PRINCIPAL ESTRATÉGIA DE SAÚDE PÚBLICA PARA PREVENIR DOENÇAS GRAVES, EPIDEMIAS E MORTES EM TODAS AS FASES DA VIDA É CELEBRADA COM O DIA NACIONAL DA VACINAÇÃO
Da proteção individual à defesa coletiva, a imunização mantém papel central na saúde pública brasileira. Comemorado em 17 de outubro, o Dia Nacional da Vacinação reforça a importância dessa medida para a prevenção de doenças para a população. Como é de conhecimento geral, as vacinas ajudam a proteger contra doenças causadas por vírus e bactérias. Além de estimular o sistema de defesa do organismo, reduzem o risco de infecções e contribuem para controlar a circulação de doenças na sociedade. Manter a vacinação em dia é justamente uma das principais formas de prevenção e de proteção da saúde em todas as fases da vida.
No Brasil, a maioria das vacinas é oferecida gratuitamente por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Iniciada ainda na fase da gestação e mantida ao longo dos anos, a carteira de vacinação é o principal documento para controle recomendada pelo Calendário Nacional de Vacinação, observando as idades e os intervalos (para muitas delas é necessária mais de uma dose) para melhor eficácia e proteção.
Se hoje muitas doenças já estão sob controle, no passado a poliomielite e o sarampo, por exemplo, resultaram em inúmeras sequelas e mortes. Foi o surgimento das vacinas que ajudou na redução do número de óbitos por doenças contagiosas. Ainda no século XVIII, o médico inglês Edward Jenner (1749-1823) criou a primeira vacina documentada. A varíola, doença viral extremamente grave que causava febre alta, dores de cabeça e no corpo, lesões na pele e morte, foi a primeira doença infecciosa erradicada por meio de vacina. O estudo desenvolvido por Jenner durou vinte anos e se iniciou pela observação do médico a pessoas que eram contaminadas ao ordenhar vacas por uma doença de gado e chegou à conclusão de que essas pessoas tornavam-se imunes à varíola. A doença, chamada de cowpox, assemelhava-se à varíola humana pela formação de pústulas (lesões com pus). A palavra “vacina” vem do latim “vacca”, que significa “vaca”, em função da relação histórica do método com a varíola bovina
Já no Brasil, a vacinação surgiu em 1804, justamente com a chegada da vacina contra a varíola. A vacinação se tornou obrigatória no país a partir de 1837 para crianças e em 1846 para adultos por meio de decreto imperial assinado por Dom Pedro II, no entanto, a relutância da população ainda persistia. Somente em 1904 foi lançado um decreto mais rígido em relação à obrigatoriedade da imunização, com risco de multas e demissões, que levou à Revolta da Vacina.
Hoje, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece acesso gratuito a vacinas pelo Sistema Único de Saúde e organiza campanhas e estratégias de imunização para diferentes fases da vida. O Programa Nacional de Imunizações, atualmente, disponibiliza cerca de 49 imunobiológicos, sendo 31 vacinas, além de soros e imunoglobulinas. O programa contempla crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e povos indígenas.
A dimensão da política pública adotada na área da Saúde do Brasil pode ser comprovada por meio de dados divulgados em julho deste ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que mostram que o número de crianças brasileiras que não haviam recebido nenhuma dose da vacina contendo o componente DTP, que previne contra difteria, tétano e coqueluche, caiu de 360 mil, em 2023, para aproximadamente 50 mil em 2025, uma redução de quase 90%.
A Organização Mundial da Saúde reforça a dimensão histórica dessa proteção. Segundo a entidade, as vacinas essenciais salvaram pelo menos 154 milhões de vidas nos últimos cinquenta anos, o equivalente a cerca de seis vidas salvas por minuto nesse período.
