Revista Ave Maria

Artigos da revista › 01/11/2019

Santo André

30 DE NOVEMBRO
APÓSTOLO
(SÉCULO I)

“A palavra de André é a palavra de uma pessoa que aguardava com ansiedade a vinda do Messias, que lhe aguardava a descida do Céu, que estremeceu de alegria quando o viu chegar e que se apressou a comunicar aos outros a grande notícia. Dizendo logo ao irmão o que havia sabido, mostrou quanto o estimava, como estava afeiçoado aos seus queridos, quanto sinceramente os amava e como estava pressuroso de pôr ao alcance deles o caminho espiritual.”

Maravilha e encanta essa espontaneidade de André, irmão de Simão, nascido em Betsaida. Junto com o pai, Jonas, e com o irmão dedicava-se à pesca no lago de Tiberíades, na Galileia, e morava em Cafarnaum. No seu nome percebe-se que a influência da cultura grega tinha chegado também a essa região.

O episódio mais simpático da sua vida nos é narrado no Evangelho de João (Jo 1,35-42). André tinha ido para as margens do Jordão junto com João, o futuro Evangelista, para escutar João Batista. Este, indicando-lhes Jesus, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”. “E os dois discípulos”, narra o Evangelista, “ouvindo-o falar assim, seguiram Jesus. Jesus então se voltou e, vendo que o seguiam, disse: ‘Que procurais?’. Responderam-lhe: ‘Rabi [que significa Mestre], onde moras?’. Disse-lhes: ‘Vinde e vede’. Foram, pois, e viram onde morava e ficaram aquele dia junto dele; eram cerca de quatro horas da tarde”.

O encontro deve ter sido particularmente marcante, visto que os dois recordavam até mesmo a hora daquele dia inesquecível: “Eram cerca das quatro horas da tarde” (Diz o texto bíblico: “Era cerca da hora décima (Jo 1,39), e a nota confirma a equivalência: pelas 4 horas da tarde”).
“Um dos dois”, continua o autor do quarto Evangelho, “que tinham ouvido as palavras de João e o haviam seguido era André, irmão de Simão Pedro”. São João Crisóstomo faz este comentário: “André, tendo ficado perto de Jesus e tendo aprendido muitas coisas, não manteve escondido em si esse tesouro, mas apressou-se a correr para junto de seu irmão para torná-lo participante disso”. Já o destino dos dois estava marcado para sempre, porque o Mestre havia colocado seus olhos neles.

Este, de fato, segundo a narrativa do evangelista Marcos, “(…) passando junto do mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, enquanto lançavam as redes ao mar; eram de fato pescadores. Jesus disse-lhes: ‘Segui-me, eu vos farei pescadores de homens’. E logo, deixadas as redes, seguiram-no” (Mc 1,16).
André foi com João entre os mais íntimos de Jesus. A ele se dirigiu Filipe para que dissesse a Jesus que os gregos o queriam ver (cf. Jo 12,20-23).

Quando Jesus pediu que dessem de comer à multidão que o havia escutado, André apresentou ao Mestre um menino com cinco pães e dois peixes (cf. Jo 6,8-9).

No monte das Oliveiras perguntou a Jesus, junto com Pedro, Tiago e João, quando aconteceria a destruição do maravilhoso templo que brilhava diante dos seus olhos (cf. Mc 13,3).

Depois da paixão, André está com os outros apóstolos no cenáculo aguardando a vinda do Espírito Santo (cf. At 1,13) e depois de Pentecostes, segundo a tradição, André teria encorajado o apóstolo São João a narrar os fatos e as palavras de Jesus no seu Evangelho.

Segundo Orígenes, André teria pregado o Evangelho na Cítia, no Ponto Euxino, na Capadócia, na Galácia e na Bitínia. Depois, segundo São Jerônimo, teria passado a evangelizar a Acaia, firmando-se em Patrasso, onde teria sofrido o martírio aproximadamente no ano 60, pregado em uma cruz, cujos braços eram dispostos diagonalmente. Daqui o nome de cruz de Santo André.

Mais tarde, no século IV, suas relíquias foram transportadas para Constantinopla, que o escolheu como seu padroeiro. A “nova Roma” possuía “o troféu” do irmão de Pedro e deu a André o título de Protocleto, isto é, de primeiro chamado, mesmo que o esse título diga respeito igualmente a São João Evangelista.

Em 1208, os amalfinenses levaram para a sua cidade as relíquias do apóstolo e, em 1462, deram sua cabeça à Igreja de Roma. Em sinal de reconciliação, o Papa Paulo VI, em 1964, restituiu essa relíquia para a Igreja irmã de Constantinopla. Atualmente, a relíquia da cabeça de Santo André é conservada em Patrasso.

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