A Igreja, sacramento do Reino

A Igreja é Sacramento do Reino e assim ela é Sacramento de salvação, pois, segundo a Constituição Dogmática Lumen Gentium, “A Igreja enriquecida dos bens celestes, não pode ser considerada duas realidades, pois forma uma só realidade complexa em que se fundem divino e humano” (5). Aí se encontra a missão terrena da Igreja: ser sinal do Reino de Deus. Ela está fundamentada na atuação histórica de Jesus.

Nesse processo histórico da humanidade, encontram-se nos sacramentos os sinais visíveis de Cristo na Igreja, por isso, o Catecismo da Igreja Católica definiu sete sacramentos, a saber: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio: “(…) estes atingem todas as etapas e todos os momentos importantes da vida do cristão: dão, à vida de fé do cristão, origem e crescimento, cura em missão” (1210). Os sacramentos são, portanto, essências para iniciação cristã. Para a vida nova e para a missão.

Ao longo do tempo, a história vai sendo construída e a experiência de fé do povo de Deus, também. Nesse sentido, a Igreja, como sinal no mundo, vai se consolidando e ganha consistência no transcurso da humanidade, tornando-se presença sacramental na história, tendo em vista que Jesus Cristo é o autor salvífico, pois anunciou o Reino com muita maestria, a sua presença na história da humanidade garantiu a todos a salvação. 

Jesus fez a sua missão com uma eficácia sem igual, no entanto, Ele provocou, motivou os seus discípulos para o anuncio do Reino, que devia se perpetuar, era necessária a continuidade dele. Nesse sentido, nos evangelhos a continuação do Reino anunciada por Jesus é muito clara: “Ide pelo muito inteiro, e proclamai o Evangelho a todas as criaturas” (Mc 16,15); “Jesus aproximou-se deles e lhes dirigiu estas palavras: ‘Toda autoridade me foi dada no Céu e sobre a Terra. Ide, pois de todas as nações fazei discípulos, […] ensinando-as a guardar tudo o que vos ordenei’” (Mt 28,19a-20). Convictos dessa delegação feita por Jesus, o Reino continua se consolidando na vida da humanidade.

No que se refere ao prolongamento do Reino de Deus, a Igreja, como Sacramento desse Reino, precisa transmiti-lo, isso porque ela, em sua essência, tem esse papel de anunciá-lo claramente, numa perspectiva concreta da vida humana, pois isso é constitutivo de seu legado, uma vez que é feita de homens e mulheres e recebeu a missão a de propagar o Evangelho a todos os povos e nações. 

Por fim, a Igreja deve favorecer a difusão da mensagem deixada por Jesus Cristo, pois, sendo ela Sacramento do Reino, é justamente nesse itinerário que irá expandir o anúncio do Reino tão proclamado por Jesus, pois Ele e é o nosso modelo fundamental. É preciso entender que Jesus convida, ensina e depois envia os que aderiram à sua mensagem que consiste, essencialmente, no anúncio do Reino de Deus. Para tanto, cabe à Igreja na sua missão de fato assumir para si a proposta de Jesus e fazer com que o Reino se propague até os confins da Terra.

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