Ser mãe, um chamado

As mulheres são chamadas a várias vocações, entretanto, ser mãe é um chamado de Deus. A iniciativa é de Deus, mas, todas têm o livre-arbítrio para escolherem e responderem de forma positiva ou não. Temos o exemplo de Maria que, mesmo diante de circunstâncias negativas, teve coragem e disse “sim”, aceitando todas as consequências de assumir a missão destinada ao seu Filho. Ela sabia que um filho é um dom na vida de uma mulher. Lembremos que a maternidade não se limita ao plano biológico, pois gerar um filho várias pessoas têm capacidade para isso, mas exercer a maternidade do coração exige dos pais um sair de si para ir ao encontro do outro.

Ser mãe no contexto atual apresenta desafios diferentes das gerações passadas, mas possui em comum o compromisso de ajudar a moldar um ser humano, nas suas dimensões psicológica, social, política e espiritual. Com a inserção das mulheres no ambiente de trabalho com jornadas igualitárias aos homens, ser mãe sofre um impacto direto, pois elas exercem várias jornadas: além de cuidarem dos filhos e da carreira, assumem a casa e os compromissos sociais. Muitas são obrigadas a terceirizar a educação dos filhos para babás, escolas e pessoas que ajudam. Outras fogem do compromisso da maternidade por achar que exige muito de si e não têm condições de responder às exigências externas e do lar. Outras, apesar de todas as limitações, assumem com alegria esse chamado, pagam um alto preço, mas recebem em troca um valor inestimável que só a maternidade traz a uma mulher.

Esse chamado traz dores e alegrias ao longo do ciclo da vida dos filhos, das dores do parto à independência do filho; a mãe não descansa enquanto não vê seus filhos realizados e felizes. As mães dizem que filhos não têm prazo de validade: enquanto existir vida, a preocupação com o bem-estar deles vai predominar sobre as preocupações consigo, por isso, as mães com fé buscam ajuda na oração para cumprir esse chamado. Cada uma tem um motivo diferente para rezar: umas rezam por saúde, outras pela recuperação de vícios, para obterem um bom trabalho ou assumirem as vocações para as quais os filhos foram chamados. Também há muitos motivos para comemorar e agradecer a Deus, as alegrias propiciadas por um filho não têm preço, um sorriso de uma criança acalenta e dá forças para um mulher lutar pela sobrevivência, uma brincadeira infantil enche uma casa de alegria, um filho que passa no vestibular é orgulho para toda uma família.

Exercer a vocação de mãe permite à mulher experimentar sentimentos sublimes e complexos, mas que a levam a aprender a amar sem limites e a doar-se gratuitamente. Essa experiência enriquece a vida e pode levar muitas a se aproximarem de Deus a partir do momento em que se sentem impotentes diante de tantos desafios que não permitem controle humano. Ser mãe é um chamado, mas exercer a vocação é uma escolha pessoal. Como Maria, precisamos entender que o nosso “sim” impacta positivamente a vida de muitas pessoas.

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