No Brasil, a vacinação também esteve diretamente relacionada ao controle de enfermidades que já provocaram grandes impactos sociais. O Programa Nacional de Imunizações destaca a erradicação da varíola e da poliomielite no país e a eliminação do sarampo, da rubéola e da rubéola congênita como marcos associados às políticas de imunização. “O sarampo pode ocorrer em qualquer idade em não vacinados (…). A vacinação é fundamental para evitar as complicações e morte, além de proteger os vulneráveis ao redor que ainda não podem receber as vacinas ou que têm algum problema relacionado a imunidade”, explica Márcio Nehab, pediatra e infectologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Para a presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, a vacinação acompanha a pessoa durante toda a trajetória de vida. “Quando falamos em longevidade, precisamos necessariamente defender o direito de cada ser humano envelhecer com qualidade. As vacinas desempenham um papel fundamental nesse processo. Cada dose administrada é uma oportunidade de salvar vidas, prevenir sofrimento e garantir um futuro mais saudável para todos”, afirmou Mônica durante a 27ª Jornada Nacional de Imunizações, em 2025.
Manter a carteira de vacinação atualizada é uma das medidas mais simples para acompanhar a proteção ao longo da vida. O documento permite que os profissionais de saúde identifiquem quais imunizações estão completas e aquelas que precisam ser atualizadas. A ausência da carteira física também não impede a vacinação ao longo de campanhas nem para atualização. Sempre é possível solicitar uma nova via nas unidades e postos de saúde quando necessário. Além disso, os registros podem ser consultados em formato digital por meio do app gratuito Meu SUS Digital no site Gov.br, facilitando o acesso ao histórico vacinal.
O Calendário Nacional de Vacinação 2026 estabelece recomendações para diferentes grupos etários e começa ainda na gestação:
- Para gestantes existem vacinas destinadas à proteção da mãe e também do bebê, de acordo com a indicação para cada período da gravidez;
- Após o nascimento, o calendário estabelece uma sequência de imunizações. Entre as primeiras estão a BCG (contra a tuberculose) e a hepatite B. Nos meses seguintes, entram vacinas como pentavalente, poliomielite inativada, rotavírus, pneumocócica e meningocócica;
- Na infância, outras doses e reforços são indicados, incluindo vacinas contra sarampo, caxumba, rubéola, varicela, hepatite A, difteria, tétano e coqueluche. Aos 9 anos, por exemplo, o calendário nacional prevê a vacina contra o papilomavírus humano (HPV), com orientações específicas para situações de atraso vacinal;
- Na adolescência, o calendário inclui, entre outras, a meningocócica ACWY e reforços contra difteria e tétano. O princípio permanece o mesmo: a proteção não termina com a infância;
- Para adultos, as recomendações variam conforme idade, histórico vacinal, condições de saúde, profissão e outras características. Entre as vacinas previstas no calendário estão, conforme a situação individual, tríplice viral, contra difteria e tétano (dT) e outras imunizações indicadas pelo Programa Nacional de Imunizações;
- A partir dos 60 anos, a vacinação ganha importância adicional devido ao maior risco de complicações de algumas infecções. O calendário prevê imunizações específicas para essa faixa etária e para diferentes situações de saúde. Em 2026, por exemplo, o Ministério da Saúde publicou novas orientações relacionadas à vacina pneumocócica conjugada 20-valente para pessoas a partir de 85 anos e atualizações referentes a diferentes imunizantes e estratégias de vacinação.
Também houve avanços relacionados à vacinação contra a hepatite B. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que a cobertura da vacinação contra hepatite B nas primeiras horas de vida chegou a 100% em 2025, depois de 97% em 2024.
O avanço das vacinas pode produzir um paradoxo: quando uma doença deixa de ser comum, parte da população pode esquecer o impacto que ela já provocou. É por isso que especialistas e autoridades de saúde defendem a manutenção das coberturas vacinais e o combate às fake news (as chamadas notícias falsas que se propagam especialmente em redes sociais e grupos de mensagens por celular) sobre a eficácia das vacinas e supostas falsas reações e consequências.
A Fiocruz destaca que o Brasil possui um dos programas de imunização mais abrangentes, mas também enfrenta o desafio de alcançar níveis de cobertura capazes de manter a proteção coletiva. A própria Sociedade Brasileira de Imunizações tem chamado a atenção para a necessidade de manter o compromisso com a vacinação ao longo da vida. Em janeiro de 2025, ao abordar a vacinação contra a dengue, Mônica Levi observou: “Nós, profissionais da saúde, desejamos por muito tempo uma vacina para o combate à dengue. Agora que temos, precisamos do engajamento da população”.
