Revista Ave Maria

Artigos da revista › 02/07/2020

Santa Marta

29 DE JULHO
(SÉCULO I)

“Santa Marta acolheu com alegria Cristo em sua casa e o serviu com devoção e com atenção afetuosa. Pela generosidade do seu coração, obteve que o irmão Lázaro, morto há quatro dias, ressurgisse e mereceu estar unida no reino eterno àquele que ela havia hospedado.”

Não podemos falar de Marta sem nos lembrarmos ao mesmo tempo de sua irmã Maria e do irmão Lázaro. Moravam em Betânia, uma aldeia a leste de Jerusalém, atrás do monte das Oliveiras, a poucos quilômetros da Cidade Santa. Deveriam ser de família economicamente abastada, pois puderam hospedar e dar de comer a Jesus e aos doze apóstolos quando estavam de passagem da Galileia para Jerusalém e nos últimos dias que antecederam a paixão de Cristo.

Entre eles e Jesus existia uma amizade profunda, pois haviam aceitado totalmente a mensagem e a missão do Mestre e tinham colaborado com Ele, colocando à sua disposição seus bens. De sua parte, “Jesus queria muito bem a Marta, a sua irmã e a Lázaro” (Jo 11,5), como observa o evangelista João.

A RAIZ DO AMOR

O evangelista Lucas (cf. Lc 10,38-42), depois de ter relatado a estupenda parábola do bom samaritano para demonstrar quanto é necessário o amor concreto para com o próximo a fim de poder entrar no reino messiânico, apresenta uma simpática cena acontecida durante uma das estadas de Jesus na casa de Betânia.

Certo dia, Marta, como de costume, havia recebido com alegria a comitiva e, como boa dona de casa, pôs-se logo a preparar a refeição. Não era pouca coisa providenciar alimentação para treze homens com apetite dobrado depois da longa viagem desde Jericó.

Maria, ao contrário, “sentada aos pés de Jesus, escutava sua palavra”. Marta, em certo momento, chegou com muita confiança e disse: “Senhor, não te importas que minha irmã me tenha deixado sozinha no serviço? Diz, pois, a ela que me ajude”. Um pedido, podemos dizer assim, mais que legítimo. Jesus, então, respondeu: “Marta, Marta, tu te preocupas e te agitas com muitas coisas, mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”.

Jesus apreciava o amor concreto de Marta, mas teria preferido que, antes de começar os serviços da casa, tivesse ficado um pouco, também ela, a escutar a Palavra que lhe daria luz e sabedoria.

Na tradição, Maria personificou a vida contemplativa e Marta, a ativa. Às vezes, injustamente contrapostas, pois a ação e a contemplação não estão em contradição, mas unidas intimamente entre si.

Já Santo Agostinho havia escrito: “Ninguém deve ser tão contemplativo que não o faça para a utilidade do próximo; nem tão ativo que não procure a contemplação de Deus. Na vida contemplativa, não nos deve atrair a quietude inerte, mas a busca e a descoberta da verdade (…) como na vida ativa, não devemos amar a honra nesta terra ou o poderio (…) mas a fadiga (…). Por isso, o amor da verdade procura a contemplação, a necessidade da caridade aceita a ação”.

Chiara Lubich, falando às pessoas do nosso tempo, acrescenta: “Nós temos uma vida interior e uma vida exterior. Uma é florescência da outra, uma é raiz da outra, uma é da outra copa da árvore da nossa vida. A vida interior é alimentada pela vida exterior. Quanto mais eu penetro a alma de meu irmão, mais eu penetro Deus em mim, quanto mais eu penetro Deus dentro de mim, tanto mais penetro o irmão. Deus, eu, o irmão: é tudo um mundo, tudo um reino…”.

A CENA DA DESPEDIDA

Para as duas irmãs e para Lázaro era um ceia festiva de agradecimento pelo milagre acontecido, sem saberem que seria a última ceia de Jesus na casa deles. O evangelista João (cf. Jo 12,1-8) observou o seguinte: “seis dias antes da Páscoa”, portanto, poucos dias antes da morte de Jesus. Uma ceia preparada, como de costume, com muito esmero e dirigida, como de costume, com competência de quem recebe: “Marta servia”, comenta o evangelista.

Em certo momento, Maria apanhou da despensa da casa “uma libra de óleo perfumado de nardo legítimo, muito precioso, começou a espalhá-lo nos pés de Jesus e a enxugá-los com os cabelos, e toda a casa se encheu do perfume do unguento”.

Todos ficaram admirados: Maria havia gasto uma fortuna para demonstrar o amor que possuía pelo Mestre. Isso não agradou a Judas Iscariotes, que queria vender aquele perfume e conseguir pelo menos trezentos denários, talvez a quantia de um ano inteiro de salário. Disse que aquele dinheiro poderia ser usado para ajudar os pobres, mas o evangelista observa que dizia isso não porque ele se interessasse pelos pobres, mas porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela lançavam. De qualquer modo, sua observação não serviu para nada, pois o próprio Jesus tomou a palavra em defesa de Maria: “Deixai-a fazer, ela guardou este perfume para o dia de minha sepultura. Os pobres de fato sempre os tereis entre vós, mas a mim nem sempre me tereis”.

Essas são as informações que temos dos evangelhos. O que terá acontecido aos três depois da ressurreição de Jesus? Certamente terão feito parte da comunidade cristã, mas não podemos dizer mais do que isso. É pura lenda que eles teriam ido para Marselha, onde Lázaro teria sido o primeiro bispo.

O culto a eles difundiu-se bastante em todo o Oriente e também em algumas regiões do Ocidente. O rito latino, tendo identificado erroneamente Maria com Madalena, em 29 de julho só comemora Marta.

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