Qual o sentido dos santos da Igreja?

A Igreja Católica, desde muitos séculos, proclama os seus santos. O primeiro processo formal de canonização foi realizado pelo Papa João XV, que elevou aos altares o bispo de Augsburgo, Dom Ulrique, no ano 993.

Os santos refletem a graça de Cristo. Eles não são importantes por si mesmos, mas porque são reflexos de Cristo Jesus. Para alguns a santidade é exclusiva de alguns escolhidos, no entanto, todos os fiéis são chamados à santidade. A santidade não é algo inatingível. Os santos podem brotar em todas as épocas, em qualquer cultura ou em qualquer condição social. Cada santo manifesta um aspecto do mistério de Cristo com sua história e personalidade específica. São João Paulo II refletiu a misericórdia, São Francisco a pobreza radical, Santo Agostinho o intelecto a serviço da fé e outros, a força do martírio. Diante disso, o que vemos é a infinita riqueza de Cristo. 

A Igreja não “produz” santos: ela os reconhece mediante a manifestação do povo. Por meio da canonização, a Igreja confirma formalmente que a pessoa viveu as virtudes cristãs de forma heroica e que sua intercessão junto a Deus é eficaz. A pessoa foi uma imagem viva do Evangelho de Jesus Cristo. Para a Igreja, o santo também é modelo de vida, é um itinerário seguro a ser seguido. A canonização afirma que aquela pessoa já tem a visão de Deus e que pode interceder por todos os fiéis. Isso reafirma a comunhão dos santos: que os fiéis estão ligados intimamente àqueles que nos precederam e que há uma troca de dons entre o Céu e a Terra. 

A santidade não é um privilégio de alguns, mas um chamado universal: “Sede santos, porque eu, vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2). A Constituição Dogmática Lumen Gentium (Concílio Vaticano II) apresenta um capítulo inteiro sobre a santidade, o “Chamado universal à santidade”. 

Não é preciso ser padre, bispo ou o fundador de alguma ordem para ser santo. A santidade é para todos os crentes. Os leigos em sua vida cotidiana podem ser santos. Exemplos de leigos santos: Santa Gianna Beretta Molla, mãe de família; São Luís Martin, pai de família; São Domingos Sávio e Santo Carlos Acutis, os jovens; São José, o trabalhador; São Tomás More, o intelectual. Para ser santo não é preciso ser protagonista de grandes feitos, mas viver o amor de Deus nos pequenos gestos. Santa Teresinha chamava isso de “a pequena via”. 

A virtude básica da santidade é a humildade. O santo não se reconhece como santo e se o assim fizesse deixaria de sê-lo. A santidade é uma prerrogativa de Deus, que nela participa o santo. 

Por fim, as vidas dos santos são itinerários de fé, confirmações de que o Espírito Santo continua agindo na história do povo de Deus. Os santos são os nossos irmãos exemplares, que testemunharam a ressurreição. No fim fica o chamado do Apocalipse: “Quem tem sede, venha; quem deseja, receba de graça a água da vida” (22,17). 

*Padre Adelmo Sérgio Gomes é sacerdote da Diocese de Divinópolis (MG). É também vice-postulador da causa de beatificação e canonização do Venerável Servo de Deus Padre Libério.

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