Como já foi dito, cada itinerário precisa ser pensado de maneira sistemática e que busque corresponder a cada momento importante da vida da família. Partindo dessa compreensão, faz-se necessário pensar também no itinerário catequético batismal em comunhão com o itinerário anterior. Esse precisará despertar nos pais e padrinhos a compreensão e as responsabilidades como educadores da fé, bem como o vínculo com a Igreja de Cristo e a vivência na comunidade cristã.
A catequese dos pais que pedem o Batismo para os filhos: que a comunidade, na pessoa dos catequistas, tenha o cuidado de acolher, escutar e compreender as motivações do pedido dos pais, de predispor um caminho apropriado para que eles possam despertar a graça do dom da fé que receberam. É bom que também os padrinhos sejam envolvidos nesse itinerário e que este possa ser realizado em um arco de tempo suficiente (Diretório para a catequese, 232).
Vejamos alguns pontos importantes para esse itinerário catequético, que leve pais e padrinhos a viverem o ofício confiado a eles:
- O Sacramento do Batismo segundo a Bíblia, tradição e magistério;
- Batismo e anúncio querigmático;
- Batismo e união com a Igreja;
- Responsabilidades dos pais e padrinhos;
- Família: lugar de afetividade;
- Família: igreja doméstica;
- Os pais como primeiros catequistas dos filhos e o testemunho dos pais e padrinhos na educação da fé da criança.
O itinerário catequético com pais e padrinhos precisa deixar muito claro o que realmente é o Batismo e suas responsabilidades, desvencilhando-se, assim, daquela velha compreensão de evento social. Talvez também seja necessário um itinerário pós-batismal.
Pelo seu exemplo de vida cotidiana, os pais crentes têm a capacidade mais envolvente de transmitir aos seus filhos a beleza da fé cristã: “Para que as famílias possam ser cada vez mais sujeitos ativos da Pastoral Familiar, requer-se um esforço evangelizador e catequético dirigido à família que a encaminhe nessa direção” (Exortação Amoris Laetitia, 200). O desafio maior é, neste caso, que os casais, as mães e os pais, sujeitos ativos da catequese, superem a mentalidade tão comum de delegação, segundo a qual a fé está reservada aos especialistas da educação religiosa (Diretório para a catequese, 124).
A catequese familiar precisa ser pensada em comunhão com os outros itinerários catequéticos, para isso, a Pastoral Familiar deve exercer um caráter ainda maior de acompanhamento e exemplo para as famílias, levando ao aprofundamento da fé e reafirmando aquilo que foi evidenciado ao longo dos itinerários, ou seja, a família deve ser uma verdadeira Igreja doméstica e os pais, os primeiros catequistas.
A família como um todo não pode ficar de fora do anúncio e do acompanhamento da Igreja, portanto, alguns temas são importantes para o itinerário catequético com as famílias:
- Família: lugar do anúncio querigmático;
- O testemunho dos pais na vida dos filhos;
- Desafios da família moderna;
- Família e Igreja: uma família entre as famílias;
- Família: lugar de afetividade;
- Família e catequese: a mesma missão;
- Família: lugar de escuta e diálogo;
- Pais e padrinhos caminhando juntos.
É preciso despertar a ideia, desde o Matrimônio, de que a catequese é permanente, isso porque constantemente aprendemos e amadurecemos, assim como cada fase da vida; também não podemos perder de vista todas as famílias.
Acompanhar na fé e introduzir à vida da comunidade as situações chamadas irregulares “implica tomar muito a sério cada pessoa e o projeto que Deus tem para ela” (Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, 160), com um estilo de proximidade, de escuta e de compreensão. Além do acompanhamento espiritual pessoal, os catequistas devem encontrar caminhos e modos para favorecer a participação desses irmãos também na catequese: em grupos específicos formados por pessoas que partilham a mesma experiência conjugal ou familiar ou nos outros grupos de famílias ou de adultos que já existam (Diretório para a catequese, 235).
Por fim, a comunidade catequizadora precisa estabelecer um vínculo de proximidade com as famílias. Durante todos os itinerários, as reflexões buscaram estreitar esse laço entre Pastoral Matrimonial e família, Pastoral Familiar e família, comunidade e família, levando a real compreensão de ser cristão na e com a comunidade eclesial, de modo que, desde o Matrimônio, essa nova família seja acompanhada e iniciada na fé de maneira permanente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ANTUNES, Celso. A construção do afeto. São Paulo: Augustus, 2000.
BÍBLIA AVE-MARIA. 217ª ed. São Paulo: Ave-Maria, 2021.
CATEQUESE RENOVADA: orientações e conteúdo. 21ª Assembleia-geral. 35ª ed. São Paulo: Paulinas, 1983. (Documento nº 26)
CNBB. Diretório nacional de catequese. 9ª ed. São Paulo: Paulinas, 2007.
CNBB. Iniciação à vida cristã: Itinerário para formar discípulos missionários. Brasília: Edições CNBB, 2017. (Documento nº 107)
CURY, Camila. A necessidade de afeto. Psique Ciência&Vida: São Paulo: Escala, nº 170, pp. 28-29, jun. 2020.
DOCUMENTO DE APARECIDA: texto conclusivo da 5ª Conferência-geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe. Brasília: Edições CNBB; São Paulo: Paulinas/Paulus, 2007.
FARIA, Michele Ramon. Constituição do sujeito e estrutura familiar: o complexo de Édipo, de Freud a Lacan. 3ª ed. Taubaté-SP: Editora e Livraria Cabral Universitária, 2021.
JOÃO PAULO II. Exortação apostólica Familiaris Consortio: sobre a missão da família cristã no mundo de hoje. São Paulo: Loyola, 1982.
PAPA FRANCISCO. Constituição pós-sinodal Amoris Laetitia: sobre o amor na família. São Paulo: Paulinas, 2016.
*Jeciandro Pessoa é autor do livro Como pensar a catequese a partir da família. Atualmente, trabalha com formação de catequistas pelo projeto Pensar Catequese.