhadas por aquelas famílias portadoras de experiência e testemunho de fé.
O novo Diretório para a catequese apresenta riquíssimas orientações para a construção destes itinerários catequéticos. Nesses itinerários de fé, graduais e contínuos, na linha da inspiração catecumenal, deve “dar-se prioridade a par de um renovado anúncio do querigma – àqueles conteúdos que, comunicados de forma atraente e cordial, ajudem [os noivos] a comprometer-se num percurso da vida toda” (Amoris Laetitia, 207). (…) Trata-se de uma espécie de iniciação ao Sacramento do Matrimônio” (232).
A partir dessa colocação do novo Diretório para a catequese, apresentaremos alguns pontos importantes para o itinerário catequético do Matrimônio:
- Matrimônio é vocação;
- O Sacramento do Matrimônio segundo a Bíblia, a tradição e o magistério;
- Matrimônio e querigma;
- Matrimônio e união com a Igreja;
- Responsabilidades dos cônjuges;
- A abertura a vida;
- Educação dos filhos;
- Família: Igreja doméstica;
- Os pais como primeiros catequistas dos filhos.
Dessa forma, cada itinerário precisa ser pensado de maneira sistemática que busca corresponder cada momento importante da vida da família. Partindo dessa compreensão, faz-se necessário pensar também no itinerário catequético batismal em comunhão com o itinerário anterior; esse precisará despertar nos pais e padrinhos a compreensão e as responsabilidades como educadores da fé, bem como o vínculo com a Igreja de Cristo e a vivência na comunidade cristã.