Revista Ave Maria

Artigos da revista › 04/06/2020

São Barnabé

11 DE JUNHO
APÓSTOLO
(SÉCULO I)

“A voz misteriosa do Espírito escolheu São Barnabé da Igreja dos crentes em Cristo, associou-o a Paulo e ao colégio dos apóstolos, ordenando-lhe anunciar a verdade do Evangelho, para que a redenção e a salvação fossem pregadas a todos os povos.”

As informações a respeito de Barnabé são tiradas quase inteiramente dos Atos dos Apóstolos. Ele nasceu em Chipre, mas viveu em Jerusalém, onde havia abraçado o cristianismo, tornando-se um dos mais fervorosos da comunidade cristã. Ele vendeu os seus bens e colocou o produto recebido da venda aos pés dos apóstolos.

O PRIMEIRO APÓSTOLO ENTRE OS GENTIOS

Quando o Evangelho começou a ser propagado de maneira um tanto extraordinária em Antioquia, os apóstolos mandaram para lá Barnabé. Em uma cidade tão importante não só como centro comercial, mas também como sede do legado imperial, impunha-se a necessidade de contar com um responsável que unisse os dotes da fidelidade à doutrina apostólica e do conhecimento da cultura helênica. Barnabé possuía esses dois requisitos e foi bem acolhido pela comunidade cristã que desejava ser instruída nos moldes da comunidade de Jerusalém. Foi nessa cidade que os seguidores da nova fé foram chamados, pela primeira vez, de cristãos.

Barnabé devia vigiar para que a entrada na Igreja dos numerosos fiéis provenientes do paganismo não maculasse a pureza da fé. Foi difícil, de fato, para os judeus cristãos compreenderem como poderiam os pagãos passar para o cristianismo sem primeiro se submeter às prescrições da lei de Moisés, até mesmo Pedro havia falado claramente a esse respeito depois da conversão do centurião Cornélio.

DEFENSOR E DISCÍPULO DE PAULO

Quando Barnabé soube que Paulo de Tarso havia se convertido no caminho de Damasco e que ele havia se retirado para sua cidade natal foi procurá-lo e convidou-o para ir até Antioquia para testemunhar diante de todos a ressurreição do Senhor. Paulo aceitou o convite e falou como só ele sabia fazer.

Barnabé foi o primeiro a reconhecer que Paulo, pela sua experiência pessoal com o Ressuscitado, era um apóstolo no sentido pleno e quis conduzi-lo a Jerusalém para apresentá-lo aos outros apóstolos e para defender a linha seguida pela Igreja da Antioquia, admitindo em seu seio os convertidos do paganismo sem os submeter à circuncisão e a outras práticas já superadas pela nova lei do Evangelho.

A estima que Barnabé gozava junto dos apóstolos e dos anciãos dissipou os temores que alguns ainda conservavam a respeito da conversão de Paulo.

Retornando para Antioquia, os dois empreenderam a primeira grande viagem, levando junto com eles João Marcos, que era sobrinho de Barnabé, ainda jovem, mas testemunha da paixão e da ressurreição do Senhor. Depois das primeiras fadigas apostólicas na ilha de Chipre, Marcos não quis prosseguir e retornou, enquanto que Paulo e Barnabé continuaram a evangelização pelas várias cidades da Ásia Menor, suscitando em todos os lugares comunidades cristãs não só entre os judeus, mas também entre os pagãos.

Um fato curioso aconteceu na pequena cidade de Listra, na Licaônia. Depois da cura milagrosa realizada por Paulo em favor de um homem que tinha paralisia nas pernas, a população pagã se convenceu de que Paulo era Mercúrio e Barnabé era Júpiter e lhes prepararam um sacrifício segundo todas as regras do cerimonial. Foi muito custoso da parte dos dois desfazer o equívoco e explicar aos cidadãos que eles eram portadores da Boa-Nova não da parte de Júpiter, mas de Jesus, Filho do Deus único e verdadeiro.

Retornando para Antioquia, encontraram a comunidade transtornada. Na ausência deles vieram algumas pessoas de Jerusalém, pregando que quem não fosse circuncidado não podia ser salvo. Assim, todo o trabalho de Paulo e Barnabé foi pelos ares. Eles defenderam o que haviam ensinado e a comunidade os escolheu junto com outros para irem a Jerusalém e consultarem os apóstolos.

A controvérsia deu oportunidade à convocação do que foi chamado o primeiro concílio da Igreja. A discussão foi resolvida a favor da liberdade evangélica, libertando-os das práticas judaicas. A Igreja apostólica tinha já diante de si a evangelização do mundo inteiro e saía dos estreitos limites da Palestina.

Paulo e Barnabé retornaram para Antioquia acompanhados por Silas e Judas, dois anciãos da comunidade de Jerusalém, e juntos procuraram esclarecer todos os antioquenos. Para todos foi como uma libertação do pesadelo, mesmo que a controvérsia ainda durasse longo tempo.

Paulo e Barnabé podiam entãoa recomeçar suas viagens para confirmar as comunidades fundadas em Chipre e na Ásia Menor. Barnabé queria novamente levar consigo João Marcos, mas Paulo, temeroso de não dar certo, não aceitou. Desse momento em diante, os dois grandes amigos se separaram: Barnabé e João Marcos foram para Chipre, enquanto Paulo se dirigiu para as comunidades da Ásia Menor.

O autor dos Atos dos Apóstolos, nesse ponto, registra somente a história de Paulo. Barnabé estava em Antioquia quando Paulo precisou fazer Pedro compreender sua incongruência, não frequentando as casas dos cristãos provenientes do mundo pagão por temer os judaizantes. Pedro e Barnabé reconheceram que tal conduta poderia acarretar dificuldades para os cristãos e aceitaram com humildade a observação de Paulo.

Depois disto, o que aconteceu a Barnabé? Segundo uma tradição do século V, considerada verossímil, ele teria sido martirizado em Salamina pelos judeus cristãos provenientes da Síria, preocupados pelas numerosas conversões dos pagãos que o santo operava naquela terra sem submetê-los às normas da lei mosaica.

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