Quando trata do oitavo mandamento, o Catecismo da Igreja Católica apresenta orientações sobre o uso dos meios de comunicação social de tal forma que eles contribuam para o bem comum de todos, veiculando conteúdos verdadeiros, que edificam. Dentre esses meios destacam-se as mídias sociais e, num aspecto mais restrito, as redes sociais, por se tratar de uma comunicação interativa, direta e de um alcance enorme, porém, é preciso ser cauteloso com o que se consome delas e pensar sempre se isso diz respeito ou não à verdade.
O mundo da pós-modernidade tem se mostrado cada vez mais tecnológico, o que possibilita um acesso extremamente rápido às notícias. Com o uso das redes sociais, por exemplo, a notícia chega quase que de imediato à palma da mão.
Alguns teóricos postulam que essas redes democratizam a comunicação e o acesso à informação e disso não há o que duvidar, no entanto, elas constituem um grande risco à construção da verdade, que deve ter todo um contexto senão vira pretexto para cada pessoa ter a sua interpretação. Colocando de lado a ideia da interação na rede, mas pensando em comunicação de notícias via redes sociais, a primeira preocupação que um cristão deve ter antes de postar algo é com a ética. “A sociedade tem direito a uma informação fundada na verdade, na liberdade, na justiça e na solidariedade. ‘O uso reto deste direito requer que a comunicação seja, quanto ao objeto, sempre verídica, e quanto ao respeito pelas exigências da justiça e da caridade, completa; quanto ao modo, que seja honesta e conveniente, quer dizer, que na obtenção e difusão das notícias, observe absolutamente as leis morais, os direitos e a dignidade do homem’’’ é o que diz o Catecismo da Igreja Católica (2494).
Se por um lado o que se posta nas redes sociais deve ser pautado pela ética, o que se vê por meio delas, isto é, o que se consome também deve passar por esse mesmo crivo, a fim de observar se o conteúdo visto diz respeito ou não à verdade. Orienta o Catecismo da Igreja Católica (2496): “Os meios de comunicação social (em particular os mass media) podem gerar certa passividade nos usuários, fazendo deles consumidores pouco cautelosos de mensagens e espetáculos. Os usuários devem impor a si próprios moderação e disciplina em relação aos mass media. Hão de formar uma consciência esclarecida e reta, para resistir mais facilmente às influências menos honestas”. Perceba quanto a Igreja é mãe e mestra ao chamar a atenção dos seus filhos quanto ao uso desses meios. Ela afirma que os usuários das mass media (meios de comunicação de massa) devem ter uma consciência esclarecida e reta a fim de não se deixar levar por conteúdos falsos.
Em toda comunicação há um emissor e um receptor da mensagem, veiculada por meio de um canal. Pensando nas redes sociais, que têm uma comunicação instantânea, aumenta ainda mais a responsabilidade de ambos em pensar na verdade. O autor da mensagem, antes de postá-la, deve pensar numa comunicação direta, rápida, mas que tem conteúdo, sem dar margem a quaisquer outras interpretações; o receptor, entretanto, ao ler a mensagem, mesmo que rapidamente, deve ter a clareza do que leu e, antes de compartilhá-la, averiguar se aquele conteúdo procede ou não. Se cada um faz sua parte, a comunicação torna-se eficiente e eficaz, produzindo um ambiente, mesmo que virtual, transparente, pautado pela luz da verdade.
Convém dizer, por fim, que as redes sociais e os conteúdos que estão nelas dependem única e exclusivamente de quem as alimenta e as consome. Dizer se são um bem ou um mal à verdade vai depender da intenção desses elementos citados, por isso, sempre que você se colocar na condição de produtor de conteúdo pense: “Este conteúdo é verdadeiro? Está claro para o outro?”. Já na condição de receptor, questione-se: “O que o outro quis dizer? Qual é o contexto desta mensagem?”. Questionando-se, você buscará enxergar se isso diz respeito ou não à verdade. Enfim, que se analise sempre o contexto porque, como diz a máxima, texto fora de contexto vira pretexto. Uma consciência esclarecida e cautelosa será, pois, a melhor medida.