A declaração sintetiza um dos principais desafios da imunização: transformar a disponibilidade de uma vacina em vacinação efetiva, com acesso, informação e adesão da população. Vacinar é um cuidado individual que produz um benefício coletivo e uma das formas mais concretas de preservar a saúde das próximas gerações.
Fonte: gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/vacina-na-aps
PRINCIPAIS VACINAS DO CALENDÁRIO INFANTIL, ADOLESCENTE E ADULTO
Ao nascer:
- BCG: dose única (protege contra formas graves de tuberculose);
- Hepatite B: primeira dose (protege contra hepatite B).
Primeira infância:
- 2 a 6 meses: o ciclo inicial inclui vacinas como penta (DTP/HepB/Hib), VIP (contra poliomielite), rotavírus, pneumocócica 10-valente, meningocócica C e influenza;
- 9 a 12 meses: aplicação da febre amarela (9 meses), seguida pela tríplice viral (SCR), além dos reforços da pneumocócica e meningocócica C aos 12 meses;
- 15 meses a 4 anos: compreende reforços importantes como DTP, hepatite A, tetraviral, varicela e febre amarela.
Adolescentes e adultos:
- Inclui a vacina HPV (9 a 14 anos), hepatite B, dupla adulto (dT), febre amarela, influenza e campanhas de covid-19.
VACINAS DE ROTINA NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (REDE PÚBLICA)
O Ministério da Saúde disponibiliza quatro vacinas essenciais para atualizar a carteira do adulto:
- Dupla adulto (dT): protege contra difteria e tétano. É necessário aplicar um reforço a cada dez anos por toda a vida;
- Hepatite B: indicada em três doses para todos os adultos que não se vacinaram na infância ou não completaram o esquema;
- Tríplice viral (SCR): protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Adultos de 20 a 29 anos precisam comprovar duas doses; já adultos de 30 a 59 anos necessitam de apenas uma dose;
- Febre amarela: recomendada em dose única para adultos de até 59 anos que nunca a receberam.
CAMPANHAS ANUAIS E GRUPOS PRIORITÁRIOS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
- Influenza (gripe): oferecida anualmente em campanhas públicas focadas em grupos prioritários (como gestantes, puérperas, professores e profissionais de saúde). Na rede privada, qualquer adulto pode tomá-la.
- Covid-19: segue diretrizes de reforço e atualização conforme o histórico vacinal e as variantes circulantes.
Fontes principais: Ministério da Saúde/PNI, Calendário Nacional de Vacinação 2026, Fiocruz, Sociedade Brasileira de Imunizações e Organização Mundial da Saúde.
VACINAS COMPLEMENTARES (REDE PRIVADA/CLÍNICAS)
A Sociedade Brasileira de Imunizações recomenda imunizantes adicionais para uma proteção ampliada na vida adulta:
| Vacina | O que previne | Indicação/Esquema |
| dTpa (tríplice bacteriana acelular) | Difteria, tétano e coqueluche. | Substitui a dT como reforço ou é altamente indicada para gestantes a cada gravidez. |
| HPV (quadrivalente) | Cânceres e verrugas genitais. | Recomendada para mulheres e homens de até 45 anos na rede privada (no Sistema Único de Saúde, a dose única restringe-se a jovens de 9 a 14 anos). |
| Herpes zóster | Reativação do vírus da catapora (cobreiro). | Recomendada na rotina para adultos a partir dos 50 anos (esquema de duas doses). |
| Pneumocócica (VPC13/VPC15/VPC20) | Pneumonia, meningite e otite. | Recomendada de rotina a partir dos 50 ou 60 anos ou antes disso para adultos com comorbidades cardíacas ou respiratórias. |
| Meningocócica ACWY/B | Formas graves de meningite. | Indicada para adultos não vacinados, especialmente os que convivem em ambientes de aglomeração (como universitários). |
Fonte: Ministério da Saúde.